Saúde do homem: fisioterapia é aliada crucial antes e depois do câncer de próstata

Da Redação
O mês de novembro é tradicionalmente dedicado à conscientização sobre a saúde do homem, com foco especial na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata. Mas, segundo especialistas, a data também abre portas para debates mais amplos, que incluem cuidados integrados com o corpo, hábitos preventivos e enfrentamento de tabus. Em entrevista ao Jornal Agora, a fisioterapeuta pélvica e preceptora de estágio da área na Faculdade UNA, Daiane Teixeira, atuante em Divinópolis, detalhou a relevância da fisioterapia tanto na prevenção, quanto na reabilitação física e emocional de pacientes.
Daiane explica que o fisioterapeuta é um profissional de primeiro contato, ou seja, capaz de orientar os homens mesmo antes de qualquer sinal de doença. Essa atuação inicial envolve educação em saúde, indicação de exames, esclarecimento de dúvidas e incentivo à adoção de práticas preventivas.
— A gente tem o dever de orientar o autocuidado. Em campanhas como o “Novembro Azul", reforçamos ao homem a importância de realizar os exames anualmente e manter uma rotina de prevenção — afirmou.
Tratamento
Quando o diagnóstico de câncer de próstata aparece, a fisioterapia assume um papel ainda mais estratégico.
— Após cirurgias ou tratamentos como radioterapia e hormonioterapia, muitos pacientes desenvolvem disfunções musculoesqueléticas que comprometem o assoalho pélvico. Entre as complicações mais comuns estão a incontinência urinária, a bexiga hiperativa — caracterizada por vontade frequente de urinar — e a disfunção erétil, todas com grande impacto na autoestima e na vida social — destacou.
A fisioterapia pélvica atua diretamente nesses músculos, buscando restabelecer funções e reduzir desconfortos.
— O objetivo é fazer com que esses músculos voltem a funcionar como antes. Talvez não consigamos um retorno de 100%, mas devolvemos qualidade de vida, autonomia e bem-estar — explica Daiane.
Para ela, a reabilitação é uma etapa essencial do cuidado oncológico, embora ainda seja pouco conhecida e cercada de dúvidas entre os pacientes.
Como funciona?
A recuperação geralmente começa cerca de três meses após o procedimento, quando o homem percebe sintomas como escapes urinários, dificuldade para segurar a urina ou perda de função sexual. A partir disso, o paciente passa por uma avaliação completa, que considera seu estado muscular antes da cirurgia, o impacto do tratamento e as expectativas realistas de reabilitação. O processo pode incluir eletroestimulação, exercícios específicos, reeducação miccional e orientações comportamentais.
Obstáculos culturais
Daiane ressalta que muitos pacientes chegam ao consultório carregando medos e tabus. Se antes o preconceito se concentrava no exame de toque, hoje o obstáculo maior é o receio do diagnóstico.
— Os homens têm medo de descobrir um câncer. E, ao chegar à fisioterapia, existe ainda um desconforto inicial sobre o que será feito. Mas, depois da explicação, eles ficam muito mais abertos ao tratamento — comentou.
Para além dos pacientes oncológicos, a fisioterapeuta reforça que todos os homens deveriam buscar uma avaliação preventiva do assoalho pélvico, assim como as mulheres já fazem há anos.
— O ideal é que qualquer pessoa passe por uma consulta para entender como estão esses músculos. Se estiver tudo bem, apenas acompanhamos de tempos em tempos. Mas, muitas vezes, conseguimos detectar e tratar disfunções antes mesmo que causem impactos maiores — declarou.
Conscientização
Nos momentos finais da entrevista, Daiane deixou uma mensagem direta aos homens que ainda evitam cuidados básicos de saúde.
— Os homens são os que menos buscam autocuidado. Mas o diagnóstico não é sentença. Quanto mais cedo for descoberto, melhor será o tratamento e maiores as chances de manter uma vida normal. Prevenção é o caminho. Façam exames, busquem ajuda e valorizem a própria saúde — complementou.
O Jornal Agora continua na campanha do “Novembro Azul", sempre trazendo especialistas para tratar de importantes temas, com apoio do Complexo de Saúde São João de Deus, Acom, Cred+ e Botanicals.
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