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João Carlos Ramos

Lições

Por Bruno
Lições

João Carlos Ramos

“Seja mais forte do que sua condição”, dizia um dos maiores oradores sacros que o Brasil já teve. Hoje ele descansa além do rio e sempre estará vivo aos olhos da história. Sabemos que o homem é pó…

Também ele é fruto do meio em que vive. Porém, quero falar de dois homens: o exterior e o interior. No tocante ao exterior, temos lutas diárias. Primeiramente, contra nós mesmos. Nossos pensamentos nos ferem constantemente, nos condenando por tudo aquilo que fizemos de errado e (ou) deixamos de fazer certo. A vida é breve e nós voamos (dizia o salmista Davi). Além disso, aqueles que nos cercam sempre nos apontam os navios que naufragaram e esquecem de todos os que chegaram ao porto. Inegavelmente, somos influenciados, principalmente por aqueles que tanto amamos e que não possuem uma visão além do véu.

Os opositores, por inveja ou por desejos inconfessáveis, nos convidam sempre a parar, pois jamais conseguiremos vencer. Até aqui, citei três inimigos poderosos: nós, os amigos e os adversários. Gostaria, nesta oportunidade, de voltar a citar outro grande sábio norte-americano, chamado William Branham: “A picada do sabiá não estraga a maçã, e sim o bichinho lá dentro”.

Nós devemos, a meu ver, realizar o nosso parto interior. Explico: a mãe perde todo o seu cuidado com a opinião alheia e mesmo com seus cuidados básicos de beleza, para se concentrar única e exclusivamente no nascimento do filho. É uma questão de vida ou morte de duas pessoas, e ela não tem tempo para ver nem o ouro mais reluzente. Em meio às dores intensas (em um parto natural), o sol de uma nova vida, raiando no horizonte de si mesma, traz uma alegria intensa, indescritível… Chegou a recompensa, e todos os males ficaram no passado. O mundo da mãe, agora, consiste em viver para aquela vida.

Senhoras e senhores que leem esta crônica: o mesmo processo deve acontecer com todas as pessoas. Devemos realizar, nós mesmos, nosso parto interior. Logo a seguir, nossas atenções se voltarão para a alegria do sucesso almejado. Amigos e adversários ficarão sepultados no cemitério do velho homem e, a partir de agora, seremos conscientes de que, como diz Richard Bach: “O paraíso é uma questão pessoal”.

Também vale a pena recordarmos do poema Se, de Kipling:

“… Se és capaz, de entre a plebe, não te corromperes, e entre reis, não perder a naturalidade. E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, se a todos podes ser de alguma utilidade…”

(Ele prossegue, nos advertindo sobre a vitória sobre si mesmo).

A partir daquela etapa, o bebê iniciará sua jornada rumo a si mesmo, pois o homem será feliz apenas se ficar estagnado na infância, pois somente as crianças são realmente felizes. Alguém pode questionar: poderá alguém agir dessa forma? A resposta é rápida como um raio: “Os sábios entenderão tudo o que a sabedoria diz!”.

Onde estão os poderosos que morreram no passado? O que valem os milhões de um paciente em fase terminal? O homem nasce nu e começa a se despir de sua materialidade. Deve começar a jogar suas bagagens ao mar. A grande tempestade da morte pode chegar imediatamente.

Cito o Mestre dos mestres, Jesus de Nazaré, que não tinha onde reclinar sua cabeça: “De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”

Sucesso!

jocarramos@gmail.com

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