Indispensável desde o primeiro dia

A partir de quando um advogado se torna indispensável à Justiça? Depois de dez anos de carreira? Depois de ser um nome conhecido no fórum? Nas instâncias? Nos tribunais? A resposta da Constituição é mais simples e também mais exigente: desde o primeiro dia.
O artigo 133 da Constituição Federal afirma que o advogado é indispensável à administração da Justiça, sem qualquer exigência de tempo de carreira. O Estatuto da Advocacia reforça a ideia ao estabelecer que, mesmo no exercício privado da profissão, temos o dever de prestar múnus público e exercemos função social, e que não há hierarquia nem subordinação entre advogados, juízes e membros do Ministério Público. Ou seja, no mesmo dia em que recebemos a carteira, recebemos também a autoridade e a responsabilidade que ela carrega.
A prática, porém, costuma chegar antes da segurança. Os primeiros anos são marcados por um sentimento comum entre os jovens advogados: o de estarem um pouco perdidos. São muitas as dúvidas ao mesmo tempo. Qual curso fazer, como peticionar, como atender o primeiro cliente, como conversar com uma família angustiada, como se portar na primeira audiência. E, quase sempre, sem saber a quem perguntar. Somam-se a isso a dificuldade de se posicionar em um mercado concorrido, a pressão para cobrar honorários justos e a necessidade de afirmar, desde cedo, o próprio espaço. É nesse momento que a ausência de hierarquia prevista no Estatuto deixa de ser teoria. Comigo, a ordem se inverteu: antes mesmo da primeira audiência, fui contratada para atuar em um júri popular. Não fui sozinha. Convidei um advogado parceiro, mais experiente, para atuar ao meu lado, e é assim, de pouco em pouco, que o caminho se abre.
Para quem está começando, vale uma regra simples: se der medo, vá com medo mesmo. O medo não desaparece com o tempo e talvez nem deva desaparecer por completo. Ele nos obriga a estudar, a revisar, a refletir sobre cada passo. O que não podemos permitir é que ele nos paralise. Não há preparação que elimine por completo o frio na barriga de se levantar diante dos jurados, mas há preparação suficiente para que ele não fale mais alto que nós. A insegurança dos primeiros anos não é sinal de incapacidade; é sinal de que entendemos o encargo que nos é atribuído.
Ninguém precisa atravessar esse começo sozinho. Quem já teve uma porta aberta por um colega sabe o quanto isso muda uma trajetória. Parceria pode ser uma dúvida tirada por mensagem, uma indicação de cliente, uma audiência dividida ou simplesmente a experiência de alguém que já enfrentou a mesma questão. Pedir ajuda não diminui ninguém; demonstra compromisso com o cliente e com a boa técnica. Os colegas não são concorrentes. A advocacia é um espaço amplo, que comporta todos e cresce quando o conhecimento circula em vez de ser disputado. Sozinho, talvez se chegue mais rápido. Mas, na advocacia, quem caminha junto chega mais longe e chega mais inteiro.
É justamente aí que está o sentido da OAB Jovem. A Ordem não é apenas a instituição que fiscaliza a profissão; é também a casa da advocacia, e a OAB Jovem é a porta de entrada dessa casa para quem acabou de chegar. Ela existe para que quem está começando encontre acolhimento, representação e oportunidades de crescer, além de apoio na defesa de suas prerrogativas, que não são privilégio, mas garantia do cidadão representado. Por meio de eventos, projetos e momentos de convivência, buscamos aproximar os jovens advogados entre si e também dos colegas mais experientes, porque a troca entre gerações enriquece todos os lados. Participar desses encontros é uma forma de aprender, criar vínculos e perceber que as dificuldades de um costumam ser as mesmas de muitos.
É com esse espírito que passo a integrar a mesa diretora da OAB Jovem de Divinópolis. Recebo essa honra com alegria e, sobretudo, com senso de responsabilidade, ciente de que não se trata de um título, mas de um compromisso com os colegas que ainda estão construindo sua trajetória. Por isso, deixo aqui um convite. Se você é jovem advogado ou advogada em Divinópolis, procure a OAB Jovem. Converse com qualquer membro da mesa diretora, participe dos eventos e acompanhe nossas ações pelo Instagram @oabjovemdivinopolis. Estamos à disposição.
O que eu e a OAB Jovem desejamos é simples: que cada jovem advogado que passar pela nossa Subseção se sinta acolhido, saiba que tem apoio e tenha a certeza de que não está sozinho. Afinal, se a Constituição nos reconhece como indispensáveis desde o primeiro dia, cabe a nós garantir que ninguém precise descobrir isso sozinho. Seja forte e corajoso(a), doutor(a)!
Mariah Rezende é advogada (OAB/MG 242.339), com foco em Direito Penal e Direito Internacional. Pós-graduada em Direito Penal e Processo Penal e em Direito Processual Civil, cursa Relações Internacionais e integra a diretoria da OAB Jovem de Divinópolis.
Instagram: @advogadamariahrezende
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