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Saúde

Casos de dengue crescem em Divinópolis e já ultrapassam 1.100 registros confirmados no ano

Casos de dengue crescem em Divinópolis e já ultrapassam 1.100 registros confirmados no ano

Lucas Maciel

A dengue é uma preocupação em todo o país, e em Divinópolis isso não é diferente. A cada ano, a cidade enfrenta o risco de surtos, especialmente durante o período das chuvas, quando o mosquito Aedes aegypti encontra condições ideais para se proliferar. Em 2025, a cidade voltou a ver um aumento nos casos da doença, com o número de notificações ultrapassando 2 mil e gerando alerta.

De acordo com o mais recente balanço divulgado pela Prefeitura, já são 2.038 casos notificados, com 1.158 confirmações e 133 hospitalizações. Além disso, cinco óbitos estão em investigação. Embora os registros ainda estejam abaixo do registrado em 2024, o avanço da doença preocupa pelas rápidas taxas de disseminação.

Números

O avanço da dengue em Divinópolis pode ser medido pelos números. Até terça-feira, 22, mais de 2 mil pessoas já tinham procurado atendimento com suspeita da doença, e 1.158 casos foram confirmados, conforme divulgado pelo Executivo. 

Além disso, 133 pessoas precisaram ser internadas, e cinco mortes estão sendo investigadas, o que acende um alerta para a gravidade da situação. A Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) também informou que 79 casos tiveram sinais de alerta — como vômitos constantes, dores fortes e manchas no corpo — e um caso foi considerado grave.

A faixa etária mais afetada pela dengue em Divinópolis está entre 20 a 29 anos, com 402 casos registrados, seguida pelos grupos de 30 a 39 anos, com 322 casos; e 40 a 49 anos, com 270 casos. No entanto, os dados mostram que a doença não poupa nenhuma faixa etária: desde bebês com menos de 1 ano até idosos com mais de 60 anos foram diagnosticados com a doença.

Os bairros com maior número de casos notificados são Bom Pastor, com 115 casos; Centro, com 106; Santa Rosa, com 78; Sagrada Família, com 54; e Porto Velho, com 50. 

Comparativo

Mesmo com o novo aumento registrado nas últimas semanas, os números da dengue em 2025 estão muito abaixo do que foi visto no ano passado, principalmente comparando os números atuais com os registrados no mesmo período de 2024, quando o número de notificações era de 9.658, com 7.104 confirmações.

Isso representa uma queda de 78,9% nas notificações e 83,7% nas confirmações da doença em comparação com o ano anterior. As internações também diminuíram: foram 133 em 2025, contra 339 em 2024, uma redução de 60,7%. Além disso, neste ano, nenhuma morte por dengue foi confirmada, enquanto em 2024 foram três óbitos registrados e nove ainda em investigação na época.

Queda

A tendência de queda não é exclusiva de Divinópolis. Em Minas Gerais, os dois primeiros meses de 2025 registraram 55.969 casos prováveis de dengue, contra 619.729 no mesmo período de 2024. Isso representa uma redução de 90,9% no número de casos no estado, segundo o Ministério da Saúde.

No cenário nacional, a redução também foi significativa. O Brasil registrou 493.403 casos prováveis de dengue entre janeiro e início de março de 2025 — 69,25% a menos do que os 1,6 milhão de casos registrados no mesmo período de 2024.

Apesar da considerável redução, a doença ainda causou 217 mortes confirmadas este ano, com 477 óbitos em investigação. 

Levantamento de focos

O primeiro Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) de 2025 mostrou que Divinópolis estava em alto risco de epidemia de dengue. O índice de infestação foi de 6,6%, bem acima do limite de segurança definido pelo Ministério da Saúde, que considera risco alto qualquer valor acima de 4%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 6 e 10 de janeiro, em 169 bairros, com 6.023 imóveis vistoriados. Do total de focos encontrados, 88% estavam dentro das casas e apenas 12% em lotes vagos.

Os principais criadouros foram objetos que acumulam água e podem ser eliminados facilmente: garrafas, pneus, plásticos e latas (42,8%), seguidos por vasos de plantas e bebedouros de animais (35%). Também foram encontrados focos em caixas d’água e tanques (9,9%).

Vacinação 

A vacinação contra a dengue segue em andamento em Divinópolis, mas ainda em ritmo lento. De acordo com dados repassados pela Prefeitura ao Agora, nos últimos 30 dias foram aplicadas apenas 85 doses do imunizante. Desse total, 10 foram primeiras doses (D1) e 75 correspondem à segunda dose (D2). A última remessa recebida pela cidade, no dia 7 de abril, foi destinada exclusivamente à aplicação da D2 em adolescentes de 6 a 16 anos.

Um balanço mais amplo, divulgado no início de fevereiro, mostra que 8.321 doses foram aplicadas desde o início da campanha na cidade. Do total, 5.518 pessoas receberam a primeira dose e 2.803 a segunda. No entanto, a adesão já era preocupante: 1.733 doses estavam em atraso, referentes a moradores que tomaram a D1 até 12 de novembro de 2024 e ainda não haviam retornado para completar o esquema vacinal.

Outras doenças

Além da dengue, a Secretaria de Saúde também está acompanhando casos de outras doenças transmitidas pelo mesmo mosquito. 

Até agora, foram registrados 46 casos suspeitos de Chikungunya, com 10 confirmações. Já o Zika vírus teve 3 casos suspeitos, mas nenhum foi confirmado.

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