Zema e Lula trocam "alfinetadas" em encontro na fábrica da Stellantis em Betim

Da Redação
A troca de farpas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), já não são novidade e aconteceu de novo. Ontem, por exemplo, os dois chefes do Executivo protagonizaram um encontro marcado por provocações e divergências políticas durante evento na fábrica da Stellantis, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A ocasião, que reuniu autoridades dos governos estadual e federal, foi a primeira vez que os dois apareceram juntos publicamente desde as polêmicas envolvendo o veto de Lula ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados com a União (Propag).
A solenidade, que contou também com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), da primeira-dama Janja, do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Martins Leite (MDB), e de ministros como Fernando Haddad (Fazenda) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), serviu de palco para o embate político.
Divergências sobre o Propag
O Propag, programa aprovado pelo Congresso Nacional, foi criado para auxiliar estados endividados a renegociar suas dívidas com a União. No entanto, Lula vetou trechos considerados essenciais pelos governadores, como a isenção da taxa de 1% ao Fundo de Estabilização Fiscal e o uso de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) para pagar dívidas. O presidente justificou os vetos alegando inconstitucionalidade nas medidas.
Zema, que foi um dos principais críticos da decisão de Lula, chegou a ameaçar não aderir ao programa e afirmou que articularia, junto a outros governadores e deputados federais, a derrubada dos vetos.
— O projeto muito bom do senador Rodrigo Pacheco (PSD) foi totalmente mutilado pelo governo federal. Os governadores do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul estão indignados. Eu também estou. Esperamos que esse veto seja derrubado no Congresso — disse o governador em ocasiões anteriores.
Lula, por sua vez, respondeu indiretamente às críticas de Zema, destacando a necessidade de “grandeza” para reconhecer os esforços do governo federal.
— A palavra obrigado é tão simples, mas para falar obrigado é preciso ter grandeza. As pessoas têm que ter grandeza, têm que ter caráter, humildade, para agradecer uma coisa que é feita —afirmou o presidente.
Zema alfineta o PT
Em seu discurso no evento, Zema não poupou críticas ao PT e ao ex-governador Fernando Pimentel, afirmando que assumiu um estado “quebrado” em 2019.
— Em 2019, logo que assumi o estado quebrado, desacreditado, que não fazia repasses do ICMS, IPVA, Educação e Saúde para os diversos prefeitos que estão aqui presentes, não pagava folha nem 13º, os executivos da Fiat me procuraram e queriam saber se poderiam ou não acreditar no futuro de Minas — disse o governador.
Zema também fez uma metáfora futebolística para elogiar sua equipe de governo, comparando-a a um time de craques.
— Todo o meu secretariado foi selecionado igual a Fiat contrata. Apesar de sermos o segundo estado mais populoso do Brasil, somos o que tem o menor número de secretarias: 14. Para um time ganhar campeonato não precisa colocar 20, 30 jogadores em campo, precisa de 11 craques — afirmou.
O governador ainda cobrou uma solução definitiva para a dívida de Minas Gerais com a União, que hoje ultrapassa R$ 165 bilhões.
— Espero que agora venhamos a ter uma correção aos juros que nós pagamos de uma dívida bilionária, de 30 anos, ao governo federal. Estamos confiantes de que, finalmente, vamos ter uma solução do problema na origem, e não empurrando para frente como sempre aconteceu — disse.
Lula rebate e ironiza
Em resposta às provocações de Zema, Lula destacou os avanços recentes da economia brasileira e ironizou o governador, questionando se ele se lembrava de um período em que o país crescia acima de 3% ao ano.
— Precisou eu voltar à presidência para a economia voltar a crescer acima de 3%. O Zema não lembra de quando a economia crescia acima de 3%? — afirmou o presidente, olhando diretamente para o governador.
Lula também ressaltou a recuperação da indústria automobilística, setor que teve um papel central no evento.
— Em 2010, o setor emplacava 3,6 milhões de carros por ano, número que caiu para 1,6 milhão antes de meu retorno ao governo. Agora, graças a Deus, com este homem de sorte, já está emplacando 2,6 milhões. Se continuar assim, vai emplacar os 3,6 milhões que emplacava antes — completou, sendo aplaudido até por Zema.
Tensões políticas
O encontro entre Lula e Zema evidenciou as tensões políticas entre o governo federal e o Estado de Minas Gerais, um dos mais importantes do país. Enquanto Zema cobra soluções para a dívida estadual e critica a herança financeira deixada por governos anteriores, Lula defende suas políticas e ironiza a falta de reconhecimento por parte do governador.
A articulação para a derrubada dos vetos ao Propag no Congresso Nacional promete ser um dos principais embates políticos. Enquanto isso, Minas Gerais segue buscando alternativas para equilibrar suas contas e retomar o crescimento econômico, em um cenário marcado por desafios financeiros e divergências políticas.
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