Pórcia - Solidão do Amor

Leolino e Pórcia- cap. XIII
Desde a separação de Leolino, Pórcia se isolou em um quarto no casarão dos Castros. O labirinto das recordações a deixava atônita e sem chão. Lembrava com ansiedade do primeiro olhar que fora a gota d'água na montanha que se tornaria um rio, fugindo completamente de seu controle. Ela descobriu que estava amando pela primeira vez um homem. Seus pensamentos se tornavam tempestuosos ao saber que as consequências daquele sentimento poderiam ser drásticas...
Lembrava do olhar de Leonino que a convidava para o banquete do amor, custe o que custasse. Pórcia chora desesperadamente ao perceber que está triste e só.
Uma mulher, amiga de confiança nas horas mais amargas, sempre a deixava a par das novidades quer boas, quer ruins. Um vulto passou perto de Pórcia e de repente, estava diante dela, a grande amiga. — Tenho péssimas notícias para te dar! — Fala, pois minhas lágrimas não cessam, dia e noite. — Leolino morreu... e da forma mais horripilante possível. Ele houvera fugido para o Estado de Minas Gerais e estava tranquilo, quando um tiro certeiro o atingiu pelas costas. Era um pistoleiro, amigo de sua família, que sendo informado, onde ele estava, armou-lhe uma emboscada. Como se não bastasse, seu corpo foi arrastado pelas ruas ,como se fosse um animal. Não houve tempo nem de dizer adeus ou enviar sequer um bilhete para você, Pórcia ! — (Nesse instante, Pórcia caiu ajoelhada e logo após o desmaio, foi inevitável. —Leolino,não! Leolino,não! (gritava, antes do desmaio). A grande amiga a segurou no colo, sem poder fazer nada. Aguardava, apenas o momento em que ele viesse recobrar os sentidos. Uma hora após, a amiga disse :— Todo grande amor termina assim, seja pela morte ou pela despedida. Infelizmente,mais cedo ou mais tarde, todo esse amor, iria desembocar no mar das lágrimas. Seja forte, Pórcia! Apenas as lembranças, serão seu consolo.
—Jamais serei feliz com outro homem, ainda que seja um príncipe! Prefiro mil vezes errar amando, do que ser acompanhada de um vazio imensurável.
Uma mulher, infeliz, tocará sempre um violino ao vento ...
FIM DO CAP. XIII
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