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Política

Governo brasileiro convoca reunião de emergência após anúncio de ataque dos EUA à Venezuela

Governo brasileiro convoca reunião de emergência após anúncio de ataque dos EUA à Venezuela

Da Redação

O governo brasileiro tomou a iniciativa de convocar, neste sábado, 3, uma reunião de emergência para discutir o ataque de grande escala anunciado pelos Estados Unidos contra a Venezuela e a suposta captura do presidente Nicolás Maduro. A orientação inicial do Itamaraty é de cautela, diante da falta de informações detalhadas e de dúvidas sobre a base legal da operação divulgada pelo presidente americano Donald Trump.

Segundo interlocutores do Ministério das Relações Exteriores, a prioridade neste momento é reunir e checar dados por meio de canais diplomáticos antes de qualquer posicionamento público. A avaliação interna aponta lacunas relevantes tanto sobre as circunstâncias do ataque quanto sobre os fundamentos jurídicos da captura anunciada por Washington. A reunião foi convocada pela embaixadora Maria Laura da Rocha, secretária-geral do Itamaraty e número dois da diplomacia brasileira.

O encontro conta com representantes da área diplomática e de outros setores do governo envolvidos no acompanhamento da crise, como o Ministério da Defesa. Até o momento, não há definição sobre o teor nem sobre o horário de uma eventual nota oficial. Fontes do governo afirmam que qualquer manifestação dependerá da consolidação das informações recebidas ao longo da manhã e da avaliação conjunta após a reunião.

O episódio ocorreu durante a madrugada, quando explosões foram registradas em Caracas e em outros estados venezuelanos. Pouco depois, Trump afirmou em sua rede social, a Truth Social, que forças americanas realizaram uma ofensiva militar de grande escala e que Nicolás Maduro e a esposa teriam sido capturados e retirados do país por via aérea. Os Estados Unidos não informaram o destino do presidente venezuelano nem sob qual base legal a operação teria sido conduzida.

De acordo com interlocutores do governo brasileiro, além das informações repassadas pela Embaixada do Brasil em Caracas e de contatos informais com autoridades venezuelanas, há expectativa de que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, converse com chanceleres de outros países da região, incluindo a ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Rosa Villavicencio.

A ofensiva gerou reações imediatas na América Latina. Os presidentes da Colômbia e de Cuba, Gustavo Petro e Miguel Díaz-Canel, condenaram a ação dos Estados Unidos, enquanto o presidente da Argentina, Javier Milei, manifestou apoio à operação. Em publicação na rede social X, Petro afirmou que o governo colombiano observa “com profunda preocupação os relatos sobre ataques e atividades aéreas incomuns” na Venezuela e o consequente aumento da tensão regional.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros militares sobrevoando Caracas e colunas de fumaça em diferentes pontos da capital. Moradores e veículos de imprensa internacionais relataram interrupções no fornecimento de energia elétrica em algumas áreas e explosões próximas a instalações militares, informações que ainda não foram confirmadas de forma independente.

A escalada ocorre após semanas de aumento da presença militar americana no Caribe. Nos últimos dias, os Estados Unidos anunciaram o envio de uma frota naval para a região e intensificaram ações sob o argumento de combate ao narcotráfico. O anúncio da captura de Maduro elevou a tensão diplomática na América do Sul e ampliou a preocupação de governos e lideranças políticas sobre os desdobramentos do conflito.

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