Ao quadrado

Tornou-se comum ver, por todos os lados, propagandas de governos, seja federal, estadual, ou municipal, com cidades lindas, índices encantadores, tudo nos eixos e desenvolvimento a todo vapor. Mas, a verdade é que desligou a TV, bloqueou a tela do celular, fechou o jornal, ou desligou o rádio, a realidade bate à porta com toda força. Quem entra nas redes sociais do Governo do Estado de Minas Gerais ou até mesmo do governador Romeu Zema (Novo), acredita piamente, de olhos fechados, que tudo está às mil maravilhas. Basta fechar tudo isso, andar pelas repartições do Estado, para ver que a coisa não é bem assim. O que mais chama a atenção nisso tudo nem é o fato – já abordado neste espaço – do quanto o brasileiro ama ser iludido e acreditar cegamente que agora sim “foi”, mas é o fato de que os representantes não têm sequer vergonha de mentir na cara do povo. Tudo em nome do marketing perfeito. Ao mesmo tempo em que o Governo de Minas anuncia em seu site, suas redes as melhorias que estão sendo feitas no Estado, os servidores públicos estão brigando para ter um reajuste que cubra no mínimo a inflação do ano anterior.
Em tempos de fake news, de desinformação, de extremismo, e de ignorância espalhada aos quatro cantos, é imprescindível falar sobre a importância do reajuste salarial, e sobre a covardia que vem sendo feita com o funcionalismo. Há cerca de 15 dias, a população acompanhou o imbróglio entre seguranças de Zema e de policiais militares que lutavam por uma recomposição digna. E, se a situação estava “quente” do lado de fora, publicamente no Centro de Belo Horizonte, dá para se imaginar o que estava acontecendo nos bastidores da política. Foi só depois de muita, mas muita pressão, que o governador enfim anunciou que iria passar o reajuste salarial dos servidores de 3,62% para 4,62%, cobrindo então a inflação de 2023, não fazendo mais do que a sua obrigação como representante eleito pelo povo. A situação vai de encontro a velho discurso, já até enraizado no Brasil, de que o serviço público não funciona, e que supostamente por isso, o servidor não tem direito a “aumento”. De fato, em algumas ocasiões ele deixa a desejar sim. Porém, o que muita gente ignora é que se um serviço não funciona a culpa não é do funcionário, mas sim do gestor (presidente, governador ou prefeito), que não cumpre com sua função que é a de garantir políticas públicas ao povo.
Isso transforma os governantes em amadores “ao quadrado”, afinal, além de não conseguirem garantir estruturas que funcionem com eficiência para atendimento à população, não conseguem sequer conceder aos servidores o que lhes é de direito, e o pior, não assumem suas responsabilidades. E, apesar de ser desolador, ainda é possível tirar uma lição de tudo isso. Não idolatrar políticos. Afinal, se nem o básico eles cumprem, de ambos os lados, e sequer assumem suas obrigações, como se apaixonar, como seguir iludido, acreditando piamente que “agora foi”. A verdade é que não foi, e que o amadorismo por aqui é ao quadrado, é em dobro, basta fechar a tela do celular.
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