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Saúde

Vladimir Azevedo comenta perspectiva em abertura do Hospital Universitário

Por Bruno
Vladimir Azevedo comenta perspectiva em abertura do Hospital Universitário

Dia 16 de junho, última terça-feira. Recebi um vídeo que me emocionou profundamente. Nele, uma ambulância do SAMU transporta da UPA Padre Roberto, o primeiro paciente a ser atendido no Hospital Público Regional Divino Espírito Santo.

Para muitos é apenas uma cena da rotina da saúde. Para mim, representa uma história sonhada e construída ao longo de 17 anos.
Tudo começou antes mesmo de eu tomar posse como prefeito eleito de Divinópolis. Ao lado do meu vice, Francisco Martins, e do deputado Domingos Sávio, fomos recebidos pelo então governador de Minas, Aécio Neves, no Palácio da Liberdade. Naquela reunião, já fizemos um pedido que parecia um sonho distante: a construção de um hospital público regional para atender Divinópolis e toda a macrorregião Centro-Oeste de Minas.

Aquele encontro marcou o início de uma jornada. Não estávamos pedindo apenas um hospital. A nossa missão era uma nova visão para a saúde da nossa Divinopolis e região: uma rede integrada, capaz de cuidar das pessoas desde à atenção básica até os atendimentos de alta complexidade.

Ao longo dos anos, essa visão foi ganhando forma. Planejamos e instituímos o SIM Saúde - Sistema Integrado de Saúde, onde triplicamos as equipes de Saúde da Família na Atenção Primária; ampliamos a Atenção Secundária por meio do CISVI, consórcio que presidi por 6 anos. Ainda construímos a UPA Padre Roberto e articulamos a criação do Cisurg Oeste, consórcio que articulei, fundei com mais 53 prefeitos e presidi por 3 anos e que faz a gestão do SAMU e a central de regulação que funciona desde a época, no prédio do antigo Pronto Socorro. Foi um dos maiores esforços de integração da saúde pública já realizados no Centro-Oeste mineiro.

Paralelamente, conduzimos a articulação necessária para viabilizar o Hospital Público Regional. Garantimos a aquisição do terreno, elaboramos o projeto, estruturamos o plano assistencial e tivemos diálogos com parceiros fundamentais além do Estado, como a UFSJ, o MEC, o Ministério da Saúde e a EBSERH, buscando viabilidade para que nascesse com vocação também de hospital-escola. Ao final do nosso governo, a obra estava 82% concluída. Só não concluímos, visto que o governador Pimentel não cumprir mais com nenhuma transferência sequer de nenhum centavo dos recursos previstos no convênio, iniciando o ciclo de atraso.

Por isso, quando assisti ao vídeo, percebi que aquela viagem de poucos minutos carregava uma história muito maior, frutos de um mesmo projeto: paciente da UPA, na ambulância do SAMU, chegando no Hospital Regional. Senti: cumprimos nossa missão!
Três momentos de uma mesma visão de futuro, agora conectados em uma única cena.

Talvez seja difícil explicar a emoção de ver, tantos anos depois, uma ambulância do SAMU que ajudamos a criar sair de uma UPA que construímos e chegar a um hospital que sonhamos, projetamos e tiramos do papel.

Ali não estava apenas um paciente sendo transportado. Estava a materialização de uma política pública pensada de forma sistêmica, construída por muitas mãos e destinada a servir muitas gerações…

É por isso que acredito que a boa política não se mede pelo tamanho dos discursos, mas pela capacidade de transformar vidas.
Materializando o que sempre acreditei e me moveu no ciclo de vida pública que exerci: os mandatos passam, mas o legado permanece.

E não existe legado maior do que olhar para trás e perceber que um sonho compartilhado por tantas pessoas continua cumprindo sua missão: cuidar de quem mais precisa.

Vladimir Azevedo é economista e foi prefeito de Divinópolis por dois mandatos

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