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Após polêmica em entrevista, Cleitinho pede perdão e diz que gratidão a Bolsonaro ‘será eterna’

Após polêmica em entrevista, Cleitinho pede perdão e diz que gratidão a Bolsonaro ‘será eterna’

Da Redação

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) publicou um vídeo nas redes sociais para se retratar após a repercussão de declarações dadas durante entrevista à Rádio Auriverde, na última sexta-feira, 17. Na ocasião, o parlamentar afirmou que sua gratidão era pessoalmente ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e não à sua família ou aos seus apoiadores, e disse que “já pagou” essa gratidão ao apoiá-lo nas eleições de 2022. As declarações provocaram críticas entre bolsonaristas e levaram o senador a pedir desculpas publicamente.

Entrevista 

Durante a entrevista, Cleitinho foi questionado se apoiaria o candidato que Bolsonaro decidir apoiar nas próximas eleições presidenciais. O senador respondeu que seu apoio dependeria do nome indicado e de uma concordância de ideias.

— Dependendo de quem for o candidato, eu não vou apoiar. Depende. Se eu não concordar, se eu achar que não tô com os mesmos pensamentos que esse candidato que Bolsonaro for apoiar, eu não tenho que apoiar. Eu tenho gratidão com Bolsonaro. Não é com a família dele, com os filhos dele, com os apoiadores. Minha gratidão é com ele. Mas é uma gratidão que eu também já paguei e pago, apoiando ele em 2022, votando nele — disse.

Ao ser questionado sobre possíveis nomes da direita, o senador declarou que não apoiaria Eduardo Bolsonaro, justificando que o deputado ‘não está no Brasil’.

— Não apoio. Ele não está aqui no Brasil. Como é que eu vou apoiar um candidato que não está aqui no Brasil? Respeito ele, entendo a situação dele também. Eu não estou aqui pra julgar, mas ele não está no Brasil. Eu não tenho como apoiar ele. Nada contra a pessoa dele, não apoio — afirmou.

Cleitinho citou que apoiaria Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, e Ratinho Junior, do Paraná, mas não Romeu Zema, governador de Minas Gerais. Sobre Michelle Bolsonaro, afirmou que ela é um bom nome, mas defendeu que deveria disputar uma vaga no Senado.

— Eu acho que não deveria ser ela. Eu acho que ela é um bom nome, sim. Não deixa de ser um bom nome. Mas eu acho que ela deveria ser candidata à Senadora — declarou.

Reação nas redes

As falas do senador rapidamente repercutiram entre perfis bolsonaristas nas redes sociais. Influenciadores e apoiadores do ex-presidente comentaram as declarações. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) repostou em sua conta no X (antigo Twitter) uma publicação de uma seguidora que pedia aos eleitores bolsonaristas para não votarem em “políticos que não apoiam suas ações nos Estados Unidos em prol da liberdade”.

O post compartilhado por Eduardo também trazia um trecho da entrevista em que Cleitinho afirmou que não o apoiaria para a Presidência por ele “não estar no Brasil”.

Retratação pública

Diante da repercussão, Cleitinho publicou um vídeo em seu perfil no Instagram no qual procurou esclarecer as suas declarações e reafirmar sua gratidão a Bolsonaro. O senador afirmou que suas falas foram retiradas de contexto e interpretadas de maneira equivocada.

— Uma coisa que eu carrego na minha vida é sempre gratidão e lealdade. Eu sempre fui assim, desde pequeno, e quem estende a mão para mim, eu estendo duas e vou até morrer. Eles estão pegando parte de uma entrevista minha e querendo dizer que eu estou sendo ingrato e que abandonei o Bolsonaro — afirmou.

No vídeo, Cleitinho reproduziu um trecho da entrevista em que relatava sua gratidão ao ex-presidente. Ele explicou que, durante a campanha de 2022, enfrentou resistência dentro do partido para conseguir a vaga ao Senado, e que Bolsonaro interveio pessoalmente para garantir sua candidatura.

— Se não tivesse feito isso, hoje eu não estaria aqui. Primeiro Deus, depois o povo. Mas eu tenho que ser grato e reconhecer. Se não fosse o Bolsonaro, talvez eu não estaria dando entrevista pra vocês hoje. Eu tenho essa gratidão por ele e vou ter pro resto da vida — afirmou.

O senador destacou que, ao afirmar na entrevista que “pagou a gratidão”, sua intenção era expressar que continua sendo leal ao ex-presidente.

— Vocês querem interpretar como se eu tivesse falado que já paguei toda a gratidão que tenho pelo Bolsonaro. Eu quis dizer que eu paguei, pago e vou continuar pagando. É isso que eu quis dizer. E se essa forma que eu expressei foi equivocada e errada, o que eu tenho pra fazer aqui, como homem, é pedir desculpa — declarou.

Cleitinho também reforçou seu apoio contínuo ao ex-presidente e ao campo político da direita.

— Não é só pelas falas, não é só pelas ações. Peguem todo o meu mandato aqui nesses três anos. Eu sempre defendi a honra do Bolsonaro e vou continuar fazendo isso. Uma coisa que eu tenho na minha vida é gratidão, e a minha gratidão vai ser pro resto da vida com ele. Podem sempre contar comigo — disse. 

Pedido de perdão 

Além da retratação nas redes sociais, o senador levou o pedido de desculpas ao plenário do Senado. Durante discurso na sessão desta quarta-feira, 22, Cleitinho voltou a se manifestar sobre o caso e reforçou o pedido de perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

— Venho aqui hoje pedir perdão para o nosso querido ex-presidente Bolsonaro. Na minha entrevista, que eu dei sexta-feira agora, tiraram um pouco do contexto, também porque editaram uma parte toda da entrevista. Me equivoquei na hora de falar: eu penso uma coisa, falo outra e falo errado sobre a questão da gratidão. E a minha gratidão ao Bolsonaro, à população brasileira e, em especial, para toda a direita vai ser sempre eterna. Não tem preço que pague, gratidão não tem valor, e eu vou sempre pagar isso — declarou.

Contexto político

As declarações e o pedido de retratação acontecem em meio às especulações sobre a candidatura de Cleitinho ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada em agosto, o senador lidera as intenções de voto, com 28%, e aparece 12 pontos percentuais à frente do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), com 16%. 


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