Autor de projeto do IPTU critica exigências da Prefeitura para conceder benefício

Matheus Augusto
Apesar de já estar em vigor, nenhum cidadão conseguiu o benefício de pagar o valor da Cota Básica do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) por morar em local sem um dos pilares da infraestrutura. O projeto, do vereador Edson Sousa (PSD), foi aprovado no ano passado. A Prefeitura informou à reportagem que 14 pessoas solicitaram a revisão com base na lei, porém todos ainda estão em análise
Requisitos
Conforme o texto, são cinco pilares da infraestrutura para a cobrança do valor integral do IPTU:
- meio-fio ou calçamento, construído ou mantido pelo poder público com canalização de águas pluviais;
- abastecimento de água;
- sistema de esgoto sanitário;
- rede de iluminação pública, com ou sem posteamento, para distribuição domiciliar;
- escola primária ou posto de saúde, a uma distância máxima de três quilômetros do terreno ou imóvel construído considerado.
Caso o cidadão more em um local sem um desses requisitos, deverá pagar apenas o valor simbólico da Cota Básica. O benefício é restrito a imóvel de uso residencial, onde o contribuinte de fato mora.
Decreto
O Executivo publicou, neste mês, o Decreto 16.077/24 para regulamentar a lei. Assim, os contribuintes que se enquadram nos critérios do benefício devem protocolar um requerimento “informando qual ou quais melhoramento(s) se encontra(m) inexistente(s) na localidade de seu imóvel, com a finalidade de obter a revisão fiscal tributária”.
— Isso deverá ser feito, até 15 dias após a última data de vencimento do IPTU, para pagamento em parcela única — informou.
Crítica
Ao Agora, Edsom criticou o decreto.
— É brincadeira. Decreto não tem valor sobre uma lei — ressaltou.
Em sua avaliação, o texto é claro: as regiões sem os cinco pilares da infraestrutura devem pagar o valor simbólico da Cota Básica, de R$ 27. Segundo ele, cabe à própria Prefeitura manter o cadastro atualizado. Sua assessoria jurídica analisa a situação, que ele avalia ser uma afronta ao Código Tributário e ao Plano Diretor.
Para Edsom, trata-se de uma “política arrecadatória”.
— Temos um dos IPTU mais caros do Brasil — afirma.
Afastado após testar positivo para a covid-19, o vereador iniciará, na próxima semana, um trabalho de visita aos bairros para orientar a população sobre o direito ao benefício.
— O que o prefeito está fazendo com o pessoal dos bairros distantes é covardia política e arrecadatória — argumenta.
Votação
Na época, o autor celebrou a aprovação antes da Lei Orçamentária Anual (LOA), justamente para garantir a vigência neste ano. Ele ainda classificou o projeto como um marco da justiça social. Um dos objetivo indiretos era justamente incentivar as gestões municipais a investir em infraestrutura nos bairros.
O prefeito, ao devolver a proposta ao Legislativo, reconheceu “a importância social do projeto de lei, que pode favorecer moradores de localidades onde não existam todas as melhorias”.
— (...) em respeito à autonomia constitucional do Poder Legislativo, como legítimos representantes do povo, o Executivo deixará para ser promulgado pelo Poder Legislativo, o Projeto de Lei Complementar nº. 005/2023 — comunicou.
O mesmo foi promulgado, em agosto, pelo presidente da Câmara.
Foto: Divulgação
Vereador vê exigências como obstáculos à concessão do benefício
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