Diagnóstico precoce do câncer de mama pode tornar o tratamento menos agressivo
Oncologista explica os principais sinais de alerta, as etapas do tratamento e a importância do apoio familiar

Rubens Souza
O diagnóstico precoce é um dos principais aliados no combate ao câncer de mama. Identificar a doença em seus estágios iniciais aumenta as chances de cura e pode permitir tratamentos menos agressivos, com menor impacto na qualidade de vida das pacientes. A médica oncologista Luana Azevedo, que atua na Acom e no São João de Deus Complexo de Saúde, em Divinópolis, destaca a importância da prevenção, dos exames de rastreamento e do acompanhamento médico.
Com dez anos de atuação nas duas instituições, a profissional ressalta que a cidade conta com uma estrutura capaz de oferecer atendimento oncológico de qualidade, aliando conhecimento técnico e cuidado humanizado.
A médica explica que prevenção e diagnóstico precoce são estratégias diferentes, mas complementares. Enquanto a prevenção está relacionada principalmente aos hábitos de vida, a detecção precoce busca identificar a doença em fases iniciais, aumentando as possibilidades de sucesso no tratamento.
Prevenção
Manter uma alimentação saudável, praticar atividades físicas, combater a obesidade e evitar o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas são medidas importantes para reduzir o risco de diversos tipos de câncer, incluindo o de mama.
Segundo Luana, outro cuidado essencial é realizar os exames indicados pelos profissionais de saúde. A mamografia tem papel importante no rastreamento, permitindo identificar alterações que ainda não provocam sintomas.
— Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as chances de cura e, às vezes, menos agressivo é o tratamento — explica.
A especialista destaca que a identificação de tumores pequenos pode possibilitar cirurgias mais conservadoras, reduzindo os impactos físicos e emocionais do tratamento. Ela também esclarece que o autoexame continua sendo importante para que a mulher conheça o próprio corpo, mas não substitui os exames de rastreamento.
Entre os sinais que merecem atenção estão nódulos persistentes na mama ou na axila, retração do mamilo, mudanças na pele e secreção mamilar com sangue ou coloração incomum.
— A maioria desses nódulos é benigna, mas precisamos de uma investigação para determinar se aquela lesão merece um tratamento maior ou apenas acompanhamento — orienta Luana.
A médica reforça que a investigação deve ser feita por profissionais de saúde. Os exames de imagem podem apontar alterações suspeitas, mas a confirmação da doença geralmente depende de uma biópsia, com análise do material em laboratório.
Tratamento
Após a confirmação do câncer de mama, a paciente passa por uma avaliação individualizada para definir a melhor estratégia terapêutica. A cirurgia é uma das principais possibilidades, mas, em determinadas situações, a equipe médica pode recomendar quimioterapia antes do procedimento para reduzir o tamanho do tumor.
De acordo com a oncologista, não existe um tratamento único para todas as pacientes. A decisão considera diferentes características do tumor e as condições de cada mulher.
Além dos procedimentos médicos, a continuidade do acompanhamento é fundamental. O diagnóstico pode provocar medo, insegurança e preocupação com os efeitos colaterais, a aparência física e as mudanças na rotina. Por isso, o suporte psicológico e psiquiátrico pode ajudar a paciente a enfrentar esse período.
Luana também chama a atenção para a participação dos familiares e amigos. Companheiros, filhos, pais e pessoas próximas podem contribuir para que a mulher se sinta acolhida e tenha mais segurança para seguir as orientações médicas.
— O apoio familiar faz toda a diferença. A quimioterapia traz algumas toxicidades e limitações, mas é importante ressaltar que o câncer tem cura e que aquele processo pelo qual a mulher vai passar pode representar um ganho para a vida inteira — destaca.
Ao encerrar a entrevista, a médica deixa uma mensagem de incentivo às mulheres que estão iniciando essa jornada e aos familiares que acompanham o tratamento. Ela ressalta que os avanços da oncologia ampliaram as possibilidades terapêuticas e que o acolhimento continua sendo parte importante do cuidado.
— Para quem está recebendo o diagnóstico agora, muita força, porque realmente o câncer tem cura — afirma Luana.
Campanha
O Agora realiza uma campanha especial durante todo o mês de Outubro, com entrevistas com pacientes e especialistas para compartilhar experiências, esclarecer dúvidas e levar informação sobre o câncer de mama. A entrevista completa está disponível no Instagram do jornal, pelo perfil @jornal_agora.
A campanha conta com o apoio da Acom, do São João de Deus Complexo de Saúde, Med Prev, Botanicals e Cred+.
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