Junho interrompe recuperação do emprego formal em Divinópolis
Caged registra fechamento de 142 vagas; setor de serviços lidera as demissões e acende sinal de alerta na economia local

Jorge Guimarães
Após um início de ano marcado pela recuperação do mercado de trabalho, com saldo positivo na geração de empregos formais, Divinópolis voltou a acender o sinal de alerta. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quarta-feira, 29, mostram que o município registrou desempenho negativo em junho, frustrando as expectativas de continuidade do crescimento observado em maio, quando foram abertas 177 vagas com carteira assinada.
O resultado preocupa ainda mais pelo desempenho do setor de serviços, tradicionalmente o principal motor da economia local e líder na criação de empregos, que desta vez foi o maior responsável pelo saldo negativo. Entre os grandes setores da economia, apenas o agronegócio encerrou o mês com resultado positivo, enquanto todos os demais fecharam no vermelho.
Números
Os dados do Caged revelam que a recuperação do mercado de trabalho em Divinópolis perdeu força no encerramento do primeiro semestre. O município registrou em junho, 2.763 admissões e 2.905 desligamentos, encerrando o mês com saldo negativo de 142 vagas formais. O resultado interrompe o desempenho positivo observado em maio e acende um sinal de alerta sobre o ritmo da atividade econômica local.
O principal destaque negativo foi o setor de serviços, historicamente responsável pela maior parcela da geração de empregos na cidade. Durante o mês, o segmento contabilizou 1.296 contratações e 1.374 desligamentos, resultando no fechamento de 78 postos de trabalho. O desempenho chama a atenção por se tratar do maior empregador de Divinópolis é um dos principais termômetros da economia local, já que concentra atividades ligadas ao comércio, saúde, educação, transporte, alimentação e prestação de serviços em geral.
A retração também atingiu os demais setores produtivos. O comércio encerrou junho com saldo negativo de 28 vagas, reflexo da redução no ritmo das contratações e do aumento dos desligamentos. A construção civil perdeu 25 postos de trabalho, enquanto a indústria fechou o mês com saldo negativo de 18 vagas, indicando que a desaceleração foi generalizada entre os principais segmentos da economia.
A única exceção foi a agropecuária, que apresentou saldo positivo de sete empregos formais. O setor registrou 24 admissões e 17 desligamentos, mantendo desempenho favorável mesmo com participação menor na estrutura econômica do município. Apesar do resultado positivo, a geração de vagas no campo não foi suficiente para compensar as perdas registradas nos demais setores.
Análise
Na avaliação do economista Leandro Maia, o resultado do Caged em junho merece atenção, principalmente pelo comportamento do setor de serviços, tradicionalmente responsável por impulsionar a geração de empregos em Divinópolis. Para ele, o saldo negativo de 142 vagas formais interrompe a recuperação observada em maio e reforça a necessidade de acompanhar de perto a evolução da atividade econômica nos próximos meses.
Segundo Maia, o fato de o segmento de serviços liderar as demissões é um indicativo de desaceleração em uma das principais bases da economia local.
— Quando o setor de serviços perde força, o impacto é significativo, porque ele concentra grande parte dos empregos formais do município e possui forte ligação com o comércio, a indústria e o consumo das famílias. Esse desempenho pode refletir um momento de maior cautela por parte das empresas diante das incertezas econômicas e do elevado custo operacional — analisa.
O economista fala também sobre o desempenho do agronegócio.
— O desempenho do agronegócio mostra a resiliência da atividade, mas seu peso na estrutura econômica de Divinópolis é menor em relação aos demais setores. Por isso, o resultado positivo não foi suficiente para compensar as perdas registradas nas demais áreas — alerta.
Próximos meses
Para os próximos meses, Leandro Maia acredita que o desempenho do mercado de trabalho dependerá da retomada do consumo, da confiança dos empresários e da evolução do cenário macroeconômico.
— É importante acompanhar os próximos levantamentos do Caged para verificar se junho representa apenas uma oscilação pontual ou o início de um movimento de desaceleração mais consistente. A expectativa é que datas importantes para o comércio no segundo semestre e uma melhora do ambiente econômico possam contribuir para uma recuperação das contratações — conclui.
Centro-Oeste
Os dados da pesquisa mostram que o mercado de trabalho na região Centro-Oeste apresentou desempenhos distintos entre os principais municípios em junho. Enquanto algumas cidades conseguiram manter saldo positivo na geração de empregos formais, outras enfrentaram retração significativa, refletindo as características econômicas de cada localidade.
A situação mais preocupante foi registrada em Nova Serrana, conhecida como a “Capital do Calçado” de Minas Gerais. O município contabilizou 1.459 admissões e 1.686 desligamentos, encerrando o mês com saldo negativo de 227 vagas formais. O principal responsável pelo resultado foi a indústria, base da economia local, que fechou 282 postos de trabalho. O desempenho pode acender um alerta, já que o setor calçadista concentra grande parte das empresas e dos empregos do município, tornando qualquer retração um fator de impacto para toda a cadeia produtiva e para a economia regional.
Em Itaúna, o cenário foi de estabilidade. A cidade registrou 1.477 admissões e 1.476 desligamentos, encerrando o mês com saldo positivo de apenas uma vaga formal. Apesar do equilíbrio no resultado geral, os números revelam comportamentos distintos entre os setores econômicos. Enquanto a construção civil apresentou retração, com fechamento de 144 postos de trabalho, a indústria compensou parte dessas perdas ao criar 133, demonstrando resiliência do segmento industrial no município.
Já em Pará de Minas, o mercado de trabalho apresentou desempenho mais favorável. Registrou 1.394 admissões e 1.332 desligamentos, alcançando saldo positivo de 62 empregos formais. O principal destaque foi novamente a indústria, que contribuiu para o resultado positivo ao gerar 111 novas vagas, reforçando a importância do setor para a economia local e para a manutenção do nível de emprego.
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