Lohanna rebate vice-governador e acusa governo de distorcer informações sobre Hospital Regional

Lucas Maciel
A discussão sobre o Hospital Regional de Divinópolis ganhou novos capítulos nesta semana, marcada primeiro pela visita do governador Romeu Zema à região e, agora, por um embate com troca de farpas entre a deputada estadual Lohanna França (PV) e o vice-governador Mateus Simões (PSD).
A parlamentar reagiu às declarações de Simões, que afirmou que a retirada do imóvel da lista do Propag teria causado um “prejuízo de R$ 150 milhões” ao Estado, uma fala que repercutiu de imediato e levou Lohanna a se posicionar publicamente.
O episódio acrescenta mais um capítulo da longa novela que envolve a entrega do HR, uma obra que há mais de uma década permanece inacabada e sem previsão de funcionamento.
Entenda
Tudo começou quando, em um pronunciamento, o vice-governador voltou a criticar a articulação da deputada que retirou o hospital da lista de bens destinados ao abatimento da dívida mineira com a União. Para Simões, essa mudança teria provocado um prejuízo financeiro ao governo estadual, argumento que reacendeu o clima de tensão em torno do tema e abriu espaço para a reação imediata da parlamentar.
— Ela causou um prejuízo de 150 milhões de reais para o governo do Estado de Minas Gerais, para o povo mineiro — afirmou Simões.
A resposta da deputada veio horas depois. Através das redes sociais, Lohanna classificou as colocações como “irresponsáveis” e disse que o governo tenta transferir a responsabilidade pelo atraso na abertura da unidade.
— Tem que ter muito pouco compromisso com os fatos e com a realidade para fazer uma fala tão mentirosa quanto a do vice-governador — declarou.
Ela afirmou ainda que não aceita ser responsabilizada pelos impasses, e destacou que a dívida do Estado cresceu significativamente durante a gestão Zema.
— Essa dívida subiu 51% no governinho desse pessoal, está atingindo 180 bilhões de reais. Os 150 milhões parecem troco perto disso — rebateu.
Argumentos
Lohanna também lembrou que o terreno do hospital pertenceu ao município até 2022 e foi doado ao Estado para que a unidade se tornasse um hospital universitário da UFSJ, destino confirmado no termo de cooperação assinado entre governo federal e governo estadual em janeiro deste ano.
Segundo ela, ao tentar incluir o imóvel no Propag, o Executivo mineiro sabia que isso poderia atrasar a transferência para a universidade.
— Eu vou continuar colocando o interesse das pessoas em primeiro lugar. O povo não aguenta mais. Gente esperando 10, 20, 30 dias por cirurgia lá na UPA de Divinópolis — disse.
A parlamentar ainda sugeriu que o vice-governador visite unidades de saúde da região para compreender a demanda reprimida por procedimentos.
Contexto do projeto
A retirada do Hospital Regional do Propag foi anunciada pelo governador Romeu Zema (Novo) no início do mês, após mobilização de prefeitos, vereadores e lideranças de mais de 50 municípios em Brasília. A medida destravou a tramitação na Assembleia Legislativa dos projetos que autorizam a doação do imóvel à UFSJ. No entanto, até o momento, não se teve nenhuma atualização.
A universidade e a Ebserh defendem que a transferência seja votada ainda este ano para que não haja impacto do calendário eleitoral em 2025, e iniciaram a campanha “Vota Já” para pressionar pela aprovação do texto.
Situação da obra
Durante agenda em Divinópolis nesta segunda-feira, 17, o governador afirmou que a construção está concluída e que o Estado repassou R$ 85 milhões para que a Ebserh adquira os equipamentos necessários. Segundo ele, essa é a última etapa antes de o hospital começar a funcionar.
— A obra já está concluída e nós já repassamos o valor para que sejam feitas as aquisições — destacou Zema.
O chefe do Executivo estadual disse ainda que a inauguração do prédio pode ocorrer a qualquer momento e que aguarda apenas a definição de agenda.
— O prédio já está pronto. Se quiser, dá para inaugurar hoje. É só me convidar — afirmou.
Apesar disso, não apresentou previsão para início do atendimento, pois aguarda a conclusão do processo de compra e instalação dos equipamentos.
Próximos passos
Com a doação do imóvel em fase de encaminhamento e a pressão pública por celeridade, o encaminhamento na Assembleia será decisivo para definir os prazos.
A universidade reforça que, sem a autorização legislativa, não é possível avançar no cronograma de contratação de pessoal, montagem dos serviços e abertura gradual da unidade.
Enquanto governo estadual e governo federal divergem sobre responsabilidades e etapas, o hospital segue fechado há mais de dez anos, e a população da região continua aguardando a ampliação da oferta de procedimentos de média e alta complexidade.
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