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João Carlos Ramos

Carta para Jesus Cristo

Por Bruno
Carta para Jesus Cristo

João Carlos Ramos

LEOLINO E PÓRCIA  - CAP. XXX

Divinópolis,17 de Janeiro de 2026

Vossa Onipotência  

Senhor Jesus Cristo,

Saudações!

Sinto-me extremamente feliz pela rica oportunidade de falar com Vossa Majestade, uma vez que sua realeza é notória, seu cetro domina os corações de toda a humanidade, e sua superioridade é notória acima de tudo e de todos, em todos os séculos.

Falar contigo é dificílimo, uma vez que sondas os corações e conheces os pensamentos e atitudes de todos os mortais. A Bíblia Sagrada lhe concedeu dezenas de títulos, e eu lhe concedo mais um, que é de valor imensurável: és meu salvador pessoal! Escolhido entre dez milhares, Rosa de Sarom, Lírio dos Vales, Alfa e Ômega, Princípio e Fim e o mais solene de todos: a imagem do Deus invisível. Em ti habita toda a plenitude da divindade, embora queiram fazer de ti uma suposta segunda pessoa.

Tenho a santa ousadia de lhe comunicar algo que, obviamente, já sabes: o rapto de Pórcia, realizado por Leolino. Escrevi vinte e nove capítulos sobre o fato e suas consequências, completando o trigésimo com esta carta, encerrando assim a série almejada. Tudo o que escrevi foi baseado em fatos reais. Embora tu sejas puro e justo, o seu ministério de Juiz Supremo está no porvir, quando será instalado o Juízo Final. Em meu parecer, tudo depende dos motivos e objetivos na esfera do julgamento divino.

Todo ser humano falha por ser originado do barro e, muitas vezes, foge de seu controle, tendo arrependimentos tardios. O Senhor sempre lhes concede uma oportunidade de se redimirem para servirem de exemplo aos demais. No caso da jovem Pórcia, ela foi criada em um lar opressor e altamente machista, conforme a cultura da época. Ela tinha um enorme vazio dentro do coração, sem nenhuma perspectiva de futuro promissor.

O senhor Leolino, mesmo sendo um homem casado, não teve a oportunidade de se aventurar em uma região onde o amor prometia a felicidade, ainda que limitada. Ambos, por conseguinte, eram infelizes. O destino preparou um banquete para eles, antecedendo a dor em todos os seus aspectos. Foram como ovelhas para o matadouro, guiados pelo bode do destino. Sabiam que estavam entrando em uma senda de navalha, cujos abismos eram intransponíveis. Como diziam os antigos em minha infância: “Depois da onça morta, todos querem ser caçadores”.

Condenar uma mulher apaixonada e um amante disposto a tudo para satisfazer aquela paixão é facílimo e, medindo as devidas proporções, é de uma hipocrisia e crueldade enormes. Em minha pequenez, prefiro ficar em silêncio. O Senhor de toda carne saberá, no último dia, separar as ovelhas dos bodes inquisidores.

Portanto, Tu, ó Salvador, que acolheste Maria Madalena, Zaqueu, o ladrão crucificado e todos os famintos e miseráveis que vinham ao seu encontro, mesmo não podendo interceder pelos que já partiram, aguardo um belo desfecho final para esse caso. Confio em sua justiça, porque não és político, comprado com ouro ou negociações espúrias. Sua bondade é infinita e conheces o fim desde o princípio.

Por exatos trinta e três anos e meio, Tu foste perseguido com extrema crueldade. Logo ao nascer, o Dragão Herodes se posicionou diante de sua mãe Maria para devorar o recém-nascido, obrigando José a realizar sua famosa fuga para o Egito. Sua infância foi cheia de percalços, pois nem as demais crianças o compreendiam. Ainda jovem, foste para o deserto, aprendendo mais com a mestra chamada solidão, da qual todos fogem.

Ao regressar, curaste os doentes, libertaste os aflitos e deste pão e alegria aos injustiçados. Condenaste os ricos opressores, ficando sempre ao lado dos pobres e desprotegidos. Por fim, Tu foste barbaramente assassinado, apenas por ser bom e ensinar a misericórdia. Não entenderam sua mensagem de amor e graça. Com toda sinceridade, eu te entendo e te adoro, Mestre!

A sua bênção, meu Deus encarnado!

Até o dia do Juízo Final!

jocarramos@gmail.com

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