Centro de acolhimento de animais opera no limite e faz apelo por adoções

Da Redação
O Centro de Acolhimento Transitório e Adoção (Cata), em Divinópolis, vive um cenário de superlotação e registra o maior número de animais já acolhidos desde a criação do espaço. Com a capacidade física esgotada, a equipe reforça a necessidade urgente de adoções responsáveis para garantir o funcionamento do serviço e permitir a continuidade dos resgates e dos atendimentos veterinários.
Atualmente, abriga 27 animais, sendo 18 cães adultos e 9 filhotes. Entre eles, alguns com cerca de quatro meses de idade e também cães mais velhos, como o Salsicha, o Chow Chow, com aproximadamente seis anos, e o Bob, que tem cerca de cinco anos. Todos aguardam uma família definitiva.
Criado para funcionar como um local temporário, o centro não atua como canil municipal. O acolhimento é destinado a cães e gatos em tratamento, que permanecem no local até estarem aptos à adoção ou à devolução assistida, conforme cada caso.
Limite
A lotação máxima do espaço já impacta diretamente a organização interna e a capacidade de resposta em situações emergenciais. Segundo a diretora de Cuidado Animal, Romilda Azevedo, as baias estão completamente ocupadas, o que exige medidas de contingência.
— Considerando que o Cata é um centro de acolhimento transitório, onde nós temos como foco a adoção, precisamos muito incentivar a adoção desses animais que estão aqui hoje. Todos os canis estão cheios ao ponto de tentarmos juntar mais animais por baia, para isso avaliamos o comportamento dos animais. Isso é importante uma vez que aproximamos de feriados prolongados e em caso de se resgates pelo Corpo de Bombeiros ou Polícia de Meio Ambiente as baias não podem estar lotadas — explica.
A proximidade de feriados prolongados aumenta a preocupação da equipe, já que resgates realizados por órgãos de segurança e fiscalização ambiental exigem disponibilidade imediata de espaço.
Fluxo comprometido
A permanência prolongada dos animais também interfere em outras frentes de atuação do centro, como as ações de controle populacional por meio da castração. A coordenadora da Proteção Animal, Edimara Martins, destaca que a limitação física impede a entrada de novos animais que chegam ao local exclusivamente para procedimentos cirúrgicos.
— Um cachorro que fica aqui durante um período muito grande, ocupa um espaço de um que vem para ser castrado, até mesmo para diminuir a quantidade de animais abandonados. Uma cadela, por exemplo, se ela vem para ser castrada, eu estou evitando que ela vá procriar na rua mais 10, 12 filhotes — ressalta.
O objetivo da equipe é reduzir o ciclo de abandono a partir de um fluxo contínuo entre acolhimento, recuperação, adoção ou devolução assistida.
Método CED
Entre as principais estratégias adotadas pelo Cata está o protocolo Captura, Esterilização e Devolução (CED) . O método humanitário consiste na captura segura de animais em situação de rua, especialmente em regiões com superpopulação ou denúncias de maus-tratos. Após a captura, os animais passam pela castração realizada por veterinários e permanecem no centro durante o período de recuperação.
Concluída essa etapa, os animais que já possuem território definido e adaptação ao ambiente são devolvidos ao local de origem. A devolução impede que novos animais ocupem aquele espaço e, com a esterilização, elimina o risco de reprodução descontrolada. O protocolo é reconhecido internacionalmente como uma das formas mais eficazes e humanitárias de controle populacional de animais de rua.
Ainda, segundo Edimara Martins, durante esse processo, a adoção segue sendo uma possibilidade.
— Nada impede que ele seja adotado. Se nesse processo, nesse tempo, aparecer alguém interessado em adoção, eles podem ser doados — afirma.
Impacto da adoção
A redução do número de animais nas ruas é apontada como um dos principais efeitos positivos das adoções. Para a gerente de Cuidado Animal, Letícia Alves Gonçalves, cada adoção tem reflexos diretos na dinâmica urbana e no trabalho desenvolvido pelo município.
— A adoção faz uma diferença para o município, principalmente em número de animais soltos na rua — destaca.
Com menos animais em situação de abandono, diminui também a demanda por recolhimentos emergenciais, atendimentos veterinários e denúncias relacionadas a maus-tratos.
Adoção
Pessoas interessadas em adotar um animal podem entrar em contato com o Cata pelo telefone (37) 3229-6829, via WhatsApp ou ligação, para agendar uma visita e conhecer os animais disponíveis. A equipe também divulga os animais em redes sociais e em grupos de adoção.
O processo envolve a assinatura de um termo de responsabilidade, com apresentação de documento de identidade, CPF e endereço. De acordo com Edimara, o acompanhamento após a adoção também faz parte da rotina do centro.
— Adotar um bichinho é adotar uma vida. Adotar para abandonar, não. Eu gosto de acompanhar também, peço fotos, pergunto como está o cachorro. Prefiro que me falem se está ou não está tudo bem, porque não dar essa abertura pode fazer com que a pessoa abandone depois — explica.
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