“Não é fácil, mas tem vida além do câncer”: relata paciente em remissão

Da Redação
Aos 42 anos, Nivalda Adriana dos Santos recebeu um diagnóstico que mudaria completamente sua rotina. O câncer de mama foi descoberto por acaso, em um momento comum do dia, e deu início a um longo processo de tratamento, incertezas e aprendizado. Hoje, aos 50 anos, ela está em remissão e relata sua experiência ao Agora como forma de alerta sobre a importância do diagnóstico precoce.
A trajetória de Nivalda começou de forma inesperada. Deitada, ela percebeu algo diferente ao tocar o próprio corpo. O que parecia ser uma simples alteração acabou se tornando o início de uma jornada longa e desafiadora, marcada por medo, aprendizado e superação.
— Eu estava deitada, coloquei a mão sobre a mama e senti um caroço bem duro. De imediato, eu não pensei que fosse câncer. Achei que fosse uma glândula ou algo inflamado. Esperei passar uns dez dias, mas continuou, e foi aí que procurei ajuda no PSF — recorda.
Na unidade de saúde, a enfermeira identificou que o caso merecia atenção e encaminhou a paciente para um mastologista. O resultado da biópsia confirmou o diagnóstico de carcinoma mamário.
— Eu não acreditava. Ainda tinha esperança de ser um nódulo benigno ou algo inflamatório. Eu só fui cair na real na hora que vi o laudo da biópsia aberto. Eu me vi sem chão. Parece que se abriu um buraco e eu não tinha nada para me segurar. É uma sensação horrível— reviveu.
Tratamento
O resultado da biópsia marcou o início de uma fase difícil. Sem muito conhecimento sobre o tema, Nivalda acreditava que a cirurgia seria o fim do tratamento, mas logo descobriu que o processo exigiria meses de cuidados intensos. Ela foi submetida a quatro sessões de quimioterapia, 20 de radioterapia e um longo acompanhamento médico.
— O tratamento é desgastante, é cansativo. É uma prova de vida — resume.
Entre a cirurgia e as terapias complementares, foram cerca de dez meses de enfrentamento.
Recuperação
Atualmente, ela está em remissão e continua apenas com o acompanhamento oncológico. A paciente, que recebeu alta da mastologia e da ginecologia, não apresenta recidiva da doença.
— Cada dia que se amanhece vivo é mais um presente que Deus nos dá. Não é fácil, é uma caminhada aruda, mas estamos aí — afirma.
Divinópolis
O Hospital do Câncer de Divinópolis mantém uma ampla rede de atendimento a pacientes em tratamento oncológico. Atualmente, o hospital possui 12.873 pacientes em acompanhamento nas especialidades de radioterapia, quimioterapia e ambulatório de cirurgia oncológica. Somente em 2025, foram realizados 2.488 atendimentos de consultas de mastologia e mamografias, além de 511 cirurgias oncológicas e mastologias no último ano.
Nos últimos doze meses, 3.274 pacientes com câncer de mama foram atendidos, sendo 3.260 mulheres e 14 homens.
A Associação de Combate ao Câncer do Centro-Oeste de Minas (Acom) tem papel essencial no diagnóstico precoce do câncer de mama, especialmente por meio da realização de mamografias. O agendamento dos exames é feito exclusivamente pela Secretaria Municipal de Saúde, por meio do sistema Viver, que centraliza e regula o acesso.
A instituição disponibiliza 24 vagas diárias, sendo 12 no período da manhã e 12 à tard. A agenda é aberta mensalmente. De acordo com a Acom, não há fila de espera interna. As vagas são disponibilizadas mensalmente, e os pacientes geralmente conseguem atendimento ainda no mesmo mês em que procuram, de acordo com a disponibilidade registrada pela Secretaria.
Nos casos em que o exame é classificado como BI-RADS acima de 4, indicando alterações suspeitas, a paciente é encaminhada imediatamente para avaliação no Centro Oncológico da Associação. Lá, o médico pode solicitar exames complementares, como biópsia ou ultrassonografia de mamas, ou direcionar o caso à Secretaria de Saúde para regulação junto ao Hospital do Câncer. O processo evita que a paciente precise retornar à unidade básica apenas para apresentar o resultado e assegurar agilidade no cuidado especializado.
De janeiro a setembro de 2025, a Acom realizou 4.629 mamografias em pacientes de Divinópolis. No mesmo período de 2024, foram 4.557 exames, demonstrando estabilidade e manutenção do volume de atendimentos.
Esses números reforçam o papel da instituição na identificação precoce de alterações mamárias e no encaminhamento adequado das pacientes dentro da rede de saúde.
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