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Economia

IPCA desacelera em julho, mas inflação ainda supera meta oficial

Índice sobe apenas 0,06%, impulsionado pela queda dos preços dos alimentos e acumulado em 12 meses recua para 4,52%

Por Jornal Agora· 5 min de leitura
IPCA desacelera em julho, mas inflação ainda supera meta oficial

Jorge Guimarães 

Mesmo com a inflação apresentando oscilações ao longo dos primeiros meses do ano, o Brasil segue, até o momento, dentro da meta estabelecida pelas autoridades econômicas. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que começou o ano com alta de 0,33% em janeiro, permanece no intervalo previsto pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo Banco Central, cuja projeção é encerrar o ano com inflação de 3,95%, mantendo o cenário sob monitoramento diante das pressões sobre os preços.

Dentro deste contexto, entre altas e baixas, a inflação oficial do país voltou a perder força em julho e registrou um dos menores resultados do ano. De acordo com dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou apenas 0,06% no mês, após ter registrado alta de 0,41% em junho.

O resultado ficou bem abaixo das expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados antes da divulgação projetavam uma inflação de 0,22% para julho, o que torna o desempenho do índice uma surpresa positiva e reforça os sinais de desaceleração no ritmo de alta dos preços.

Sob controle?

A variação mais moderada do IPCA indica uma redução das pressões inflacionárias observadas nos meses anteriores e fortalece a expectativa de que a inflação permaneça sob controle ao longo do segundo semestre. 

— Apesar da desaceleração registrada em julho, a evolução dos preços continuará dependendo do comportamento de grupos como alimentação, habitação, transportes e serviços, além do cenário econômico nacional e internacional — avalia o economista Lazaro Ribeiro. 

Números 

Embora a inflação mensal tenha desacelerado em julho, o índice acumulado em 12 meses ainda permanece acima da meta estabelecida pelo Banco Central. Segundo dados do IBGE, o IPCA acumula alta de 4,52% nos últimos 12 meses encerrados em julho, abaixo dos 4,80% registrados até junho, mas ainda superior ao teto de 4,5% definido pelo sistema de metas de inflação.

O resultado reforça o cenário de cautela para a política monetária, visto que a divulgação dos dados ocorre a poucos dias da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para os dias 4 e 5 de agosto. Na ocasião, os diretores da instituição irão avaliar o comportamento da inflação e outros indicadores econômicos para decidir sobre o futuro da taxa básica de juros (Selic), atualmente fixada em 14,25% ao ano.

O fato de a inflação ainda superar o limite da meta mantém o mercado financeiro atento às sinalizações do Banco Central. 

— A expectativa é de que a autoridade monetária continue adotando uma postura prudente, acompanhando a evolução dos preços e a atividade econômica antes de definir os próximos passos da política de juros — pontua o economista. 

Grupos

A desaceleração da inflação em julho foi influenciada, principalmente, pelo comportamento dos preços dos alimentos, que registraram queda e ajudaram a conter o avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Entre os nove grupos de despesas pesquisados, habitação apresentou a maior variação, com alta de 0,97%, sendo o principal responsável pela pressão inflacionária no mês.

Em sentido contrário, o grupo alimentação e bebidas registrou retração de 0,66%, apresentando a menor variação entre todos os segmentos pesquisados e exercendo o maior impacto negativo sobre o índice geral. A redução dos preços dos alimentos contribuiu de forma decisiva para que a inflação oficial encerrasse julho em apenas 0,06%.

Os demais grupos pesquisados pelo IBGE tiveram comportamento mais moderado. Vestuário registrou queda de 0,33%, enquanto saúde e cuidados pessoais avançou 0,28%. 

— As variações observadas demonstram que, embora alguns setores ainda pressionem o custo de vida, a redução nos preços da alimentação teve papel fundamental para aliviar a inflação no período— observou Ribeiro.

Itens

A queda dos preços dos alimentos consumidos dentro de casa foi o principal fator para a desaceleração da inflação em julho, impulsionado, principalmente, pela redução de 1,14% na alimentação no domicílio.

Entre os produtos que mais contribuíram para esse resultado estão o tomate, que ficou 19,95% mais barato no mês, a batata-inglesa, com queda de 10,03% e o café moído em menos 3,13% . Esses alimentos tiveram peso importante na diminuição do custo da cesta de compras das famílias brasileiras.

Por outro lado, alguns itens seguiram em trajetória de alta. A cebola apresentou aumento de 7,10% em julho, enquanto o pão francês ficou 0,65% mais caro. Apesar dessas elevações pontuais, elas não foram suficientes para reverter o movimento de queda observado no conjunto dos alimentos, que exerceu influência decisiva para manter a inflação oficial praticamente estável no mês.

Supermercados 

Para o gerente de supermercados Sérgio Antônio de Oliveira, a desaceleração da inflação em julho e a redução dos preços, em alguns importantes itens da alimentação, representam um alívio tanto para os consumidores quanto para o varejo supermercadista. Segundo ele, a queda em produtos como tomate, batata inglesa e o café moído tende a ser percebida rapidamente pelos clientes, que estão cada vez mais atentos às variações de preços e aproveitam as oportunidades para recompor a cesta de compras.

Na avaliação do gerente, o recuo dos alimentos contribui para aumentar a confiança do consumidor e pode estimular um volume maior de compras, especialmente em produtos que tiveram altas expressivas nos últimos meses. 

— Quando os preços começam a dar sinais de estabilidade ou de queda, o consumidor volta a colocar alguns itens no carrinho e passa a comprar com um pouco mais de tranquilidade — observa.

O gerente ressalta, entretanto, que o cenário ainda exige cautela. Apesar da redução registrada em julho, alguns produtos continuam sujeitos às oscilações provocadas pelas condições climáticas, custos de produção, logística e comportamento das safras. Além disso, despesas como energia elétrica e outros custos operacionais seguem pressionando o funcionamento dos supermercados.

— O mercado trabalha diariamente para repassar ao consumidor as reduções obtidas junto aos fornecedores, mas isso depende da continuidade desse movimento de estabilidade nos custos. Se esse cenário se confirmar, todos ganham: o consumidor, que recupera poder de compra, e o varejo, que tende a registrar maior fluxo de clientes e crescimento nas vendas — conclui.


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