Com Gleidson na lista, dez prefeitos mineiros deixam mandatos para disputa das Eleições

Jonny Reisle
A seis meses das eleições de 2026, o cenário político de Minas Gerais passa por uma reconfiguração significativa com a saída de ao menos dez prefeitos de seus cargos para disputar novos postos no pleito de outubro. A movimentação ocorre dentro do prazo legal de desincompatibilização, que obriga chefes do Executivo municipal a deixarem seus mandatos até o início de abril para concorrer a outros cargos eletivos. Mais do que uma exigência jurídica, o movimento revela uma estratégia consolidada: transformar a visibilidade e o capital político acumulado nas administrações locais em força eleitoral em disputas estaduais e federais.
Substítuição
Entre os nomes que mais chamam atenção nesse processo está o ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Republicanos), que deixou o comando do município com o objetivo de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Janete Aparecida (Avante), vice-prefeita dos dois mandatos, foi quem assumiu a vaga, tornando-se a primeira mulher na história do município a ocupar o cargo.
A decisão reforça o protagonismo político do Centro-Oeste mineiro e projeta o nome do ex-chefe do Executivo como uma das principais apostas da região para ampliar sua representatividade em Brasília.
Trocas também no partido
A movimentação do ex-prefeito também está diretamente ligada a uma estratégia partidária mais ampla. Recentemente, Gleidson deixou o Novo e se filiou ao Republicanos, legenda que vem investindo na formação de chapas competitivas em Minas Gerais. A mudança sinaliza não apenas uma readequação ideológica, mas também uma busca por maior viabilidade eleitoral, considerando o peso das coligações e a estrutura partidária nas eleições proporcionais. Além disso, sua proximidade com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) fortalece ainda mais sua projeção, inserindo-o em um grupo político que tem ampliado influência no estado, especialmente no interior.
Nos bastidores, o nome de Gleidson também chegou a ser ventilado em composições majoritárias, incluindo a possibilidade de disputar o cargo de vice-governador, dependendo das alianças que vierem a ser firmadas. Ele confirmou nesta semana, entretanto, que concorrerá a uma vaga para deputado federal.
Outros martelos batidos
O movimento de desincompatibilização, no entanto, não se limita a Divinópolis. Em diferentes regiões de Minas, prefeitos deixaram seus cargos com objetivos semelhantes. Alguns buscam uma cadeira na Câmara dos Deputados, apostando na visibilidade conquistada à frente de administrações municipais. Outros miram a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, enquanto há também aqueles que se lançam em disputas majoritárias, como o Senado.
Lista completa
Confira abaixo, uma lista com todas as cidades mineiras que viram uma troca de prefeitos nesta janela partidária:
Senado
Marília Campos (PT) | Contagem
Câmara dos Deputados ou vice-governador
Luís Eduardo Falcão (Republicanos) | Patos de Minas
Câmara dos Deputados:
Gleidson Azevedo (Republicanos) | Divinópolis
Cristiano Geraldo (PL) | Capitólio
Igor Santos (PL) | Paracatu
Pedro Braga (PSD) | Buritizeiro
Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG):
Denerval Germano (PL) | Taiobeiras
Diego Oliveira (PSD) | Passos
Fernando Breno (PRD) | Coromandel
Luíz Paulo (Cidadania) | Curvelo
Planejamento calculado
Do ponto de vista eleitoral, a entrada desses novos nomes na disputa tende a acirrar a concorrência, especialmente nas eleições proporcionais. A presença de ex-prefeitos amplia o nível de competitividade, já que muitos deles chegam ao pleito com estrutura política consolidada, apoio regional e maior capacidade de mobilização. Isso pode impactar diretamente a renovação dos parlamentos, tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara Federal.
Além disso, o movimento também revela uma reorganização partidária em curso em Minas Gerais. Siglas buscam atrair lideranças com densidade eleitoral, capazes de fortalecer chapas e garantir desempenho competitivo no quociente eleitoral. Nesse contexto, figuras como Gleidson Azevedo se tornam peças estratégicas, não apenas pelo potencial de votos, mas também pela capacidade de influenciar alianças e composições políticas.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
