Golpes ganham novas formas e falsa vaga de emprego faz vítimas em Divinópolis
Pelo menos cinco pessoas caíram na prática; cidade registra 6,5 casos de estelionato por dia em 2026

Uma nova modalidade de fraude passou a chamar a atenção em Divinópolis: o golpe da falsa vaga de emprego. Pelo menos cinco pessoas da cidade foram vítimas da prática, que utiliza entrevistas presenciais para conquistar a confiança de quem está em busca de uma oportunidade profissional e, posteriormente, obter dados pessoais e reconhecimento facial para a realização de empréstimos e outros negócios fraudulentos em nome das vítimas.
O crime é investigado pela Polícia Civil. Em entrevista ao Agora, a delegada Adriene Lopes explicou que os criminosos estruturam a fraude de maneira a fazer com que a oportunidade de trabalho pareça verdadeira. Para isso, alugam salas em prédios comerciais, escritórios ou espaços de coworking por algumas horas e utilizam os locais para receber os candidatos.
— Há poucos dias nós tivemos o golpe da falsa vaga de emprego, em que atinge pessoas que estão em busca de um trabalho, mas é tudo falso. Inclusive tem até uma entrevista agendada para a pessoa, mas só que os criminosos usam daquilo para pegar dados da vítima, para fazer reconhecimento facial, e com isso fazer empréstimos, financiamento de veículos — detalhou.
Entrevista falsa
A estratégia utilizada pelos criminosos envolve uma abordagem semelhante à de processos seletivos legítimos. As vítimas são direcionadas até um endereço onde supostamente funcionaria a empresa responsável pela contratação. No local, passam por uma entrevista e fornecem informações que, posteriormente, são utilizadas pelos golpistas.
De acordo com Adriene Lopes, a utilização de espaços comerciais alugados por períodos curtos faz parte da estratégia para tornar a fraude mais convincente.
— Elas foram ao local onde funcionava o suposto escritório da empresa que estaria admitindo. Então é tudo muito real, porque os golpistas alugam imóveis, espaços comerciais, co-working, que eles usam por algumas horas. Faz a abordagem às vítimas, fazem as falsas entrevistas de emprego, e depois utilizam esses dados para a prática de outros crimes, outras fraudes — afirmou.
A partir das informações coletadas durante a falsa entrevista, os criminosos podem realizar operações financeiras em nome das vítimas. Entre as práticas citadas pela delegada estão a contratação de empréstimos e o financiamento de veículos.
A investigação dos casos segue em andamento. A delegada explicou que a apuração pode levar mais tempo devido à necessidade de acesso a informações protegidas por sigilo. Apesar da dificuldade, a Polícia Civil já conseguiu identificar autores.
— As investigações são mais demoradas, por causa dos sigilos, porém nós conseguimos chegar aos autores. Eles não ficam imunes — disse Adriene.
Um dos envolvidos já foi identificado no Rio de Janeiro. Segundo a delegada, no entanto, os criminosos mudam constantemente de cidade, o que dificulta a localização e a responsabilização dos autores.
Pressa como estratégia
A falsa vaga de emprego se insere em um cenário mais amplo de golpes que têm utilizado diferentes meios para chegar às vítimas. Segundo as informações repassadas pela Polícia Civil, a maioria dos casos ocorre a partir do primeiro contato feito por redes sociais e telefones.
A orientação da delegada é que as pessoas não ajam imediatamente diante de uma abordagem suspeita, principalmente quando houver pedidos de dinheiro, transferências ou outras ações que precisem ser realizadas com urgência.
— Quando o golpista, você é abordado com um pedido de dinheiro, de transferência, nunca fazer, nunca agir com pressa. O golpista, ele usa da pressa para a abordagem à vítima, da engenharia social, para fazer tudo parecer muito real — afirmou.
Divinópolis
Moradores da cidade não estão sendo apenas vítimas desse golpe. Segundo dados da Polícia Civil, Divinópolis registrou 1533 casos de estelionato apenas em 2026, o que dá uma média de 6,5 casos por dia.
Golpes virtuais
Entre as modalidades de fraude praticadas principalmente pela internet está o phishing. O termo vem da palavra inglesa fishing, que significa “pescar”, em referência à estratégia de lançar uma espécie de “anzol” para capturar vítimas.
Nesse tipo de ataque, o criminoso se apresenta como uma entidade confiável, como um banco, uma loja ou uma empresa de serviços, para induzir a vítima a fornecer informações confidenciais ou acessar links maliciosos. Podem ser solicitadas senhas, números de cartão, dados bancários e outras informações pessoais.
O phishing pode ocorrer por diferentes meios. Uma das formas mais comuns é o envio de e-mails ou mensagens de texto que aparentam ser legítimos. A comunicação pode informar, por exemplo, que existe uma irregularidade em uma conta e solicitar que o destinatário clique em um link para resolver o suposto problema. O endereço, porém, pode direcionar para uma página falsa criada para coletar os dados.
Outra modalidade é o spear phishing, que utiliza uma abordagem mais direcionada. Nesse caso, o criminoso escolhe uma pessoa ou empresa específica, reúne informações sobre ela e utiliza esses dados para criar uma comunicação personalizada.
Há ainda o pharming, em que a vítima pode ser redirecionada para uma página falsa por meio da manipulação de mecanismos de acesso, além de golpes realizados por SMS, aplicativos de mensagens e chamadas telefônicas. O smishing utiliza mensagens de texto, enquanto o vishing ocorre por meio de chamadas.
Atenção aos contatos
A Polícia Civil orienta que as pessoas tenham cuidado ao receber abordagens que solicitem informações, pagamentos, transferências ou outras ações imediatas. A recomendação também se aplica a processos de seleção de emprego, principalmente quando houver solicitação de dados além daqueles necessários para uma candidatura.
Antes de fornecer informações, é necessário verificar se a empresa realmente existe e se o contato utilizado é confiável. Também é importante ter atenção aos endereços de e-mail e aos links recebidos.
Em situações de dúvida, a orientação da delegada é não realizar nenhuma ação até confirmar a legitimidade da abordagem.
— Na dúvida, não faça nada, entre em contato com a polícia, e caso tenha sido vítima, procure a polícia para registrar o boletim de ocorrência — orientou Adriene Lopes.
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