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João Carlos Ramos

Leolino e Pórcia - Cap. XIV

Por Bruno
Leolino e Pórcia - Cap. XIV

Pórcia: duplamente infeliz 

A solidão, nunca está sozinha. Vive sempre acompanhada da fatalidade. O Coronel Castro (famoso “PERIQUITÃO”, das batalhas baianas), ainda em vida, orientou a alguns familiares mais próximos que cuidassem da Pórcia, destinando-lhe um casamento, a fim de cicatrizar as feridas causadas por aquela paixão clandestina.

Um ano após, o casamento chegou. Um militar, jurando amor eterno para aquele coração despedaçado. Temendo outra decepção familiar, Pórcia não teve outra alternativa, senão se casar. "Amar uma parede, ser devorada pela sede...". Aquele homem bom, jamais conseguiria preencher aquele abismo. Suas noites, seriam escuras por dentro, durante toda vida. A sombra de Leolino a acompanharia sempre e ela deveria levar para a sepultura aquelas lembranças. Toda mulher quer apenas uma coisa na vida e outra na morte: ser amada ardentemente e ser lembrada docemente. Um homem bom é pouco para uma mulher sedenta. Ela precisa da selvageria do amor das montanhas. Precisa do ruído das cachoeiras, ouvindo o grito da alvorada, anunciando a manhã sem fim. Lembrando de outra musa infeliz, chamada Ana de Assis, esposa do famoso escritor Euclides da Cunha, autor do livro Os sertões :  vítima do destino, foi parar nos braços de Dilermando, vivendo uma paixão tórrida, desafiando tudo e todos da época. Cercada pela imprensa e toda a sociedade hipócrita, calou a todos com a famosa frase: "Eu não errei, eu amei !... ".  Assim também, Pórcia, em silêncio, gritava para que todos pudessem ouvir:  "Eu também não errei ! Amei um homem chamado Leolino e jamais amarei outro alguém...

FIM DO CAP. XIV

JOÃO CARLOS RAMOS 

jocarramos@gmail.com

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