Gleidson e Gleide se unem por Hospital Regional: ‘Chega de palanque político’

Lucas Maciel
A situação do Hospital Regional Divino Espírito Santo, em Divinópolis, ganhou um novo capítulo na última semana, com o encontro entre o prefeito Gleidson Azevedo (Novo) e a secretária nacional de Planejamento e Finanças do PT, Gleide Andrade. A reunião teve como foco discutir os entraves que ainda impedem a conclusão da obra e buscar apoio do governo federal para a entrega do hospital, considerado essencial para a estrutura de saúde da região.
O encontro, que também contou com a participação de representantes da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), da direção do curso de Medicina, e do vereador Vitor Costa (PT), definiu uma agenda conjunta em Brasília, com visitas a ministérios e órgãos federais ligados à saúde e ao planejamento, com o objetivo de garantir recursos e destravar pendências técnicas que ainda impedem a conclusão do projeto.
A entrega do prédio, que chegou a ser prometida para setembro deste ano pelo secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, segue em andamento e deve ser concluída apenas no fim de 2025. A previsão mais recente indica que a operação da unidade será iniciada de forma parcial em 2026, segundo a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Entenda
A reunião entre Gleidson Azevedo e Gleide Andrade marcou um raro momento de aproximação entre lideranças de campos políticos opostos em torno de uma mesma pauta: tirar o Hospital Regional do campo das promessas. O encontro, realizado em Divinópolis, resultou na definição dos próximos passos em busca de acelerar os trâmites para a conclusão das obras.
— Nós fizemos uma boa reunião aqui agora, levantamos todos os problemas, e nós vamos, então, sair daqui com uma agenda de grande procura, em Brasília, com os ministérios envolvidos, para que a gente possa botar um ponto final nisso — afirmou Gleide Andrade.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a dirigente nacional do PT destacou que a reunião representou um passo concreto para transformar em ação uma pauta que há anos se arrasta entre promessas e adiamentos.
Segundo ela, o encontro foi resultado de um esforço conjunto entre diferentes instituições e lideranças políticas da região, que decidiram unir forças em torno de um objetivo comum.
— Esse é um sonho que nos une: ver o hospital pronto, funcionando 100% pelo SUS, atendendo Divinópolis e toda a região Centro-Oeste — disse.
Ao Agora, Gleide informou que já tomou as primeiras providências e trabalha no fechamento de agendas para a próxima semana.
Executivo
Gleidson Azevedo, que havia cobrado recentemente uma postura mais efetiva do governo federal em relação ao HR, agradeceu a resposta rápida da secretária. Para ele, o diálogo aberto e a disposição de buscar soluções conjuntas representam um avanço diante de anos de impasse.
— Assim que falei na rádio, a Gleide me ligou imediatamente pedindo esse encontro. Aqui não tem direita nem esquerda, queremos ver o hospital funcionando — declarou o prefeito.
Gleidson reforçou ainda o apelo para que outras lideranças municipais participem das tratativas em Brasília, em busca de uma mobilização regional pela conclusão do projeto. O prefeito defendeu que a união dos municípios pode ajudar a pressionar por soluções mais rápidas.
— Quero convidar todos os prefeitos que queiram participar dessa reunião. Tenho certeza de que, junto aos ministérios, poderemos ser recebidos para discutir o que falta e resolver — completou.
União
Em outro vídeo, divulgado após o encontro, o prefeito voltou a falar sobre o tema e destacou a importância de superar as divisões políticas em prol do interesse coletivo. Ele afirmou que a conclusão do hospital deve ser tratada como prioridade independentemente de ideologias ou disputas partidárias.
— Eu sou um prefeito de direita, mas o que eu depender para ver aquele hospital funcionando, eu vou fazer. O hospital regional não é de direita nem de esquerda, ele é do povo — afirmou.
O chefe do Executivo também criticou o extremismo político e reforçou que a população não pode continuar sofrendo com a falta de leitos e a superlotação da UPA.
— O extremismo não leva a lugar nenhum. O que o povo quer é dignidade e saúde — destacou.
UFSJ
A Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) também se manifestou sobre a situação, cobrando uma definição do governo de Minas Gerais para dar continuidade ao projeto. Em vídeo publicado nas redes sociais, a instituição informou que as estruturas físicas estão praticamente prontas para iniciar a gestão universitária, mas a formalização depende da doação do hospital pelo Estado.
— As obras estão sendo finalizadas. Nós dependemos da doação do hospital por parte do governador Romeu Zema. Aguardamos a decisão dele em encaminhar o projeto para a Assembleia Legislativa de Minas, com a qual já conversamos e que também deu aval para que essa doação aconteça — afirmou o reitor da UFSJ, Marcelo Andrade.
A diretora do Centro de Ciências da Saúde (CCO), Érica Santos, reforçou o empenho da universidade em assumir a gestão da unidade.
— Estamos prontos. O que precisamos nesse momento é desse instrumento que concretize a doação do hospital à UFSJ, para que possamos dar andamento à contratação da Ebserh e ser definitivamente um hospital universitário — explicou.
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