Acusado de matar companheiro de cela será julgado por júri em julho

Da Redação
“Meu nome é Jorge. Não sei meu nome completo não”. Assim se apresentou ao exame de sanidade mental, o detento Jorge Luiz dos Reis Germano, que também afirmou desconhecer sua idade e o ano que não nasceu: “Tô falando a verdade. Acredita se quiser”, acrescentou. Ele confessou ter matado seu companheiro de cela, Feliphe Gabriel da Silva, em 11 de março do ano passado. O julgamento está marcado para 29 de julho deste ano.
A assistente do Ministério Público entrou com uma ação de reparação de danos para a mãe da vítima. No documento, a defesa cita que o réu confesso admitiu a autoria do crime, tendo solicitado ser transferido para a cela da vítima para confrontá-lo. Após a briga, Jorge utilizou um lençol para estrangular Feliphe.
É mencionado, ainda, no depoimento de Jorge, onde é revelada a existência de uma dívida, o que motivou o crime.
— Matei. Safado tem que morrer — afirmou no depoimento.
Segundo ele, Feliphe “estava devendo” e, por isso, pediu para ser realocado de cela, com o intuito de cobrar. A defesa ressalta a “alta periculosidade diante da impulsividade, ausência de adesão a tratamento, uso de drogas e comportamentos agressivos e ilegais recorrentes”.
— A morte trágica e precoce de Feliphe Gabriel da Silva causou profundo sofrimento e dor à Requerente (mãe), configurando dano moral que merece reparação — ressalta a defesa no pedido de danos morais.
História
27 de setembro de 2024. Jorge chega sob escolta na seção de Psiquiatria e Psicologia Forense do Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte para o exame de sanidade mental. Na oportunidade, ele disse que foi incentivado a cometer o crime.
— Uai, mas não foi só eu não. O outro que tava na cela comigo ajudou a matar, ele foi até embora. Eu segurei o B.O. — relatou.
Ele também afirmou lamentar o ocorrido.
— Tô arrependido, matar os outros, quem tira vida é Deus. (...) Aconteceu que ele tava me devendo, não ia matar ele não, o cara ficou me cutucando lá pra eu matar ele, eu não mato ninguém não — pontuou.
Jorge também deu detalhes sobre seus problemas psicológicos, fazendo uso de remédios controlados.
— Eu sou revoltado da vida, ninguém gosta de mim não. Se eu não gostar de mim, quem vai gostar? (...) Eu ouço voz todo dia, fico vendo coisa, eu fico olhando ali, fecho o olho, não consigo dormir — afirma.
Em outro trecho, ele diz querer viver uma vida normal.
— Eu quero sair da cadeia, quero arrumar um serviço pra mim, trabalhar, comprar minha casa, eu tenho vontade, e pronto, morar dentro da minha casa, suave, sem amolação sem nada. Pode ser um serviço de servente, roçando pasto, tirando leite, qualquer coisa de serviço eu faço — ressalta.
Julgamento
A defesa de Jorge, no entanto, alega insanidade mental e dúvida quanto à autoria do crime.
O julgamento com a presença do júri está marcado para o dia 29 de julho deste ano.
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