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Política

Vereadores aprovam desburocratização para obras, mas alertam para possível ‘bola de neve’

Por Portal Agora
Vereadores aprovam desburocratização para obras, mas alertam para possível ‘bola de neve’

 

Matheus Augusto

Quando a aprovação unânime do projeto “Alvará Já” foi anunciada pelo presidente da Mesa Diretora, Eduardo Print Jr (PSDB), os engenheiros presentes no Plenário da Câmara celebraram com aplausos. A unanimidade esconde, porém, o alerta deixado pelos vereadores durante a discussão. 

O texto chegou ao Legislativo como uma das propostas para melhorar o criticado setor de aprovação de projetos da Prefeitura. Com a aprovação, o alvará de construção poderá ser emitido sem a análise e a aprovação pelo Município, através da formalização de Termo de Autodeclaração e atendimento às demais exigências legais pertinentes. 

— O alvará de construção que for requerido na forma do Programa “Alvará Já” deverá ser expedido no prazo de até cinco dias úteis após o protocolo da documentação completa exigida em lei — determina o texto. 

Aprovação unânime,

discussão divergente

Um dos principais defensores da proposição, Josafá Anderson (Cidadania) destacou a importância de superar a “morosidade que vem se arrastando ao longo dos anos” no setor de aprovação de projetos da construção civil. Apesar disso, o texto não deve ser encarado como a solução definitiva dos problemas. 

— Não vai resolver todos os entraves, (...) temos que avançar mais — cobrou. 

O vereador ressaltou, ainda, que o texto foi elaborado com participação direta e ativa do Fórum de Desburocratização, com participação de entidades e profissionais da engenharia. 

Para o vice-líder do governo, Flávio Marra (Patriota), a aprovação é um “momento histórico”, dada a clara contribuição ao processo de desburocratização do setor. Ele relatou os entraves enfrentados por engenheiros. Apesar de exaltar o texto, deixou registrado sua cobrança por mais melhorias, como a contratação de mais profissionais.

— A Prefeitura também tem que fazer a parte deles e colocar mais carros para os fiscais irem até as obras e mais material humano — sugeriu. 

Construir para demolir?

O primeiro a mencionar possíveis complicações futuras foi Israel da Farmácia (PDT). O membro da Mesa Diretora reforçou que o alvará será liberado em até cinco dias, permitindo o início da construção, porém o projeto ficará retido na Prefeitura para análise. 

— Agora é mais complicado, porque se começar errado e terminar errado, no final vai perder a construção e ter que desmanchar — ressaltou. 

O comentário foi expandido por Rodyson do Zé Milton (PV). Ele também apontou para a importância da atual administração modernizar a estrutura interna. 

— Precisamos ampliar o setor.

Na avaliação do líder do PV, as dificuldades são enfrentadas, em especial, pelos pequenos construtores. 

— Qual o critério? Por que para uns pode, e outros não? (...) Minha preocupação é, principalmente, com os pequenos, que ficam desmotivados — pontuou. 

Rodyson compartilha da ressalva apresentada por Israel e citou que, qualquer metragem fora do previsto no projeto entregue na Prefeitura, significará enorme prejuízo aos empreendedores.

— Vai ter uma complicação lá na frente muito maior. (...) Vai quebrar parede? Vai quebrar escada? (...) olha o prejuízo que vai dar, só estamos adiando o problema — refletiu.

O edil reconheceu a iniciativa como positiva por “tentar facilitar um problema que está represado na Prefeitura”, dado o relato de profissionais da área sobre a demora para aprovar os projetos protocolados. 

— Não conseguem aprovar uma planta. 

A melhor alternativa, frisou, seria ter criado um pacote de ações, juntamente com um novo Código de Obras, para clarificar a situação. Apesar dos alertas, ele declarou voto favorável, “para depois não falarem que eu votei contra”.

— Vou votar favorável, mas, lá na frente, na hora de fazer a aprovação do projeto, se estiver errado, já era — concluiu.

O tema é recorrente nos pronunciamentos de Roger Viegas (Republicanos), que voltou a abordar o tema. Em seu prognóstico, o texto resolve apenas o problema a curto prazo para não retardar o início das obras. 

— Caso ocorram erros [na execução da edificação], vamos continuar com um problema ainda maior. (...) Risco, hoje, de começar a construção e daqui um ano ter que demolir — frisou. 

Para Roger, o texto triplica a responsabilidade dos engenheiros ao conceder o alvará sem a avaliação. Por isso, defende a continuidade da discussão de políticas públicas para fortalecer a dignidade dos servidores analistas.

— Falta estrutura. Tem apenas um carro para exercer o trabalho da cidade inteira, mais de 700 quilômetros de estradas e vias. Haja morosidade — criticou.

Antes de encerrar, lamentou que a cidade continue a perder a instalação de empresas pela lentidão do setor. 

— Essa Casa já deu um passo e agora a Prefeitura tem que fazer sua parte — cobrou.

Divisão de responsabilidades

As observações, entretanto, não foram vistas com a mesma preocupação por outros parlamentares. Diego Espino (PSC), por exemplo, citou que o texto apenas divide a responsabilidade, cabendo ao engenheiro se ater ao desenho original.

— O engenheiro tem que fazer o que está no projeto — ressaltou.

O líder do governo na Câmara, Edson Sousa (Cidadania), reforçou a fala do colega e declarou que a proposta é um voto de confiança da Prefeitura nos técnicos. Ele disse ainda que é um dos objetivos da atual gestão aprimorar o Código de Obras ainda neste mandato. 

Dado seu benefício, o vereador vê a aprovação da proposta acima de qualquer “divergência política”, embasada pelos pilares da competência e responsabilidade dos profissionais envolvidos no processo de alvará e construção.

— Não precisam ter medo desse projeto — tranquilizou.

Até mesmo Ademir Silva (MDB), crítico constante da atual gestão, argumentou que as críticas ao setor de aprovação de projetos da Prefeitura são antigas e também eram frequentes nas administrações municipais anteriores. 

“Não temos como mudar o passado, temos que mudar o futuro”, justificou Flávio Marra (Patriota). O vice-líder do governo mencionou, como argumento, o apoio dos engenheiros presentes em Plenário ao projeto. 

— O que estamos fazendo é separar os bons dos ruins — citou, em referência a responsabilidade que os profissionais terão. — Tirar a responsabilidade dos fiscais da prefeitura e transferir para os engenheiros.

Ele concorda, porém, que a aprovação não resolve o problema da construção na cidade, apesar de considerar um passo importante. 

Um dos últimos a se pronunciar, Ney Burguer (PSB), definiu o projeto como “muito bom” ao fazer algo que “já tinha que ter sido feito antes”, e estranhou tamanho debate.

— Não devíamos nem estar debatendo tanto — avaliou.

A proposta segue para sanção do prefeito Gleidson Azevedo (PSC).





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