Assembleia de motoristas pode definir greve do transporte público em Divinópolis

Jonny Reisle
As negociações entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Urbanos de Divinópolis (Sinttrodiv) e o Consórcio TransOeste entraram em um impasse que pode resultar na paralisação do transporte público em Divinópolis já nos próximos dias.
A indefinição nas tratativas, iniciadas ainda no final de 2025, tem gerado apreensão entre trabalhadores e usuários do sistema, que dependem diariamente do serviço para deslocamento até o trabalho, escolas e demais atividades essenciais.
Conversas estacionadas
Desde o início das negociações, a pauta apresentada pelo sindicato inclui o reajuste salarial da categoria, a manutenção de benefícios como o plano de saúde, o ticket alimentação e a discussão sobre o valor da tarifa do transporte coletivo, além de mudanças na jornada de trabalho. Entre as principais reivindicações está a implementação da escala 5x2, em substituição ao atual modelo 6x1, tema que também tramita no Congresso Nacional.
No entanto, segundo o Sinttrodiv, as conversas não avançaram conforme o esperado e acabaram ultrapassando o prazo limite, estipulado para o dia 1º de março, sem a formalização de um acordo.
Segundo o presidente do sindicato, Erivaldo Adami, a falta de avanço nas tratativas está diretamente ligada à postura do consórcio ao longo dos últimos meses.
— Nós encaminhamos uma pauta no final de dezembro, aguardamos uma agenda em janeiro e fevereiro e não tivemos nenhum retorno. Desde março aconteceram três reuniões, e mesmo assim sem nenhuma contraproposta — afirmou.
Entrave
Uma nova rodada de negociações foi realizada nesta semana, mas, de acordo com o sindicato, o Consórcio TransOeste voltou a não apresentar proposta concreta de reajuste salarial. A justificativa apresentada pelas empresas envolve fatores econômicos que impactam diretamente os custos operacionais, como o aumento no preço do diesel — atribuído ao cenário internacional e à guerra no Oriente Médio —, além do que classificam como subsídio insuficiente por parte da Prefeitura e a ausência de reajuste na tarifa de ônibus.
Diante desse cenário, o consórcio solicitou a prorrogação do prazo por mais 45 dias para a apresentação de uma nova proposta e continuidade das negociações. A solicitação, no entanto, foi rechaçada pelo sindicato, que considera o tempo já decorrido incompatível com a urgência das demandas da categoria.
— Essa prorrogação já foi negada por mim. Não concordamos em esperar mais, porque já passou do prazo e até agora não houve nenhuma proposta concreta — destacou o presidente.
Outras demadas
Além das questões salariais, outros pontos têm ampliado o desgaste entre as partes. A renovação da frota de veículos, por exemplo, passou a ser tema recorrente nas reuniões. Segundo o Sinttrodiv, os ônibus em operação têm, em média, oito anos de uso, o que levanta preocupações tanto em relação à segurança quanto às condições de trabalho dos motoristas e ao conforto oferecido aos passageiros. Também estão em debate questões como o valor pago aos motoristas pela função de cobrança de passagens.
Em 2026, foram realizadas três reuniões formais entre sindicato e consórcio — duas em março e uma em abril — sem que houvesse avanço significativo nos principais pontos de reivindicação. Paralelamente, o sindicato também buscou diálogo com o poder público municipal. De acordo com a entidade, uma reunião chegou a ser realizada com a prefeita da cidade, Janete Aparecida (Avante), para apresentar o cenário das negociações, mas até o momento não houve definição que destravasse o impasse.
Dia D
Diante da falta de consenso, a categoria se prepara para uma possível mobilização. Uma assembleia com os motoristas do transporte coletivo está marcada para esta sexta-feira, 10. Na ocasião, a diretoria do Sinttrodiv irá apresentar o panorama atualizado das negociações e submeter aos trabalhadores a decisão sobre uma eventual paralisação. Caso a greve seja aprovada, o sindicato deverá cumprir o prazo legal mínimo de 72 horas de antecedência para notificação das partes envolvidas, conforme determina a legislação.
Possibilidade de greve
Apesar do cenário de tensão, o sindicato afirma que ainda busca uma solução negociada.
— A paralisação é a última arma que a gente usa. Mas, se não chegarmos a um acordo, esse pode ser o único caminho que resta para garantir os direitos dos trabalhadores — ressaltou Adami.
Ele ainda destacou que a decisão final caberá à categoria reunida em assembleia, embora haja a intenção de tentar um último prazo para acordo antes de qualquer paralisação efetiva.
Paralisação seria sentida
Enquanto isso, usuários do transporte público acompanham com preocupação a possibilidade de interrupção do serviço, que pode impactar diretamente a rotina de milhares de pessoas em Divinópolis. A eventual paralisação pode afetar setores essenciais da cidade, como comércio, educação e saúde, ampliando os efeitos do impasse para além das partes envolvidas na negociação.
A expectativa agora gira em torno da assembleia desta sexta-feira, que deve indicar os próximos passos do movimento e definir se Divinópolis enfrentará ou não uma paralisação no transporte coletivo já na próxima semana. O desfecho dependerá, sobretudo, da posição dos trabalhadores diante do cenário de indefinição e da possibilidade — ainda considerada remota — de avanço nas negociações nos próximos dias.
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