Coveiro que torturou mulher surda e muda vai ficar preso até a conclusão do inquérito

Gisele Souto
A titular da Delegacia da Mulher da Polícia Civil em Divinópolis, Francielly Sinfuentes, pediu à Justiça que o coveiro, de 43 anos, acusado de agredir a companheira, de 47 anos, permaneça preso até a conclusão do inquérito. A ocorrência foi registrada na semana passada, no bairro Padre Eustáquio, região Sudeste de Divinópolis. Conforme relatado pelas polícias Civil e Militar, após depoimento da vítima que é surda e muda, com ajuda de intérprete, ela tinha vários hematomas pelo corpo, incluindo o rosto e queimaduras de cigarro.
A ocorrência
Tudo começou quando a PM foi chamada na terça-feira, 16, da semana passada, com informações de que uma mulher era arrastada pela rua. Ao chegar ao local, já na casa, diante do visto prendeu o suspeito e ela foi levada para UPA para a verificação das lesões. Quando foi liberada, também compareceu à delegacia para prestar depoimento. Diante do exposto por meio de intérprete de libras, outra equipe da PM, especialista em atendimento a mulheres vítimas de violência, foi com ela e um representante do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) da Prefeitura, à residência, em busca de evidência dos maus tratos.
Ao chegar ao local, a cabo Andreia, disse ter se deparado com uma cena muito triste, incluindo parte do cabelo da vítima que teria sido arrancada por ele. Além disso, havia materiais espalhados, como bebidas e uma substância, que seria maconha, e o celular dela, quebrado. Em meio à bagunça, também foi encontrado o aparelho do agressor, e para a surpresa das autoridades policiais, várias fotos íntimas da mulher. Foi apreendido, sendo uma das provas no inquérito em andamento.
O atendimento da ocorrência foi feito primeiramente por uma equipe de plantão da Polícia Civil em Belo Horizonte, procedimento de praxe online, nas madrugadas e fins de semana. Ela mesmo pediu a prisão do suspeito.
No outro dia, a delegada Francielly Sinfuentes, que tomando ciência da gravidade da ocorrência, pediu à Justiça a manutenção da prisão do homem, até a conclusão do inquérito, o que foi atendido imediatamente.
Ela trabalha com todas as provas e testemunhas para a conclusão do inquérito.
A vítima
A mulher foi assistida pelo Creas da Prefeitura de Divinópolis desde o dia da agressão e depois com ajuda dele, encontrou parentes da vítima e fez os contatos.
Poucos dias depois, já com boa recuperação física, foi levada para os cuidados deles que moram na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Prefeitura
No outro dia da publicação feita pelo Agora, a Prefeitura de Divinópolis publicou nota, onde manifestou de forma veemente repúdio ao caso de violência doméstica, que resultou na prisão de um servidor público municipal com base na Lei Maria da Penha, após denúncias de agressão e cárcere privado contra sua companheira.
A Administração reforçou que não compactua, tolera ou relativiza qualquer forma de violência, especialmente aquela praticada contra mulheres. Conforme a nota, casos dessa natureza afrontam os princípios de respeito, dignidade humana e proteção aos direitos fundamentais que norteiam a atuação do poder público.
Por fim, disse que desde a identificação da situação, a vítima recebeu acolhimento e atendimento por meio da rede municipal de assistência social. E que acompanhará os desdobramentos do caso e adotará, no âmbito administrativo, as medidas cabíveis, respeitando o devido processo legal e a legislação vigente.
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