Após Gleidson e Gleide, Lohanna e Eduardo pressionam Estado pelo Hospital Regional

Lucas Maciel
A situação do Hospital Regional Divino Espírito Santo, em Divinópolis, tem registrado novidades importantes dia após dia, e a novidade mais recente é a união de dois parlamentares historicamente de lados opostos: a deputada Lohanna França (PV) e o deputado Eduardo Azevedo (PL). Conhecidos por embates de tempos, ambos agora convergem em uma pauta comum: retirar o hospital do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas do Estado (Propag) e viabilizar sua doação à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).
Essa nova mobilização se soma a um movimento anterior, quando o prefeito Gleidson Azevedo (Novo) e a secretária nacional do PT, Gleide Andrade, também deixaram de lado diferenças políticas para articular apoio federal à obra. O encontro entre os dois resultou em uma agenda em Brasília, com reuniões junto a ministros e representantes da região.
Apesar dos esforços recentes, o hospital permanece como um projeto que se arrasta há mais de dez anos, marcado por atrasos, paralisações e disputas entre governos estaduais, federais e municipais. Embora a estrutura física esteja praticamente pronta, ainda dependem de ajustes, aquisição de equipamentos e formalização da gestão universitária para começar a operar.
União
Desde os tempos em que atuavam como vereadores em Divinópolis, Lohanna e Eduardo protagonizaram debates acalorados e divergências públicas. No entanto, nesta fase do HR, os dois estão do mesmo lado e buscam destravar a obra e garantir a doação do hospital à UFSJ, assegurando sua operação pelo SUS sob gestão da Ebserh.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Azevedo anunciou que apresentou uma emenda supressiva para retirar o hospital do Propag, além de protocolar um projeto de lei que autoriza formalmente a doação do imóvel à universidade.
— Excelente notícia para toda a população da região. O governador Zema já concordou com a retirada do hospital do Propag. O que depender do meu mandato, vamos trabalhar todos os dias para que o hospital se torne realidade — disse
Segundo ele, essas medidas são essenciais para que a unidade, já praticamente pronta, possa iniciar suas operações com atendimento de média e alta complexidade à população da região.
— Apresentei a emenda supressiva e o projeto de lei para que a doação seja definitiva. Agora é aguardar a boa vontade do governo de Minas e do governo federal para que possamos resolver de vez esse problema e colocar o hospital para funcionar — completou.
Pouco antes, Lohanna reforçou a mesma pauta na Comissão de Administração Pública da ALMG. Ela explicou que a permanência do hospital no Propag comprometeria o acordo formal de cooperação firmado entre o Estado, a UFSJ e a Ebserh, colocando em risco a instalação definitiva do hospital universitário.
— O governo do Estado já assumiu um acordo de cooperação com a Ebserh e com a UFSJ para viabilizar o funcionamento do Hospital Regional de Divinópolis. Nenhuma reunião ou esforço será suficiente se o hospital continuar no Propag. Precisamos garantir que essa estrutura sirva ao povo do Centro-Oeste, como foi planejado desde o início — afirmou.
Ainda segundo a deputada, o Estado se comprometeu a doar o hospital, mas agora tenta usá-lo para abater a dívida, o que passa uma impressão de má-fé.
— A gente sequer vai ter forças para fazer essa discussão com os deputados federais se essa transferência não for feita. É uma questão que impacta diretamente a saúde e a vida dos mais de R$ 2 milhões dos moradores da região Centro-Oeste, onde o Zema teve a maioria dos votos! — destacou.
Projetos
Entre os principais entraves que têm atrasado a entrega do Hospital Regional estão justamente a inclusão da unidade no Programa de Pleno Pagamento das Dívidas do Estado (Propag) e a falta de uma definição formal sobre a doação do imóvel à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Esses dois pontos são considerados decisivos para viabilizar o início das operações e o repasse da gestão à Ebserh, se tornaram foco das novas movimentações na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
A deputada Lohanna França (PV) já havia apresentado, no dia 8 de outubro, uma emenda supressiva que retira o Hospital Regional da lista de bens que poderiam ser transferidos à União dentro do Propag.
— A inclusão do hospital no Propag compromete a execução do acordo de cooperação e pode inviabilizar a instalação da unidade — disse a deputada.
Já no último dia 24, Lohanna protocolou o Projeto de Lei nº 4.690/2025, que autoriza formalmente o Estado a doar à UFSJ o imóvel onde o hospital foi construído. O projeto prevê que a doação permita que a unidade funcione sob gestão da Ebserh, garantindo custeio federal, atendimento pelo SUS e integração a atividades de ensino e pesquisa. Este projeto, inclusive, foi lido nesta quinta-feira, 30, e irá, agora, para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Os projetos da deputada têm caráter semelhante às propostas apresentadas pelo deputado Eduardo Azevedo. Por terem sido protocolados antes, os projetos de Lohanna serão lidos, enquanto os do parlamentar podem ser apensados, ou seja, anexados aos projetos.
Ida à Brasília
Antes da convergência entre Eduardo e Lohanna na Assembleia, outra aproximação incomum já havia chamado atenção: o encontro entre o prefeito Gleidson Azevedo (Novo) e a secretária nacional do PT, Gleide Andrade. Apesar das diferenças partidárias, os dois deixaram de lado divergências políticas para articular apoio federal à conclusão do Hospital Regional.
— Precisamos unir esforços para que o hospital comece a funcionar, independentemente de ideologias — afirmou Gleidson, durante reunião.
A articulação resultou em uma série de encontros em Brasília, realizados nesta quarta-feira, 29, envolvendo ministros do governo federal, prefeitos da região, representantes da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e coordenadores do Cis-Urg Oeste. O objetivo foi reforçar a mobilização política e administrativa, garantindo uma pressão para que o Estado cumpra sua parte no acordo.
Entre os avanços anunciados, o ministro da Educação, Camilo Santana, garantiu, após os encontros, que a reunião foi produtiva e a tendência é que a unidade comece a funcionar mais rapidamente.
— Conversamos hoje inclusive por telefone com o governador Zema, e a gente espera, em breve, inaugurar e colocar para funcionar o nosso hospital universitário — disse o ministro.
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