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A cultura do poder e a frase “O poder corrompe”

Por Bruno
A cultura do poder e a frase “O poder corrompe”

Que o poder é algo que instiga e seduz as pessoas é um fato, seja o poder de liderar uma nação ou mesmo de ser o representante da turma de classe ou o capitão do time de futebol, o poder envaidece. No entanto, o que acontece com muitas pessoas é que, quando assumem alguma posição de poder, elas extrapolam, mostram um lado cruel e soberbo.  É claro que não podemos generalizar, muitas pessoas têm o dom de ser um líder, e líderes não se corrompem. 

A frase – “Quase todos os homens conseguem superar a adversidade, mas se quer conhecer/testar o carácter de um homem, dê-lhe poder” – foi dita sobre Abraham Lincoln num discurso do escritor e orador Robert G. Ingersoll, proferido no dia 16 de janeiro de 1883, em Washington D.C, uma outra similar – “Dê poder ao homem e descobrirá quem ele é” – é atribuída a Nicolau Maquiavel. De qualquer forma, ambas são verdadeiras e devem seguir de base para analisarmos, ficarmos de olho naquele que tem o poder e suas ações, volto a lembrar, desde o líder de uma nação, àquele seu colega próximo, de uma associação, coletivo ou grupo, “ter poder não faz de ninguém um super ser, pelo contrário, despi sua face real”, e essa frase é minha.  

A ideia de que “o poder corrompe” está profundamente enraizada em diversas culturas e tradições ao longo da história, refletindo a forma como as sociedades interpretam a relação entre poder e moralidade. Essa perspectiva cultural mostra que o poder, quando não equilibrado ou regulado, pode alterar o comportamento humano e promover abusos, egoísmo e desvios éticos.

A noção de que o poder corrompe reflete em valores culturais,  onde sociedades que valorizam igualdade e justiça tendem a desconfiar de concentrações de poder. Reflete em mitos e narrativas, pois, muitas histórias tradicionais incluem líderes que sucumbem à corrupção ao alcançar poder. Estão na filosofia e religião, nas quais a maioria das tradições filosóficas e religiosas adverte contra os perigos do egoísmo e da ambição descontrolada.

Influencia também nas diferentes culturas

Na Grécia Antiga, filósofos como Platão alertavam que o poder sem controle moral poderia levar à tirania. Em “A República”, Platão descreve o “anel de Giges”, uma alegoria sobre como a ausência de responsabilidade pode transformar até uma pessoa justa em corrupta.

No Cristianismo, o poder é frequentemente associado à tentação e à queda moral. A Bíblia traz exemplos como a história de Davi, que abusa do poder como rei ao cometer adultério e ordenar assassinatos.

Na China (Confucionismo), a ética confucionista defende que o poder deve ser exercido com virtude e retidão, mas reconhece que líderes egoístas ou gananciosos corrompem a ordem natural.

No Budismo, o desejo de poder é visto como uma das causas do sofrimento humano, e sua busca desequilibrada pode levar à destruição moral.

Em muitas tradições africanas, o poder é visto como um serviço à comunidade, mas há narrativas que mostram líderes transformados pela ganância. Contos populares frequentemente ilustram reis ou chefes que caem em desgraça devido ao abuso de autoridade.

Entre povos indígenas das Américas, o poder é tradicionalmente visto como uma responsabilidade coletiva. Contudo, histórias e mitos muitas vezes alertam contra aqueles que deixam o poder corromper suas intenções, rompendo com a harmonia comunitária.

Estudos psicológicos modernos mostram que o poder pode alterar o comportamento de uma pessoa. Acontece a redução da empatia, pessoas no poder tendem a se desconectar emocionalmente de outras, tornando-se menos sensíveis às necessidades dos subordinados. O aumento do narcisismo, a exposição ao poder pode intensificar traços narcisistas, levando a abusos e arrogância. Na cultura organizacional, os ambientes onde o poder é desafiado e compartilhado tendem a reduzir os riscos de corrupção, o que reflete a importância cultural de estruturas de equilíbrio.

As culturas influenciam como o poder é administrado, em democracias modernas o conceito de alternância de poder nasceu em parte para prevenir que líderes fiquem corrompidos por permanecerem muito tempo no cargo. Em sociedades autoritárias a concentração de poder é mais aceita em algumas culturas, mas muitas vezes leva à desconfiança entre os cidadãos e a autoridades que abusam de suas posições.

A frase “o poder corrompe” é um reflexo universal da luta entre as ambições humanas e os valores éticos. Embora as manifestações de corrupção possam variar culturalmente, o perigo do poder descontrolado é reconhecido globalmente. A resposta a esse perigo está no equilíbrio, na distribuição justa de responsabilidades e na construção de uma cultura que valorize a responsabilidade e a transparência.

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Welber Tonhá e Silva 

Imortal da Academia Divinopolitana de Letras, cadeira nº 09

Imortal da Academia de Letras e Artes Luso-Suíça em Genebra, cadeira nº C186

Membro da Academia Mineira de Belas Artes

Historiador, escritor, pesquisador, fotógrafo e fazedor cultural.

Instagram: @welbertonha

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