Êta mundo doido

Augusto Fidelis
“É inútil preocupar-se com os cabelos quando se está prestes a perder a cabeça”. Este provérbio russo diz muito sobre a situação do mundo atual. Conflitos pululam por todos os lados e deixam as pessoas vulneráveis à violência de toda ordem. Nações e pessoas sempre foram belicosas, mas, na atualidade, ninguém está seguro. Outro provérbio, na mesma linha, admoesta: “Por que se preocupar com os anéis, se vai perder a mão?” Mas perguntar não ofende: para que serve um governo? Quero acreditar que, em princípio, o governo deve se ocupar da administração do país, garantir a ordem, a segurança, a educação, a saúde e a infraestrutura. Para tanto, deve elaborar políticas públicas que beneficiem a todos, independentemente da condição social ou da cor partidária. No entanto, o que se vê em várias partes do mundo são grupos ideológicos apossando-se do poder, buscando para si todos os privilégios e achatando a população ao nível da miséria. Já advertira a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher: “Não existe dinheiro público, mas o dinheiro do imposto recolhido do contribuinte”. Então, o governo enfiar a mão no bolso de quem trabalha, retirar seu suado dinheiro e dar para quem não faz nada, apenas por questões ideológicas, é uma tremenda vagabundagem. O mais interessante: não importa o que o governo daqui ou dacolá faça de errado, sempre haverá aqueles que apoiam as maiores atrocidades na esperança de alguma benesse. No momento, as notícias mais horríveis vêm do Irã, onde a teocracia dos aiatolás promove a matança geral dos seus cidadãos, que protestam contra o mau governo. Mas o governo luta para se manter e, para isso, não importa quantas cabeças devam rolar. As execuções são públicas, no sentido de servir de exemplo aos desavisados: não se levantem contra nós, porque vão perder a vida. Ora, a vida é o bem maior que alguém pode ter; por isso, tem de ser preservada a todo custo, seja pelo esforço pessoal ou pela proteção do Estado. Porém, se o Estado torna-se propriedade de um governo corrupto, a vida dos cidadãos não tem nenhum valor. E o pior de tudo são as tantas injustiças repetidas, que se tornam rotineiras e normais. Aqueles que podem fazer alguma coisa se abstêm; os que não podem fazer nada, mas tentam através de protestos, são massacrados. Mas, ainda que tardia, todos os malfeitores serão derrubados, porque o clamor de Jeremias, por outras vozes, continua subindo ao céu: “Tu estás no nosso meio, Senhor, o teu nome é invocado sobre nós. Não nos abandones, Senhor nosso Deus!”, porque, como bem diz a Liturgia das Horas: “Os nossos dias vão murchando como a erva; vós, Senhor, sois desde sempre e para sempre”.
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