Três gênios se encontram...

Leolino e Pórcia - CAP. XVII
O sobrinho de Pórcia, Castro Alves, além de poeta, também era estrategista, o sentido sublime da palavra. Ouvindo orientações de amigos influentes, entusiastas do seu talento, resolveu viajar para o Rio de Janeiro, considerada a capital da cultura brasileira, sobretudo, da poesia. Seu objetivo? — Se encontrar com o "Papa da Literatura brasileira", Machado de Assis, a fim de lhe mostrar o livro GONZAGA, OU A REVOLUÇÃO DE MINAS e outros poemas que já faziam sucesso em sua terra, a Bahia. Ele solicitou uma carta de uma personalidade influente, direcionada ao ilustre autor do livro Senhora e outros clássicos, José de Alencar. Com muita esperança, viajou para o Rio de Janeiro. Estava acompanhado de sua amante e musa maior, a atriz portuguesa, Eugênia Câmara. Chegando lá, se direcionaram para a suntuosa casa do famoso escritor e se apresentaram a ele. Alencar, leu e releu a carta de apresentação e imediatamente ficou entusiasmado com o talento do poeta. Foi recebido em festa e de forma inusitada. No dia seguinte, o grande romancista foi logo escrevendo uma carta para Machado de Assis, nestes termos iniciais : —Recebi ontem a visita de um poeta. O Rio de Janeiro não o conhece ainda, mas em breve Brasil o há de o conhecer. O Senhor Castro Alves é hóspede nesta cidade por alguns dias apenas. Vai à São Paulo, concluir o curso que encetou em Olinda. Nasceu na Bahia, a pátria de tão belos talentos,a Atenas brasileira que não cansa de produzir estadistas, oradores, poetas e guerreiros. A genealogia dos grandes poetas começa com seu primeiro poema. Prossegue, florindo de várias formas, o talento do "poeta dos escravos".
A seguir, rumaram para a casa de Machado de Assis que já o aguardava. Após a "troca de confetes", comum entre eles, Machado, famoso por seus críticos e não apenas por seus romances da escola realista, não resistiu ao talento do jovem poeta e resolveu escrever uma carta-documento, direcionada a Alencar, e que seria publicada no jornal Correio Mercantil em 1868. iniciava a carta : — É boa e grande fortuna, conhecer um poeta. A maior e melhor fortuna é recebê-la das mãos de Vossa Excelência, com uma carta que vale um diploma, com uma recomendação que é uma sagração: A musa do Senhor Castro Alves, não podia ter mais feliz intróito na vida literária... E termina dizendo: contra a conspiração da indiferença, tem V. Excelência um aliado invencível : é a conspiração da posteridade!
Assim iniciou a vitoriosa carreira literária o "Condor do lirismo brasileiro." Mais tarde, ele haveria de recitar, no Teatro de São Paulo, o famoso poema: "ODE AO DOIS DE JULHO - Não! não eram dois povos que abalavam naquele instante o solo ensanguentado...Era o porvir—em frente do passado — A liberdade em frente a escravidão. Era a luta das águias— e do abutre, a revolta dos pulsos contra os ferros. O pugilato da razão — com os erros,o duelo da treva — e do clarão." E assim o poeta das multidões, iniciou sua jornada de luz. Consagrado por Machado de Assis e José de Alencar,os maiores críticos do século XIX e até hoje, inigualáveis. Poeta de veia altamente social, sempre preocupado com aqueles que os escravocratas nivelavam com aos animais, a saber os escravos... Alguns críticos o igualam ao famoso escritor francês Victor Hugo. Com sinceridade, respeitando o talento deste, Castro Alves o supera muitíssimo.
FIM DO CAP. XVII
JOÃO CARLOS RAMOS
jocarramos@gmail.com
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