Gleidson descarta ação judicial após graves ameaças contra irmãos Azevedo

Lucas Maciel
Vídeos publicados em redes sociais com ameaças, ofensas e acusações graves contra três autoridades públicas de Minas Gerais levaram ao registro de ocorrência policial e evidenciaram respostas distintas diante do mesmo episódio. O caso envolve o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL) e o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), e segue agora sob investigação da Polícia Civil.
As gravações circularam em uma plataforma digital e continham falas direcionadas diretamente aos três políticos, com ameaças à integridade física e acusações de supostos crimes, sem apresentação de provas. Diante do conteúdo, um assessor parlamentar procurou a Polícia Militar, que confirmou a existência e a permanência dos vídeos no ar no momento do registro.
Ao Agora, Gleidson descartou entrar com uma ação judicial contra o autor.
Conteúdo dos vídeos
Segundo o boletim de ocorrência, os vídeos apresentam um tom agressivo e intimidador. Em um dos trechos, o autor se dirige aos três políticos de forma conjunta e faz ameaças diretas, sugerindo represálias caso eles continuassem, segundo ele, “roubando” recursos públicos.
Em uma das falas registradas em vídeo, o autor adota um tom de intimidação direta ao se dirigir aos três políticos citados, sugerindo a possibilidade de violência caso, segundo ele, continuassem praticando supostas irregularidades, sem apresentar evidências.
— Se vocês ficarem roubando, como estão pensando em fazer, o pau vai quebrar — disse.
Em outro momento, ele acusa, novamente sem provas, os políticos de desvio de recursos destinados à saúde e à educação infantil e faz menções a violência contra agentes públicos, ampliando a gravidade do conteúdo analisado pelas forças de segurança.
Ainda de acordo com o registro policial, os vídeos também citam policiais militares de equipes especializadas, além de trazer declarações nas quais o autor afirma não temer as autoridades do sistema de Justiça.
As mídias foram apresentadas à Polícia Militar, que constatou que o conteúdo ainda estava disponível no perfil utilizado para as postagens. Como o sistema policial não permite anexar vídeos, cópias foram preservadas para encaminhamento à Polícia Civil.
Investigação
Após consultas aos sistemas de segurança pública, foi identificado um endereço vinculado ao responsável pelas postagens. O solicitante foi orientado quanto aos procedimentos de representação criminal, e o registro foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Divinópolis, que dará prosseguimento à apuração.
Por se tratar exclusivamente de material digital, não houve perícia técnica no local. A análise do conteúdo e a eventual responsabilização criminal agora dependem das diligências conduzidas pela Polícia Civil.
Prefeito descarta representação
Entre os alvos das ameaças, o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), adotou uma postura distinta. Por meio de sua assessoria, informou que não pretende apresentar representação criminal contra o autor dos vídeos.
— O posicionamento oficial do Gleidson é que ele não vai fazer representação contra o rapaz — destacou.
Posicionamentos
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), por sua vez, reagiu publicamente por meio das redes sociais. Em comentários feitos em publicações relacionadas ao caso, ele desafiou o autor dos vídeos a sustentar pessoalmente as acusações feitas.
— Se tiver oportunidade de me encontrar pessoalmente, quero ver se ele prova o que está dizendo — escreveu em uma das manifestações.
Em outro comentário, o senador voltou a minimizar as ameaças e questionou a coragem do autor fora do ambiente virtual, afirmando que aguardará os desdobramentos.
As declarações ampliaram a repercussão do episódio nas redes sociais e dividiram opiniões entre apoiadores e críticos.
Procurada pelo Agora, a assessoria do deputado estadual Eduardo Azevedo (PL) informou que o caso está sendo acompanhado pelo setor jurídico. Até o momento, o parlamentar não se manifestou publicamente sobre o conteúdo dos vídeos nem informou se pretende ingressar com representação criminal.
Apuração em andamento
Com o material reunido, a investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que analisará o teor das falas, o contexto das ameaças e a eventual tipificação penal do caso.
Enquanto isso, o episódio evidencia diferentes estratégias adotadas pelas autoridades diante de ameaças virtuais que extrapolam o debate político e entram no campo da segurança pública e da responsabilização criminal.
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