Vacina 100% nacional e de dose única contra a dengue começa a ser aplicada no Brasil

Da Redação
O Ministério da Saúde iniciou, neste sábado, 17, a vacinação contra a dengue com um marco inédito para a saúde pública brasileira: a aplicação do primeiro imunizante 100% nacional e de dose única contra a doença, desenvolvido pelo Instituto Butantan. A estratégia começou em municípios-piloto de três estados — Maranguape (CE) e Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, no sábado; e Botucatu (SP), a partir deste domingo, 18 — com a imunização de pessoas de 15 a 59 anos. O objetivo é avaliar o impacto da vacina na transmissão do vírus e reunir evidências para embasar a futura ampliação da estratégia em todo o país.
Como os municípios foram escolhidos?
Durante o lançamento da campanha, o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, explicou que os municípios foram escolhidos por terem entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma rede de saúde estruturada, capaz de implementar a vacinação e permitir o monitoramento de seus efeitos na população. No momento, não existem previsões da chegada do imunizante à Divinópolis.
Já o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, destacou o caráter histórico da iniciativa. Segundo ele, a Butantan-DV é a primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo, além de apresentar alto perfil de segurança e eficácia. Estudos clínicos indicam eficácia global de 74%, com redução de 91% dos casos graves e 100% de proteção contra hospitalizações.
Quantidade
Nesta primeira fase, estão sendo distribuídas 204,1 mil doses entre os três municípios-piloto — 80 mil para Botucatu, 60,1 mil para Maranguape e 64 mil para Nova Lima — quantitativo suficiente para a vacinação em massa da população-alvo local. As análises serão realizadas ao longo de um ano, com acompanhamento da incidência da dengue e do surgimento de possíveis eventos adversos raros, seguindo metodologia já aplicada anteriormente na avaliação da vacina contra a Covid-19 em Botucatu.
Vacinação de jovens
Paralelamente, o Sistema Único de Saúde (SUS) mantém a vacinação de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos com o imunizante japonês de duas doses, atualmente disponível em todos os mais de 5 mil municípios brasileiros. A vacina do Butantan será destinada às demais faixas etárias, de 15 a 59 anos, conforme regulamentação da Anvisa.
A expectativa do Ministério da Saúde é ampliar gradualmente a produção, com previsão de aumento em até 30 vezes, por meio da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines. A imunização de profissionais da Atenção Primária à Saúde está prevista para fevereiro, com cerca de 1,1 milhão de doses destinadas a trabalhadores da linha de frente do SUS.
Divinópolis
Enquanto a vacinação avança em nível nacional, o cenário epidemiológico reforça a importância da prevenção. Em Divinópolis, a Prefeitura divulgou o balanço de 2025 das arboviroses. Foram 4.261 casos de dengue notificados no ano, dos quais 2.369 confirmados, com 289 hospitalizações e cinco óbitos ainda em investigação, sem mortes confirmadas. A maioria dos casos concentra-se nas faixas etárias de 20 a 29 anos (833 casos) e 30 a 39 anos (696), seguidas por pessoas com 60 anos ou mais (543).
Apesar da redução expressiva dos casos de dengue no Brasil em 2025 — queda de 74% em relação a 2024 — o Ministério da Saúde reforça que a vacinação deve caminhar junto com ações contínuas de combate ao mosquito, como eliminação de criadouros, controle vetorial e conscientização da população.
A chegada da vacina de dose única representa um avanço significativo no enfrentamento da dengue, mas especialistas alertam que a proteção coletiva depende da adesão da população e da manutenção das medidas preventivas, especialmente em municípios que, como Divinópolis, ainda apresentam números expressivos da doença.
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