Leonídia, a musa infeliz

LEOLINO E PÓRCIA - CAP. XIX
Dentre as namoradas do poeta Castro Alves, uma chamada Leonídia, se destacou, devido aos laços adquiridos na infância. Natural de Curralinho-Bahia (antiga vila, berço do grande poeta, que foi elevado à categoria de Município com o nome Castro Alves, em homenagem a ele. Devido "às voltas que a vida dá", o poeta, obviamente, teria que estudar e posteriormente se tornar um grande escritor. Por causa disso, ele se mudou para Salvador em 1854. Estudou no Ginásio baiano, do célebre Professor Abílio César Borges, o Barão de Macaúbas. No ano de 1862, ele se mudou para a cidade de Recife, a fim de estudar o curso de Direito, juntamente com seu irmão mais velho. Quando ainda morava em Curralinho, a referida namorada, o inspirou a escrever o poema "O HÓSPEDE — E aqui só tens uma guitarra e um beijo e o fogo ardente de ideal desejo nos seios virgens da infeliz serrana! Foi procurar nos lares do estrangeiro, o fantasma sequer de uma esperança ..." . Indubitavelmente ele se referia, já criança, ao amor infeliz de Leonídia. Além de poeta, ele também inúmeras vezes usava o dom de profecias. A bela Leonídia, por todo esse tempo esperava o retorno de seu grande amor .Após a rejeição da atriz Eugênia Câmara e do acidente casual, que lhe custou a amputação de um dos pés, fraco e doente, foi aconselhado por seu médico a retornar à antiga Curralinho, a fim de respirar um clima mais ameno, iniciando o processo da possibilidade de cura. Foi aí que o destino agiu, além da curva...
Leonídia, seu amor de infância, agora mais bela e ainda jovem, o aguardava ansiosamente. A vila era pequena e todos auxiliavam uns aos outros em todos os aspectos. Se reencontraram na noite mais escura, quando o sol se pôs e a tímida lua, antecipava a dor da saudade... Como disse anteriormente, Castro Alves era profético e sua poesia, altamente inspirada, poderia ser aplicada em qualquer tempo. Dois anos antes de sua morte, havia escrito uma das maiores páginas poéticas da literatura brasileira. Nela, havia o retrato de sua morte em plena juventude e os amores que ele deixaria, apagados pelo tempo, inclusive, o amor não correspondido de Leonídia. "MOCIDADE E MORTE— Oh! eu quero sonhar viver, beber perfumes na flor silvestre que embalsama os ares. Ver minh'alma adejar pelo infinito, qual branca vela n'amplidão dos mares. No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida. —Árabe errante eu vou dormir à tarde, à sombra fresca da palmeira erguida ! Mas, uma voz, responde-me sombria: — Terás o sono sob a lájea fria!... "A bela Leonídia, sobreviveria ao seu amado e, consequentemente, sua dor seria duplamente maior. Em 1871, Castro Alves morreu, vítima de tuberculose. A jovem iniciaria uma jornada de morte lenta, vítima de uma paixão avassaladora, totalmente inesquecível. O poeta havia tocado as cordas do violino de sua alma e o som, jamais cessaria... Dentro de pouco tempo, conforme os costumes da época, ela se casou, mas iniciou atitudes estranhas:
A loucura era um fato! O seu casamento acabou, após seu marido constatar a triste realidade. Ela falava sozinha e carregava em uma trouxa, contendo poemas e uma lista de doces preferidos do seu falecido amado, a quem chamava constantemente de "noivo".
Foi nesse período que ela foi internada no Hospício São João de Deus em Salvador, no ano de 1913. A famosa escritora Myriam Fraga, publicou o livro: Leonídia, a musa infeliz do poeta Castro Alves. Além dela ser imortalizada em livros e artigos, também grandes espetáculos teatrais, musicais e de balés foram apresentados, inspirados em sua paixão mortal.
Quem ama, saiba que "O abismo, está logo alí..."
FIM DO CAP.. XIX
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