Véspera de Natal agita comércio e supermercados

Jorge Guimarães
Na antevéspera do Natal, o Centro da cidade voltou a registrar um cenário já conhecido pelos comerciantes e consumidores: lojas cheias, calçadas tomadas por pedestres, vitrines disputando a atenção do público e uma correria intensa ao longo de todo o dia. Desde as primeiras horas da manhã de ontem, o vai e vem de pessoas evidenciou que, mais uma vez, as compras de última hora marcaram o clima natalino, reforçando uma tradição que se repete ano após ano.
Todos segmentos
O fluxo intenso foi observado em praticamente todos os setores do comércio. Lojas de vestuário, calçados, perfumarias, eletrônicos e utilidades domésticas concentraram grande parte da demanda, impulsionadas principalmente por consumidores que deixaram para os últimos dias a missão de completar a lista de presentes. Com sacolas nas mãos e pouco tempo disponível, muitos percorriam as ruas centrais em ritmo acelerado, tentando aproveitar as últimas oportunidades antes do fechamento das lojas.
Falta de tempo
Para boa parte dos consumidores, a falta de tempo foi o principal fator que levou ao adiamento das compras. A rotina intensa de trabalho, os compromissos familiares e a dificuldade de conciliar horários ao longo do ano acabaram empurrando as decisões para a reta final.
— Eu até tentei me organizar, mas o dia a dia não deixou. Quando vi, o Natal já estava aí. Agora estou correndo para comprar o presente dos sobrinhos e fechar a lista — contou a auxiliar administrativa Carla Mendes, que circulava entre as lojas no meio da manhã.
Situação semelhante foi relatada pelo vendedor autônomo Marcos Vinícius, que aproveitou o horário de folga para resolver as pendências.
— Durante a semana fica impossível. Trabalho o dia inteiro e só consegui sair agora. Vim direto para o Centro, porque aqui tem mais opções e dá para resolver tudo de uma vez, mesmo com a correria — disse.
Para ele, apesar do movimento intenso, o clima natalino ainda é um estímulo.
— É cansativo, mas também é gostoso ver a cidade cheia e as pessoas animadas — completou.
Praticidade
Entre os corredores improvisados nas calçadas e o interior das lojas, o comportamento do consumidor revelou uma busca por praticidade. Muitos optaram por presentes considerados mais seguros, como roupas, calçados e perfumes, evitando longas pesquisas de preço.
— Agora é mais no impulso mesmo. A gente entra, vê algo que agrade e já leva, porque não dá tempo de ficar rodando muito — afirmou a estudante Júlia Ferreira, que fazia compras para os pais e irmãos.
Expectativa
Do lado dos empresários, a expectativa com o movimento das últimas horas é positiva, especialmente em função do horário estendido adotado pelo comércio. Para muitos lojistas, a véspera de Natal concentra uma parcela significativa do faturamento do mês, compensando períodos de menor movimento ao longo do ano.
— A gente se prepara sabendo que o consumidor deixa tudo para a última hora. Ontem o fluxo foi intenso o dia inteiro e a expectativa é de que hoje até o fechamento as vendas continuem fortes — avaliou o empresário do setor de confecções, Renato Almeida.
Segundo ele, o horário ampliado é fundamental para atender quem só consegue sair após o expediente.
— Muita gente chega no fim da tarde ou à noite. Se não fosse o horário estendido, perderíamos muitas vendas. É cansativo para a equipe, mas necessário — ressaltou.
A loja reforçou o quadro de funcionários e o estoque para dar conta da demanda nesta época.
No setor de calçados, a movimentação também foi considerada acima da média. A comerciante Patrícia Lopes destacou que, além do volume de pessoas, o ticket médio se manteve estável.
— O cliente vem decidido a comprar. Mesmo quem reclama de preço acaba levando, porque sabe que não pode deixar para depois. Natal não espera — afirmou.
Ela acredita que as últimas horas, de hoje, antes do fechamento ainda devem registrar boas vendas.
— Sempre tem aquele cliente que chega faltando poucos minutos, mas querendo resolver tudo — disse.
Desafios
Apesar do cenário positivo, alguns empresários destacaram os desafios de atender um público apressado e, muitas vezes, indeciso.
— É um equilíbrio entre rapidez e bom atendimento. O consumidor está com pressa, mas também quer atenção. Nossa equipe está preparada para isso — comentou.
Outros segmentos
O movimento intenso também impactou outros setores do Centro, como estacionamentos, lanchonetes e cafeterias, que aproveitaram o aumento da circulação de pessoas.
— Quem vem comprar acaba parando para um lanche ou café. Ontem foi um dia atípico, muito acima do normal — relatou Andréa Silva, proprietária de uma cafeteria localizada em uma das principais vias comerciais.
Supermercados
Nos supermercados, o cenário registrado ontem também foi de intenso movimento, com corredores cheios, filas nos caixas e consumidores apressados para garantir os últimos itens da ceia e das confraternizações de Natal. Desde as primeiras horas do dia, as lojas receberam um grande fluxo de clientes, realidade que, segundo a gerência, deve se repetir ao longo de hoje, véspera da data mais aguardada do ano.
De acordo com o gerente Sérgio Antônio de Oliveira, o aumento na movimentação já era esperado e faz parte do comportamento típico do consumidor neste período.
— O Natal sempre concentra muitas compras de última hora. Mesmo com campanhas e ofertas antecipadas, muita gente deixa para os dias finais. Ontem, tivemos um fluxo intenso do começo ao fim do expediente, e a expectativa é de que hoje seja ainda mais forte — afirmou.
Ainda segundo Sérgio, os itens mais procurados continuam sendo os tradicionais da ceia natalina, como carnes, aves, bebidas, panetones, frutas e ingredientes para sobremesas.
Apesar do movimento intenso, ela afirma que prefere não deixar faltar nada.
— Natal é uma data especial, não dá para improvisar demais — completou.
Já a estudante Ana Paula Ribeiro destacou que aproveitou o supermercado para resolver várias pendências de uma vez.
— Além da ceia, comprei algumas lembranças e itens para o almoço em família. Está cheio, mas o atendimento está rápido — observou.
Setor alimentício
Com a proximidade da ceia, os supermercados seguem como um dos principais pontos de concentração de consumidores, refletindo a tradição das compras de última hora e a importância do setor alimentício no aquecimento da economia neste período de fim de ano.
Hoje, a expectativa é de que o fluxo continue elevado, segundo o economista Lazaro Ribeiro, mantendo a tradição das compras feitas sob pressão do relógio.
— Em meio à correria, o espírito natalino ainda se faz presente, seja na busca pelo presente ideal ou na confiança de que as últimas horas podem fazer a diferença para o comércio local — finaliza o profissional.
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