Citado como “articulador de corrupção”, vice-prefeito de Itaúna é exonerado do cargo

Da Redação
O vice-prefeito e secretário municipal de Meio Ambiente em Itaúna, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto (PL), foi exonerado do cargo que ocupava na administração municipal. A medida foi anunciada pela Prefeitura de Itaúna em nota oficial, após ele ter sido citado pela Polícia Federal (PF) como um dos investigados na operação “Rejeito”, deflagrada nesta quarta-feira, 17.
Segundo a decisão judicial que embasou a operação, Hidelbrando foi apontado como “articulador de corrupção” em negócios ligados ao setor minerário no estado. A investigação é conduzida pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), o Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal.
Operação ‘Rejeito’
A ação foi deflagrada para apurar fraudes bilionárias no setor de mineração em Minas Gerais. De acordo com as apurações, o grupo investigado teria causado graves danos ambientais e movimentado ao menos R$ 1,5 bilhão em transações irregulares no setor mineário no estado.
A Justiça autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão, além de 15 prisões preventivas. Também houve bloqueio judicial de ativos no valor de R$ 1,5 bilhão. As autoridades afirmam que os suspeitos se beneficiavam de esquemas de corrupção envolvendo servidores públicos para liberar licenças ambientais em áreas de risco, inclusive em barragens com potencial de rompimento.
As investigações apontam ainda que projetos vinculados à organização poderiam gerar receitas estimadas em R$ 18 bilhões.
Envolvimento do vice-prefeito
Conforme a decisão judicial, Hidelbrando Neto aparece como sócio e operador em empreendimentos suspeitos ligados à exploração irregular de minério. Entre as sociedades citadas, está a HCRN Assessoria e Consultoria Ambiental Ltda., constituída em abril de 2021, da qual ele é proprietário.
O relatório da PF também destaca ligações dele com o lobista Gilberto Henrique Horta de Carvalho, preso na operação. Hidelbrando é citado como sócio de Carvalho na empresa Ursa Maior e em outras, como Brava e Verdecál, estas vinculadas à GMAIS Ambiental.
Os vínculos empresariais levantam suspeitas sobre a participação do vice-prefeito em esquemas de concessão de licenças ambientais fraudulentas e favorecer mineradoras investigadas.
Função na organização
Segundo a decisão, Hidelbrando desempenhava atividades operacionais, atuando como elo entre empresários e gestores públicos. Ele teria articulado contratos e participado de reuniões estratégicas relacionadas aos negócios investigados.
O material reunido pela Polícia Federal aponta ainda que a empresa ligada ao grupo foi inserida em contratos com potencial econômico superior a R$ 3 bilhões.
Hidelbrando possui histórico de atuação na administração estadual. Entre 2014 e 2020, ele ocupou funções na Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), incluindo os cargos de superintendente regional, coordenador, subsecretário de Regularização Ambiental e, por último, secretário executivo da pasta.
Investigados
A operação também citou nomes de destaque em diferentes setores. Entre eles está o delegado da Polícia Federal em Minas Gerais, Rodrigo de Melo Teixeira, apontado como gestor oculto das empresas Gmais e Brava e suspeito de usar sua posição para favorecer negócios ilegais.
O lobista Gilberto Carvalho foi classificado como articulador externo e intermediador de propinas. Já Úrsula Deroma é apontada como controladora da Brazmine e responsável por intermediar cessões minerárias, com o filho, Phillipe Deroma Furtado, atuando como operador financeiro. O marido de Úrsula, Marcos Arthur Mendonça, teria executado pagamentos ilícitos.
Também são investigados o ex-diretor da Vale, Marconi Tarbes Vianna, e a delegada Kelly Batista, mencionada como mobilizada irregularmente em ações a pedido de Rodrigo de Melo Teixeira.
Nota da Prefeitura de Itaúna
Após a repercussão da operação, a Prefeitura de Itaúna divulgou uma nota pública sobre o caso. O comunicado informa que os fatos noticiados dizem respeito a investigações de natureza pessoal, sem ligação direta com o exercício de funções municipais de Hidelbrando, seja como vice-prefeito ou como secretário de Meio Ambiente.
A administração municipal destacou, no entanto, que, em respeito ao compromisso da gestão com a ética, a transparência e o zelo pela coisa pública, decidiu exonerar Hidelbrando Neto do cargo de secretário até que as circunstâncias sejam esclarecidas.
No texto, a Prefeitura também reforçou que a investigação ainda se encontra em fase inicial e que não há, até o momento, condenação ou decisão judicial transitada em julgado.
— O Sr. Hidelbrando Neto, como qualquer cidadão, tem garantido o direito constitucional à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência — ressaltou.
O comunicado finaliza afirmando que eventuais condutas individuais não representam a postura nem os princípios que orientam a administração de Itaúna.
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