Em meio a reajustes, Divinópolis avança para sexto ano sem aumento na passaginha

Lucas Maciel
O início de 2026 será marcado por uma sequência de reajustes nas tarifas do transporte coletivo em diferentes regiões do estado, com aumentos já confirmados em capitais, cidades da região metropolitana e sistemas intermunicipais.
Em Belo Horizonte, a passagem de ônibus subiu 8,6% já a partir do primeiro dia do ano. No sistema metropolitano da Região Metropolitana da capital, o aumento será ainda maior: 8,93%, com novos valores entrando em vigor em 9 de janeiro. Em cidades como Contagem, o reajuste autorizado chega a 5,46%.
Em meio a esse cenário de alta generalizada, Divinópolis segue na contramão. O município caminha para o sexto ano consecutivo sem aumento no valor da chamada “passaginha”, apesar de uma nova proposta de reajuste apresentada pelo Conselho Municipal de Trânsito (Comutran).
Divinópolis
O Comutran sugeriu, em reunião realizada no dia 23 de dezembro, um reajuste técnico da tarifa do transporte coletivo urbano, elevando o valor para R$ 6,58. O aumento proposto representa uma correção acumulada após seis anos sem atualização e leva em conta custos operacionais do sistema, como combustível, manutenção da frota e mão de obra.
Atualmente, a tarifa em Divinópolis custa R$ 3,65 para pagamento no cartão Divipass e R$ 4,15 para quem paga em dinheiro. Caso a proposta fosse acatada, o reajuste seria de aproximadamente 58% sobre o valor praticado no cartão.
Apesar da recomendação do conselho, a decisão final cabe ao prefeito Gleidson Azevedo (Novo), que já antecipou que não autorizará o aumento. Em vídeo publicado nas redes sociais, o chefe do Executivo afirmou que manterá o congelamento pelo sexto ano consecutivo e tratou a decisão como um “presente de Natal” para a população.
— E eu aqui, pelo sexto ano consecutivo, não vou deixar aumentar a passaginha. O ano que vem não tem aumento de passaginha — declarou.
A manutenção da tarifa, no entanto, tem custo direto para os cofres públicos. Para equilibrar o sistema, o município mantém um subsídio ao consórcio responsável pelo transporte coletivo. Somente em 2025, os repasses já somam cerca de R$ 12 milhões, segundo dados apresentados durante a reunião do Comutran.
Durante o encontro, o secretário municipal de Trânsito, Lucas Estevam, alertou para um desequilíbrio crescente entre o número de usuários com gratuidade e os passageiros pagantes, o que pressiona ainda mais os custos do sistema.
Mesmo assim, a sinalização do Executivo é de que, havendo condições financeiras, o subsídio será mantido para evitar impacto direto no bolso dos usuários. A última vez que a tarifa sofreu reajuste em Divinópolis foi em janeiro de 2020.
Belo Horizonte
Na capital mineira, a Prefeitura publicou no Diário Oficial do Município o reajuste da tarifa de referência do transporte coletivo. A passagem passou de R$ 5,75 para R$ 6,25, um aumento de R$ 0,50 ou 8,6%, válido desde esta quinta-feira, 1º. As linhas circulares e alimentadoras terão tarifa de R$ 6.
Também houve reajuste no táxi-lotação. Na avenida Afonso Pena, o valor subiu de R$ 6,35 para R$ 6,90, enquanto na Avenida do Contorno passou de R$ 6,05 para R$ 6,60.
Já no transporte coletivo metropolitano da Região Metropolitana de Belo Horizonte, o governo de Minas autorizou aumento de 8,93%, conforme Resolução nº 63, publicada no Diário Oficial do Estado. Os novos valores entram em vigor em 9 de janeiro e variam conforme a linha e o trajeto, com tarifas que vão de R$ 6,10 até R$ 62,45.
Segundo o governo estadual, o reajuste busca recompor parcialmente os impactos da inflação sobre os custos operacionais do sistema. A correção ficou acima da aplicada no período anterior, quando o aumento foi de 6,49%.
Contagem
Em Contagem, na Região Metropolitana, a tarifa dos ônibus municipais foi reajustada em 5,46% a partir desta terça-feira, 30. O valor passou de R$ 6,40 para R$ 6,75. De acordo com o Executivo, o índice autorizado ficou abaixo do solicitado pelas concessionárias, que pediam tarifa de R$ 7,25.
A Prefeitura informou que o reajuste foi definido após negociações com o sindicato das empresas e reunião extraordinária do Conselho Municipal de Transportes, levando em conta critérios contratuais e dados operacionais do sistema.
Contraste regional
Caso a decisão de Gleidson Azevedo seja confirmada oficialmente, 2026 marcará o sexto ano consecutivo sem reajuste na tarifa urbana em Divinópolis, um contraste evidente em meio à alta generalizada dos preços do transporte público em Minas Gerais.
Confira a reportagem:
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
