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Domingos Sávio Calixto

Dos cristopatas

Por Bruno
Dos cristopatas

CREPÚSCULO DA LEI – Ano VI – CCLXXXVII

Cristopatia é um transtorno acometido por quem usa o nome de Cristo para fazer tudo aquilo que Cristo jamais fez ou faria.

Trata-se de um transtorno com sintomas de arrogância e desrespeito com o Cristo e com o próximo, bem como demarcado por intolerância e violência em relação a outras religiões que cultuam outros deuses e profetas.

O cristopata vive em um ambiente de cristosfera própria, caracterizado por ilusões e alucinações de vozes e falas com personagens invisíveis, e cujo “diálogo” normalmente resulta em determinações de negacionismo racional e científico, falta de amorosidade e propagação de ódio ao “inimigo”.

Faz parte do círculo desta cristosfera a predominância de falsidade em referência a outros deuses e veracidade apenas àquela divindade cristianizada. Os cristopatas entendem que o SEU deus é único, que SUA bíblia é única e verdadeira, e que SUA divindade única seria tão cristopata quanto eles.

Nesta lógica cristopata não há espaço para outras culturas religiosas ou religiões, de tal sorte que elas são consideradas “coisas do demônio”. Esse “demônio” seria uma invenção dos cristopatas para se referirem aos seus INIMIGOS de outras culturas religiosas ou religiões.

Segundo os cristopatas, seus inimigos são – por coincidência – inimigos de sua divindade única e, por isso, devem ser destruídos para queimarem no “inferno”. Inferno é lugar imaginário inventado pelos cristopatas, no qual são jogados seus inimigos logo depois de serem exterminados.

Para se livrarem do tal inferno, os cristopatas devem pagar parte de sua renda em prol da mantença econômica de sua divindade única. Para organizar essas finanças da divindade única, os cristopatas devotam fé em agentes e “administradores religiosos”.

Os administradores religiosos recebem a oferta e a remetem para um local desconhecido, que só pode ser conhecido pela divindade única. Ao que parece, os cristopatas acreditam que a divindade única recebe a oferta financeira e, como recompensa, serão ainda mais recompensados.

Para os cristopatas, quem não contribui com a divindade única está fadado a ter uma vida miserável, bem como ter grandes possibilidades de padecer - por dívida celestial - no fundo e nas chamas do inferno.

Como não existe nada no mundo que não seja pela ordem criada pela divindade única dos cristopatas, tudo neste mundo deve se submeter a ela, daí os cristopatas terem sua própria realidade. 

Trata-se de uma realidade construída por templos suntuosos, mídia espetacularmente “ungida”, música temática, teatrologia, falas e trejeitos específicos voltados para a arrecadação das ofertas que a divindade única cobra e aguarda com impaciência.

Para evitar a fúria da divindade única no quesito arrecadação, os cristopatas elegem bancadas inteiras incumbidas de elaborarem leis que favoreçam a formação de mais cristopatas, que possam votar neles, e para que eles elaborem mais leis mantendo a cristosfera.

Assim, a cristosfera se fortalece com a arrecadação e com a eliminação de qualquer outra cultura religiosa ou religião. Quando nenhum outro inimigo existir mais - que possa confrontar os cristopatas - tanto mais se poderá abrir as portas do exclusivo espaço celestial que os aguarda, desde que a contribuição para a divindade única esteja devidamente em dia.

*(Texto dedicado aos verdadeiros exemplos de amor ao próximo)

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