Vírus se espalha pela China e causa temor

Da Redação
Um novo surto de vírus respiratório na China tem sido acompanhado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Vigilância Epidemiológica Brasileira. O HMPV (metapneumovírus) não é um vírus novo, mas dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China (China CDC), divulgados na semana passada, mostraram que o país registrou mais casos nas últimas semanas, sobretudo, entre crianças e jovens de até 14 anos.
Sobre o HMPV
O HMPV é um vírus que causa infecções nas vias respiratórias superiores e inferiores, e foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2004. Desde então, tem sido monitorado como parte das atividades de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, que inclui coleta e análise de dados sobre doenças respiratórias. É um vírus conhecido no mundo e comum em casos de síndrome gripal (casos leves), podendo eventualmente evoluir para casos de síndrome respiratória aguda grave que requerem internação.
Alguns dos sintomas comumente associados às infecções por HMPV incluem tosse, febre, congestão nasal e falta de ar.
O vírus se espalha de pessoa para pessoa de forma semelhante a alguns outros respiratórios: através de gotículas da tosse ou espirro e do toque, como apertar as mãos ou tocar superfícies contaminadas.
Há riscos?
Em nota divulgada pelo Ministério da Saúde (MS), o coordenador-geral de Vigilância da Covid-19, Influenza e outros Vírus Respiratórios, Marcelo Gomes, afirmou que até o momento não há alerta internacional emitido pela OMS, mas a Vigilância Epidemiológica está em constante comunicação com autoridades sanitárias da OMS e de vários países, incluindo a China, para monitorar a situação e trocar informações relevantes.
Segundo Gomes, as últimas atualizações de vigilância do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China (China CDC) apontam que a magnitude e intensidade das infecções respiratórias foram menores do que as registradas no mesmo período do ano anterior. No entanto, foi observado um aumento nas infecções respiratórias agudas, incluindo gripe sazonal, metapneumovírus humano (HMPV), infecção por rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR) e outros, particularmente nas províncias do norte chinês.
Ministério da Saúde
Marcelo Gomes afirmou que embora o risco de uma pandemia seja considerado baixo pelos especialistas, o Ministério da Saúde salienta que é fundamental reforçar as medidas de prevenção e controle de infecções respiratórias.
— É muito importante incentivar a vacinação entre os brasileiros, pois a imunização contra a covid-19 e a gripe é uma das maneiras mais eficazes de prevenção, especialmente para grupos prioritários como idosos, gestantes, crianças e pessoas com comorbidades. As vacinas contra covid e influenza continuam sendo eficazes contra formas graves, reduzindo o número de hospitalizações e mortes pelas variantes em circulação. Além disso, o uso de máscaras por pessoas com sintomas gripais e resfriados ajuda a diminuir a transmissão de todos os vírus respiratórios, inclusive o metapneumovírus — explica.
Prevenção
Ainda não há tratamento antiviral ou vacinas contra a doença. Mas medidas de higiene, como lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou o uso de álcool em gel, são recomendadas para a prevenção, assim como o uso de máscaras em locais fechados e com aglomerações.
— Em alguns casos, como qualquer um dos vírus do resfriado comum, pode levar a doenças mais graves em pessoas que não têm imunidade ou têm sistemas imunológicos muito fracos — afirma o diretor-geral.
Isso, segundo ele, inclui os muito jovens, bebês recém-nascidos – é por isso não se deve visitar um bebê recém-nascido e beijá-lo quando estiver resfriado – e os muito idosos.
A vigilância do vírus é realizada através do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica (Sivep), com a identificação de casos por meio dos Núcleos Hospitalares de Epidemiologia (NHEs) em serviços de saúde. Esses núcleos monitoram a circulação de diversos patógenos respiratórios, incluindo o HMPV, em diferentes regiões do país.
OMS e autoridades internacionais
Em uma coletiva de imprensa, na última terça-feira, 7, a porta-voz da Organização Mundial da Saúde, Margaret Harris reforçou que os níveis relatados de infecções respiratórias na China estão dentro da faixa normal e que a utilização hospitalar no país está menor do que nesta mesma época do ano passado e que não houve declarações de emergência ou respostas emergenciais lançadas em conexão com essas infecções respiratórias.
A diretora executiva do Conselho de Epidemiologistas Estaduais e Territoriais, Janet Hamilton, ressaltou que é temporada de vírus respiratórios e que o HMPV pode ser associado ao resfriado comum.
— Normalmente, as infecções são relativamente leves, e frequentemente pensamos nelas como um resfriado comum. Nos acostumamos a pensar naqueles que têm sido realmente graves, como covid, gripe e VSR, mas há uma série de outros vírus respiratórios por aí que podem fazer você adoecer. Muitas pessoas não sabem necessariamente quando têm um resfriado comum que é causado pelo metapneumovírus humano, mas é definitivamente um dos vírus que são frequentemente associados ao resfriado comum — frisou.
Como é tratado?
Casos leves geralmente duram de alguns dias a uma semana, e muitas pessoas se recuperam por conta própria em dois a cinco dias.
A doença se apresenta da mesma forma que a gripe, sars-cov-2, VSR, então os mesmos conselhos se aplicam para os afetados, com tratamento concentrado no alívio de sintomas: Descansar, fazer uso de de medicamentos para controlar a febre, descongestionantes, muita hidratação e, em casos mais graves, oxigenoterapia.
É fundamental ter atenção e buscar orientação médica em caso de suspeita de infecção respiratória, especialmente para quem se enquadra nos grupos de risco, como crianças, idosos e pessoas com comorbidades.
Difere do vírus da covi-19
Como o vírus circula em todo o mundo há décadas, principalmente no inverno e na primavera. Sua circulação é comum e uma parte importante da população já teve contato com a doença e tem imunidade desenvolvida. Diferentemente do covid-19, que era um patógeno novo e as pessoas não tinham respostas imunológicas a ele.
Não há casos registrados no Brasil até o momento, mas o vírus já foi observado em território nacional. Como os sintomas são muito parecidos aos causados por outros vírus, o diagnóstico exato só é possível com testagem específica.
Um estudo conduzido no Brasil entre 2009 e 2011 e publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, identificou a presença do HMPV em pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) no Rio Grande do Sul nesse período.
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