A cultura da energia crística e o feminino implícito em tudo

Confira a Coluna do Weber Tonhá
O feminino possui uma influência enorme em nossas vidas, e não há o que se discutir, quem contesta tal afirmação vive em outra dimensão. A presença do feminino na história da humanidade é um tema profundo e amplo, envolvendo o papel das mulheres, o simbolismo do feminino e sua relação com os movimentos espirituais, incluindo o advento da energia crística.
Como estamos no advento, me senti inspirado para falar do feminino, da mulher em si.
A figura da mulher esteve e está muito presente em minha vida, mesmo eu não podendo ocupar o papel de fala, por ser homem e hetero, eu posso falar das referências externas que tenho.
Na minha família, as mulheres possuem um papel de destaque e referência por onde passavam, minha mãe, minha avó e minha bisavó paterna, no passado, e hoje no presente minha companheira Karen e minha enteada Cecília influenciam minha vida diariamente.
Minha bisavó paterna Clarita, viúva, viajou com minha avó Terezinha e meu pai Walter, recém-nascido, na década de 1950, nos vagões de trem de Minas para São Paulo, para recomeçarem a vida do zero. Do outro lado, minha mãe aos 13 anos foi da Bahia para São Paulo, junto com minhas tias de 15 e 11 anos e minha avó, quatro mulheres, também para recomeçar a vida. Por aí minha história já se encaminhava com influências fortes e femininas. Minha bisavó Clarita por exemplo, tinha uma cadeira ao lado do padre na Igreja São José, na Vila Varela, em Poá-SP, minha avó materna Julieta, ajudou a criar seus 9 irmãos, cuidou da mãe doente na cama até os 95 anos, e aos mais de 90 resolveu se mudar para 1250 km de distância, de onde estava, para cuidar de sua roça na Bahia, recomeçando a vida e ainda construindo, junto com minha mãe, uma igreja coincidentemente de São José, para comunidade que viviam. Minha mãe tinha escolinha de futebol e até os 71 anos, ainda jogava futebol, enfim, falarei disso e da influência diária da Karen e da Cecília em minha vida pessoal, com mais profundidade, em outro momento. Agora vou mostrar o quanto a influência feminina é presente na vida de todos.
O feminino, conduz, enraíza, conecta e fecunda. As estradas, ruas, vielas e calçadas, que nos levam à algum lugar, são palavras femininas, assim como as linhas ferroviárias, as hidrovias, as pontes, e as passarelas nos conectam de um e nos conduzem de um ponto a outro, são palavras femininas, a planta, a árvore, a grama, a terra, elas geram vida, criam raízes, filtram nosso ar, e são palavras femininas, sem falar na água, essencial para qualquer vida, feminina.
Você pode me contestar, dizendo que o carro, o barco e o trem são palavras masculinas e nos conduzem, mas, eles precisam da estrada, hidrovia e linha férrea, para seguirem. Sem correr o risco de blasfemar, eu digo que até Deus em sua soberania, onipresença e plenitude de poder e sabedoria, um dia, precisou da figura feminina, Maria, para que seu filho, Jesus, viesse até nós.
Uma sociedade, aldeia, tribo, vila ou cidade (palavras femininas também) precisam da figura feminina para que se organizem, é comprovado historicamente que a presença feminina (da mulher) agrega, agrupa, multiplica e provém qualquer organização social.
Divinópolis é um exemplo, de mata para esconderijo de foragidos da Guerra dos Emboabas, na paragem do Itapecerica, do século XVIII, à próspera cidade polo do Centro-Oeste mineiro, só nasceu vila a partir da chegada das esposas dos tais fugitivos (candidés), que aqui se escondiam.
Desde as culturas ancestrais, o feminino tem sido associado à criação, à fertilidade, ao cuidado e à sabedoria intuitiva. Em civilizações antigas, como as do Egito, Mesopotâmia e Grécia, o feminino era celebrado em figuras divinas como Ísis, Inanna e Atena, que representavam aspectos como a maternidade, a proteção e a força criativa. No entanto, com o tempo, o patriarcado assumiu um papel dominante, muitas vezes relegando o feminino a uma posição de submissão e diminuindo sua influência direta na sociedade.
O feminino também é visto como uma força presente na natureza e nas coisas do mundo. Ele se manifesta no ciclo das estações, na terra que nutre, nos rios que fluem e nas metáforas de acolhimento e regeneração. Essa energia criativa e cíclica foi simbolizada em mitologias e práticas espirituais como um equilíbrio necessário à força masculina, representando a harmonia do cosmos.
Na tradição cristã, o feminino desempenhou um papel fundamental no advento da energia crística, representado de forma especial pela figura de Maria, a mãe de Jesus. Maria é o símbolo do feminino sagrado que acolhe o divino no mundo, sendo a ponte entre o humano e o transcendente. Sua humildade, fé e aceitação do mistério do nascimento de Cristo são expressões arquetípicas do feminino receptivo, mas ao mesmo tempo poderoso.
Além de Maria, figuras como Maria Madalena têm ganhado crescente reconhecimento como portadoras de uma sabedoria espiritual profunda, possivelmente tendo um papel maior no ministério de Jesus do que as narrativas tradicionais destacaram. Ela é vista por muitos como símbolo do feminino redentor, aquele que compreende, cura e transforma.
A energia crística em si — simbolizando o amor incondicional, a compaixão, a cura e a unidade — está profundamente conectada à essência do feminino. Essa energia transcende gêneros, mas carrega aspectos tradicionalmente associados ao feminino, como a empatia, a capacidade de acolher e a sensibilidade ao sagrado. O Cristo, em sua mensagem, buscou reconciliar o masculino e o feminino, enfatizando a igualdade e o amor universal.
A presença do feminino na história da humanidade, nas coisas e na energia crítica reflete a necessidade de integração e equilíbrio. O reconhecimento do feminino sagrado é essencial para a cura e evolução coletiva, tanto no plano espiritual quanto no material. A energia crística, ao unir polaridades e transcender separações, nos convida a honrar essa dimensão feminina como um pilar fundamental da criação e da realização espiritual.
E você, qual influência feminina é mais presente em sua vida?
Me conte no e-mail:
welbertonha@gmail.com
Welber Tonhá e Silva
Imortal da Academia Divinopolitana de Letras, cadeira nº 09
Imortal da Academia de Letras e Artes Luso-Suiça em Genebra, cadeira nº C186
Membro da Academia Mineira de Belas Artes
Historiador, escritor, pesquisador, fotógrafo e fazedor cultural.
Instagram: @welbertonha
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