A Cultura da Consciência Negra

Dia 20 de novembro é celebrado o Dia da Consciência Negra, muitos sabem disso, no entanto, poucos sabem a cultura e história por detrás desse dia.
O dia é dedicado à reflexão sobre o impacto da escravidão, a contribuição dos povos africanos na cultura brasileira e a necessidade de igualdade racial. É um momento para lembrar o passado e lutar por um futuro mais justo, onde a diversidade seja respeitada e celebrada.
O Dia da Consciência Negra é uma data que surgiu para refletir sobre a luta contra o racismo, a valorização da cultura afro-brasileira e o reconhecimento da importância da população negra na formação do Brasil.
A escolha de 20 de novembro está relacionada à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Zumbi foi o líder do Quilombo dos Palmares, uma das maiores comunidades de resistência formada por pessoas escravizadas que fugiam das fazendas e engenhos. Ele é considerado um símbolo da luta pela liberdade e resistência contra a escravidão.
O Dia da Consciência Negra começou a ser celebrado na década de 1970, por iniciativa do Movimento Negro Unificado (MNU), que buscava ressaltar a luta histórica dos negros e combater o racismo estrutural no Brasil. Foi uma forma de contrapor a narrativa oficial da abolição da escravatura em 1888, que muitas vezes era tratada como um ato generoso da elite branca, ignorando a resistência e luta dos próprios negros.
Em 2003, a data foi incluída no calendário escolar brasileiro como um momento para discussão sobre a história e a cultura afro-brasileira. Em 2011, por meio da Lei nº 12.519, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra foi oficializado, e em 22 de dezembro de 2023 — Foi publicada no Diário Oficial da União a Lei 14.759/23, que torna feriado nacional o dia 20 de novembro. Algumas cidades e estados, no entanto, já adotavam o feriado local.
As contribuições do povo negro na cultura brasileira são vastas e fundamentais para a formação da identidade do país. Desde a música até a culinária, a religião e as expressões artísticas, a influência africana moldou profundamente a cultura brasileira, refletindo a resistência, criatividade e riqueza das tradições trazidas pelos povos africanos.
A música brasileira é marcada por ritmos e gêneros diretamente influenciados pela cultura africana. Alguns exemplos incluem:
• Samba: Originado das rodas de música e dança dos negros no Rio de Janeiro, especialmente nos morros e comunidades, o samba se tornou um símbolo nacional.
• Axé e pagode: gêneros populares que têm raízes em ritmos afro-brasileiros.
• Maracatu e Afoxé: Ritmos tradicionais ligados às práticas religiosas e culturais afrodescendentes.
• Capoeira: mistura de luta e dança acompanhada por instrumentos como o berimbau, com raízes na resistência dos negros escravizados.
O povo negro trouxe ao Brasil religiões de matriz africana que se tornaram parte importante da identidade cultural:
• Candomblé e Umbanda: Religiões sincréticas que preservam a ancestralidade africana e os cultos aos orixás.
• Festas como o Congado e a Festa de Iemanjá são celebrações populares que unem espiritualidade e cultura.
A culinária brasileira deve muito à influência africana:
• Feijoada: Embora tenha origens controversas, é vista como um prato associado aos negros escravizados.
• Vatapá, acarajé, caruru e moqueca: pratos típicos da Bahia, profundamente enraizados na tradição africana.
• Uso de ingredientes como o azeite de dendê, coco e pimenta é uma herança africana.
A tradição oral africana, com seus mitos, histórias e provérbios, influenciou a formação cultural do Brasil. Além disso, escritores e poetas negros, como Machado de Assis, Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo, trouxeram narrativas que abordam a vida e os desafios da população negra.
• O uso de cores vibrantes e formas estilizadas em trabalhos como esculturas e tecelagem têm forte influência africana.
• A confecção de objetos como colares, adornos e instrumentos musicais é um legado mantido até hoje.
• O Carnaval brasileiro tem profundas raízes africanas, desde os blocos de samba até a presença de ritmos afro-brasileiros nos desfiles das escolas de samba.
• Festas religiosas e populares, como o Dia de Reis, têm elementos da cultura africana incorporados.
Além de contribuições culturais, o povo negro tem desempenhado papel crucial na luta por justiça social e igualdade no Brasil. Movimentos como o Movimento Negro Unificado (MNU) e as ocupações de espaços acadêmicos e artísticos por pessoas negras mostram que a contribuição vai além da cultura e se estende à construção de um país mais justo.
A riqueza cultural herdada do povo negro é um dos pilares da diversidade brasileira, sendo uma fonte de orgulho e de reflexões sobre a igualdade racial.
Ao longo da história, muitos personagens negros desempenharam papéis fundamentais na luta por liberdade, igualdade e justiça, além de contribuírem significativamente para a ciência, a cultura e a política mundial. Aqui estão alguns dos mais importantes:
• Zumbi dos Palmares (1655-1695)
Líder do Quilombo dos Palmares, no Brasil, Zumbi simboliza a resistência contra a escravidão e a luta pela liberdade.
• Harriet Tubman (1822-1913)
Ex-escravizada americana, Harriet foi uma figura chave na libertação de centenas de escravizados por meio da “Underground Railroad” e uma ativista pelos direitos das mulheres.
• Nelson Mandela (1918-2013)
Líder sul-africano que lutou contra o apartheid, passou 27 anos preso e se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul em 1994, além de ganhar o Prêmio Nobel da Paz em 1993.
• Malcolm X (1925-1965)
Líder ativista americano que lutou pelos direitos dos afro-americanos e foi uma das figuras centrais do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos.
• Rosa Parks (1913-2005)
Ativista americana que, ao se recusar a ceder seu lugar no ônibus para uma pessoa branca, deu início a um movimento que impulsionou a luta pelos direitos civis nos EUA.
• George Washington Carver (1864-1943)
Cientista e inventor afro-americano que revolucionou a agricultura nos Estados Unidos ao desenvolver centenas de usos para o amendoim e outros produtos agrícolas.
• Katherine Johnson (1918-2020)
Matemática e física americana foram essencial para o sucesso das missões espaciais da NASA, incluindo o primeiro voo tripulado à Lua.
• Mae Jemison (1956-)
Médica, engenheira e a primeira mulher negra a viajar ao espaço, a bordo da missão STS-47 em 1992.
• Machado de Assis (1839-1908)
Escritor brasileiro considerado um dos maiores autores da literatura mundial. Fundador da Academia Brasileira de Letras e autor de clássicos como Dom Casmurro.
• Josephine Baker (1906-1975)
Artista afro-americana que se tornou um ícone cultural na França e uma ativista pelos direitos civis nos EUA.
• James Baldwin (1924-1987)
Escritor e ativista americano, autor de obras que exploram questões raciais e sociais, como Go Tell It on the Mountain.
• Nina Simone (1933-2003)
Cantora, compositora e ativista americana, cuja música se tornou um símbolo da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.
Na próxima coluna falarei de importantes personagens da cultura negra na história antiga, como Cleópatra, por exemplo. Sim ela era negra. Aguardem.
Tem pauta para cultura? Envie para welbertonha@gmail.com
Welber Tonhá e Silva
Imortal da Academia Divinopolitana de Letras, cadeira nº 09
Imortal da Academia de Letras e Artes Luso-Suiça em Genebra, cadeira nº C186
Membro da Academia Mineira de Belas Artes
Historiador, escritor, pesquisador, fotógrafo e fazedor cultural.
Instagram: @welbertonha
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