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A Cultura da música na vida do brasileiro

Por Bruno
A Cultura da música na vida do brasileiro

Fim de ano e o Spotify me entrega, em sua retrospectiva, o que eu mais ouvi, e para surpresa de muitos, o artista que foi Roberto Carlos. Sério. Sou fã das letras do Roberto, minha saudosa avó Terezinha, com quem vivi somente até os 8 anos, me deixou essa herança, ela era fã dele e sempre que o ouço, me lembro dela, com exceção da música Lady Laura que me remete a minha saudosa mãe.  

Ouvi este ano muito mais música nacional, e meu estilo preferido é o Rock, (que cabe uma coluna só para ele). 

Então resolvi escrever sobre o tema, e hoje vou falar da música de um modo geral.

A música tem desempenhado um papel essencial na vida do brasileiro desde o período imperial, refletindo a diversidade cultural do país e sua evolução histórica. Desde os tempos do Brasil Império (1822–1889), a música foi um importante veículo de expressão, identidade e transformação social. 

Brasil Império (1822–1889)

Música erudita e influências europeias: Durante o Império, a corte portuguesa trouxe ao Brasil uma forte influência da música clássica europeia. Dom Pedro I era um compositor talentoso e incentivava apresentações de óperas e peças clássicas. O Teatro São João, no Rio de Janeiro, era um dos grandes centros culturais.

Primeiras manifestações populares: Paralelamente, a música popular começava a se desenvolver com influências africanas, indígenas e europeias. Ritmos como o lundu, de origem africana, misturaram-se com danças europeias, como a modinha e o fado.

A modinha: Gênero musical popular entre a elite, era marcado por letras sentimentais e performances com acompanhamento de piano ou violão.

Final do século XIX e início do século XX

Surgimento do choro: No final do século XIX, o choro emergiu como o primeiro gênero musical urbano do Brasil, fruto da fusão de polcas e valsas europeias com a ginga africana. Pixinguinha seria um de seus maiores expoentes no século XX.

Influência dos escravizados: A cultura africana trouxe elementos como o batuque, que influenciou diretamente o samba e outros gêneros populares. Os ritmos e as danças eram expressões de resistência cultural e identidade.

República Velha (1889–1930)

Consolidação do samba: No início do século XX, o samba se tornou o principal símbolo musical do Brasil, nascido nas comunidades afro-brasileiras do Rio de Janeiro. Ele começou com o samba de roda na Bahia e evoluiu para o samba urbano, com grandes nomes como Donga e Tia Ciata.

Carnaval e música: O Carnaval tornou-se um evento de grande importância cultural, com as escolas de samba consolidando o gênero como um elemento central da identidade brasileira.

Era Vargas e Rádio (1930–1945)

A “Era de Ouro” da música brasileira: O rádio popularizou a música no Brasil, trazendo ao público artistas como Carmen Miranda, Francisco Alves e Noel Rosa. O samba-canção e as marchinhas dominaram as ondas do rádio e os carnavais.

Música como ferramenta política: Durante o governo Vargas, a música foi utilizada para construir uma identidade nacional, exaltando elementos como o samba e a diversidade cultural.

Décadas de 1950 e 1960

Bossa nova: A bossa nova, com artistas como João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, levou a música brasileira para o cenário internacional. Com sua mistura de samba e jazz, tornou-se sinônimo de sofisticação.

Movimentos de resistência: A música popular brasileira (MPB) surgiu como um espaço para a crítica social e política, com artistas como Chico Buarque, Elis Regina e Caetano Veloso usando sua arte para resistir à ditadura militar (1964–1985).

Décadas de 1970 e 1980

Diversificação musical: A música brasileira viu o surgimento de gêneros como o tropicalismo, que misturava elementos tradicionais e modernos, e o rock nacional, com bandas como Legião Urbana e Titãs.

Samba e resistência: O samba continuou como símbolo cultural, com artistas como Clara Nunes e Martinho da Vila mantendo viva a tradição e adaptando-a ao novo contexto social.

Anos 1990 em diante

Axé, pagode e sertanejo: Gêneros populares como o axé (Ivete Sangalo), o pagode (Grupo Revelação) e o sertanejo (Zezé Di Camargo & Luciano) dominaram as paradas e consolidaram-se como fenômenos nacionais.

Funk e periferia: O funk carioca tornou-se uma expressão cultural das periferias urbanas, abordando questões sociais, festas e a realidade dos jovens brasileiros.

Globalização da música brasileira: Gêneros como o forró, o baião e o brega também se adaptaram aos novos tempos, ganhando espaço no cenário nacional e internacional.

A música no Brasil sempre foi mais do que entretenimento: ela é uma expressão cultural e uma ferramenta de resistência e união. Desde os tempos do Império, ela reflete a riqueza cultural e as transformações sociais do país, adaptando-se às mudanças e reafirmando sua importância na identidade brasileira.

Divinópolis é um celeiro musical, eu já escrevi uma coluna sobre isso, com o tema “A Música está no ar”.

E você, qual sua música preferida?

 welbertonha@gmail.com

Welber Tonhá e Silva 

Imortal da Academia Divinopolitana de Letras, cadeira nº 09

Imortal da Academia de Letras e Artes Luso-Suiça em Genebra, cadeira nº C186

Membro da Academia Mineira de Belas Artes

Historiador, escritor, pesquisador, fotógrafo e fazedor cultural.

Instagram: @welbertonha

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