Hospital Regional pode seguir fechado por mais dois anos

Lucas Maciel
Mais de dez anos após o início das obras e ainda sem atender um único paciente, o Hospital Regional de Divinópolis pode permanecer fechado por ainda mais tempo se a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) não votar, com urgência, a doação do imóvel à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).
O alerta foi feito pelo reitor da universidade, Marcelo Andrade, durante a entrega de uma moção congratulatória na Câmara de Divinópolis, na noite desta terça-feira, 18. Em discurso direto, ele afirmou que o cronograma para a abertura da unidade está próximo do limite e que, se o processo não for concluído ainda neste ano, a inauguração ficará inviabilizada pelo calendário eleitoral de 2026.
Segundo o reitor, o projeto de lei, que é da deputada Lohanna França (PV) e autoriza a transferência do hospital, está parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia e precisa tramitar com rapidez. Sem essa aprovação, nenhuma etapa prática, como aquisição de equipamentos, contratação da Ebserh ou montagem das equipes, pode avançar.
Riscos
Marcelo Andrade reforçou, durante a fala, que o hospital ainda não foi doado à UFSJ e que a indefinição coloca em risco não apenas a abertura da unidade, mas também a permanência dos investimentos já feitos.
Ele lembrou que o governo federal repassou R$ 85 milhões ao governo de Minas para equipar o hospital, sendo que R$ 35 milhões já foram utilizados. Caso a transferência não se concretize, esse recurso poderá ser destinado para outras regiões do país.
— Nós temos uma linha de tempo muito perigosa. Se passarmos para 2026, não vamos conseguir colocar o hospital para funcionar, porque é um ano eleitoral. E o ano eleitoral para — afirmou.
Em tom emocionado, Marcelo disse ainda que a necessidade de abertura ultrapassa questões administrativas e políticas, alcançando a esfera humanitária.
— Nesse exato momento, tem um pai, uma mãe, um filho aguardando remoção para um leito em qualquer lugar de Minas. Muitos não sobrevivem porque não há atendimento especializado. Trazer esse hospital para Divinópolis é salvar vidas — declarou.
O reitor pediu apoio público, institucional e político para acelerar o processo, destacando que o tema é suprapartidário e que as lideranças locais têm influência decisiva na tramitação do projeto.
Críticas de Gleidson
Horas antes da declaração do reitor, o debate ganhou outro tom durante o 15º Encontro dos Consórcios Intermunicipais de Minas Gerais. O prefeito Gleidson Azevedo (Novo) fez críticas contundentes à realização do evento, afirmando que encontros institucionais têm consumido recursos e tempo, enquanto a população enfrenta dificuldades graves na rede de saúde.
— O povo quer consulta, quer exame, quer cirurgia. E está todo mundo aqui parado em mais um evento que não resolve nada — afirmou.
Gleidson disse que prefeitos, assessores e representantes de diversas cidades se reuniam em Divinópolis, enquanto unidades aguardavam reparos após as chuvas e pacientes enfrentavam filas por procedimentos básicos.
— Nós temos que estar é na porta do Estado, na Assembleia, pedindo para votar o projeto do hospital. Chega. A população não aguenta mais — disparou.
O prefeito também relatou o cansaço com a lentidão do poder público e reforçou que a cobrança pela abertura do hospital deveria ser prioridade absoluta.
Contexto político
A discussão ganhou ainda mais força após a visita do governador Romeu Zema (Novo) a Divinópolis, na segunda-feira, 17. No evento, o governador declarou que a obra está concluída e que o Estado já repassou os recursos necessários para aquisição dos equipamentos pela Ebserh.
— O prédio já está pronto. Se quiser, dá para inaugurar hoje. É só me convidar — disse Zema.
Apesar da afirmação, o próprio governo estadual reconhece que o funcionamento depende da conclusão do processo legislativo.
Posicionamento da UFSJ
Após a visita do governador, a UFSJ divulgou uma nova manifestação reforçando que a continuidade do processo está, neste momento, fora da esfera da universidade.
Em nota, a instituição afirmou que já fez tudo o que podia antes da transferência do imóvel e que agora o avanço depende exclusivamente do Legislativo e do Executivo estadual.
— A universidade segue aguardando a tramitação do Projeto de Lei 4.690/2025, que trata da doação do Hospital Regional de Divinópolis e que deverá ser efetivada pelo governador Romeu Zema após aprovação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais — informou a instituição.
Segundo a UFSJ, somente depois dessa formalização será possível iniciar qualquer nova fase do processo.
Próximos passos
O projeto de lei está atualmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O texto já tem relator designado, o deputado Doutor Jean Freire (PT), e encontra-se baixado em diligência para que a ALMG consulte oficialmente a universidade, o governo de Minas e demais órgãos envolvidos sobre a essência jurídica da transferência.
Após essa etapa, o projeto seguirá para a Comissão de Administração Pública, última fase antes de ficar pronto para votação em plenário, em primeiro turno. Segundo parlamentares que acompanham a tramitação, o presidente da Assembleia, deputado Tadeu Leite (MDB), se comprometeu a dar celeridade ao processo, diante da urgência apontada pela UFSJ e pelo governo federal.
A expectativa agora é que as diligências sejam concluídas rapidamente para que o projeto avance ainda em 2025, evitando impacto direto do ano eleitoral de 2026 no cronograma de abertura do hospital.
Foto: Divulgação / CMD
Marcelo Andrade falou sobre o tema no plenário da Câmara durante homenagem
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