Alimentação impulsiona comércio e aquece economia no fim de ano

Jorge Guimarães
Com a chegada das festas de Natal e Réveillon, o segmento da alimentação volta a ocupar papel central no aquecimento do comércio. Supermercados, bares e restaurantes registram aumento expressivo na procura por alimentos, bebidas e produtos típicos das ceias, movimentando toda a cadeia econômica e gerando impacto direto nas vendas, no emprego e na renda.
Supermercados
O crescimento é perceptível já nas primeiras semanas de dezembro. Itens como carnes especiais, aves, frutas, panetones, espumantes e produtos importados passaram a liderar as listas de compras dos consumidores. Para muitos, a tradição de reunir a família em torno da mesa faz com que o gasto com alimentação seja prioridade, mesmo em um cenário de atenção ao orçamento.
A auxiliar administrativa Ione Aparecida Silva, conta que se planeja ao longo do ano para garantir uma ceia farta.
— A gente segura em outras coisas, mas na comida não dá para economizar tanto. É um momento de reunir a família, então faço questão de comprar os pratos tradicionais, mesmo pesquisando bastante os preços — afirma.
Já o aposentado Carlos Henrique Rocha, destaca que o fim de ano traz um clima diferente ao comércio.
— Você percebe o movimento maior no supermercado, as pessoas mais animadas, carrinhos cheios. Eu costumo antecipar as compras para fugir dos preços mais altos, mas sempre acabo levando algo a mais — relata.
De acordo com o gerente de loja de rede de um supermercado, Sérgio Antônio de Oliveira, o aumento no fluxo de clientes chega a superar 30% em relação aos meses anteriores. Segundo ele, o período exige planejamento logístico e reforço nas equipes.
— O fim de ano é, sem dúvida, o mais importante para o setor. Trabalhamos com estoque reforçado, horários ampliados e contratações temporárias. Produtos sazonais chegam a dobrar ou triplicar as vendas — explica.
Sérgio ressalta ainda que, além da ceia, muitos consumidores aproveitam o pagamento do décimo terceiro salário para abastecer a despensa.
— Há um consumo maior não só dos itens festivos, mas também de produtos do dia a dia. Isso mantém o giro das mercadorias e beneficia fornecedores locais e regionais. Assim, esperamos um aumento em torno de 20% nas vendas em relação a igual período do ano passado — completa.
Restaurantes
No setor de bares e restaurantes, o cenário também é de expectativa positiva. Confraternizações empresariais, encontros entre amigos e comemorações familiares impulsionam reservas e elevam o faturamento. Para muitos estabelecimentos, dezembro representa uma das principais oportunidades de fechar o ano no azul.
O empresário do ramo de restaurantes, Rolando Meneses, afirma que a demanda cresce significativamente a partir da segunda quinzena do mês.
— As empresas fazem confraternizações, as famílias optam por sair para comemorar e há uma procura grande por encomendas de ceias prontas. É um período intenso, mas extremamente positivo para o setor — pontua.
Segundo Meneses, o aumento do movimento também gera mais empregos temporários.
— Precisamos contratar garçons extras, reforçar a cozinha. Isso gera renda e movimenta a economia local — destaca.
Receita caseira
Para a empresária do setor gastronômico e trabalhadora autônoma, Renata Oliveira, o fim de ano é um período que exige criatividade, planejamento e atenção redobrada às mudanças no comportamento do consumidor. Segundo ela, as festas de Natal e Réveillon representam uma das principais oportunidades do ano para o segmento, mas também trazem desafios que precisam ser administrados com estratégia.
Renata destaca que o consumidor está mais criterioso na hora de gastar, o que exige dos empreendedores soluções criativas para manter as vendas aquecidas.
— As pessoas estão pesquisando mais, comparando preços e buscando qualidade. Por isso, é fundamental oferecer cardápios variados, opções que se encaixem em diferentes orçamentos e promoções bem planejadas — afirma.
Planejamento
De acordo com a empresária, o planejamento antecipado é essencial para evitar desperdícios e garantir rentabilidade.
— É preciso organizar compras, calcular bem os custos e se preparar para o aumento da demanda, seja com encomendas de ceias, pratos especiais ou atendimento diferenciado. Quem deixa para a última hora corre o risco de perder vendas ou comprometer o resultado — ressalta.
Ela acrescenta que, além da questão financeira, o período também pede inovação.
— O fim de ano é um momento de celebração, e o cliente busca algo especial. Apresentação dos pratos, combinações diferenciadas e até a forma de atendimento fazem diferença na decisão de compra e também para fidelizar clientes para o próximo ano e para outras datas sazonais — avalia.
Papel fundamental
Para Rolando o aquecimento do segmento alimentício no fim de ano é fundamental para o desempenho do comércio como um todo. Além de responder por uma parcela significativa do orçamento das famílias, o setor gera empregos diretos e indiretos, impulsiona a indústria e fortalece os serviços.
— Com a combinação de tradição, confraternização e maior circulação de renda, a alimentação se consolida como um dos principais motores do comércio no fim de ano, período mais aquecido do calendário comercial — finaliza o empresário.
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