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Saúde

Uso excessivo de redes sociais agrava saúde mental de adolescentes

Por Bruno
Uso excessivo de redes sociais agrava saúde mental de adolescentes

Elian Ozéias

O uso intensivo de redes sociais por adolescentes entre 12 e 17 anos tem acendido um alerta entre especialistas da saúde mental. Pesquisas internacionais e nacionais, apoiadas por entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Academia Americana de Pediatria, apontam que a exposição prolongada a essas plataformas está diretamente ligada ao agravamento de quadros de ansiedade, depressão, distúrbios do sono, transtornos alimentares e dificuldades de concentração.

Busca por reconhecimento

Ouvida pelo Agora, a psicóloga Daniela Cordeiro explica que as redes se tornaram um espaço de validação e comparação permanente, especialmente nocivo em uma fase marcada pela construção da identidade.
— O avanço das redes sociais traz uma grande busca por reconhecimento. Para os jovens, que estão em construção psíquica e de identidade, esse ambiente funciona como uma forma de expressão e busca de validação. Antes, esse “outro” que aprovava era a família, professores ou figuras próximas. Hoje, ele pode ser simbolizado por likes e visualizações — destaca.

Segundo a especialista, essa dinâmica afeta diretamente a autoestima e a percepção que os adolescentes têm de si. 

— Há uma busca constante por um padrão de vida inatingível, o que gera insegurança e inadequação. Além disso, a satisfação imediata proporcionada pelas redes dificulta a vivência do tédio e o desenvolvimento da paciência, tornando o cotidiano mais frustrante — completa.

Transtornos emocionais 

A literatura científica aponta que o uso contínuo das redes sociais pode favorecer tanto o surgimento quanto o agravamento de transtornos como TDAH, depressão, ansiedade e transtornos alimentares. Imagens extremamente filtradas, padrões corporais irreais e estilos de vida idealizados estimulam comparação, insatisfação e sentimentos de inferioridade.

Um estudo realizado no Reino Unido com 3.340 adolescentes mostrou que aqueles com piores indicadores de saúde mental passam, em média, 50 minutos a mais por dia nas redes sociais que os demais. O grupo também relatou menor satisfação com o número de amigos online e maior impacto emocional relacionado às curtidas, comentários e compartilhamentos. Adolescentes com depressão e ansiedade, conforme as informações,  foram os que mais relataram uso intenso das redes e maior sensibilidade ao retorno digital.

Supervisão familiar

Apesar dos dados preocupantes, especialistas apontam caminhos de prevenção. A OMS e a Academia Americana de Pediatria recomendam que adolescentes tenham até duas horas diárias de lazer com telas e evitem completamente o uso de dispositivos eletrônicos antes de dormir. O Ministério da Saúde (MS) orienta que o acesso às redes sociais seja evitado antes dos 12 anos e monitorado de perto até os 17.

O diálogo dentro de casa e a supervisão ativa são considerados fundamentais. 

— É preciso conversar sobre o que veem, sobre como se sentem e sobre o que publicam. O acompanhamento dos pais ainda é a principal ferramenta de proteção — reforça Daniela Cordeiro.

Estudos anteriores

A ligação entre redes sociais e saúde mental não é nova. O relatório “Panorama da Saúde Mental”, do Instituto Cactus e da AtlasIntel, já havia mostrado que 43,5% dos brasileiros que passam mais de três horas por dia nas redes sociais possuem diagnóstico de ansiedade. Outros estudos apontam a associação entre uso excessivo de redes e baixa autoestima, cyberbullying, isolamento social, alterações no sistema de recompensa do cérebro e medo constante de não estar atualizado.

Levantamentos recentes reforçam a importância de pausas. Um estudo da Universidade de Nova York mostrou melhora significativa na autoestima e na imagem corporal de mulheres que reduziram o tempo de uso das redes. Já pesquisadores da University College London (UCL) identificaram mudanças cerebrais em adolescentes viciados em internet, que podem levar ao aumento de comportamentos compulsivos e prejuízos emocionais.

Em meio a um cenário de hiperconexão, especialistas alertam: reduzir o tempo de tela, resgatar atividades fora do ambiente digital e fortalecer vínculos familiares são passos essenciais para garantir uma adolescência mais saudável, dentro e fora do mundo virtual.

Legenda / O Ministério da Saúde orienta que o acesso às redes sociais seja evitado antes dos 12 anos e controlado até os 17 

Foto / Reprodução

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