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Saúde

Divinópolis está entre os municípios de Minas que sofrem com falta de vacinas 

Divinópolis está entre os municípios de Minas que sofrem com falta de vacinas 

Da Redação

Vários municípios de Minas Gerais estão com problemas relacionados à falta de vacinas. Garantir a cobertura vacinal no estado têm sido a maior dificuldade. Uma pesquisa da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostrou que seis em cada dez cidades passaram pelo problema há mais de 30 dias. 

De acordo com o levantamento, feito com 2.415 municípios, foi registrada falta, sobretudo, do imunizante contra a varicela, utilizada para fazer o reforço das crianças de 4 anos contra a catapora.

A vacina também para as  crianças contra o vírus da covid-19 foi a segunda mais em falta, seguida pela meningocócica C, a qual protege os pequenos contra a bactéria que pode causar infecções graves e fatais, como a meningite.

Também foram apontadas como em falta a tetraviral, que combate sarampo, caxumba, varicela e rubéola, a hepatite A e a DTP, que combate a difteria, tétano e coqueluche.

Audiência pública 

Em busca de uma solução para o problema, a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou na tarde de ontem, 3, uma audiência pública. A reunião foi solicitada pelo presidente da comissão, o deputado Arlen Santiago (Avante), que destacou o fato de muitos municípios não conseguirem cumprir a meta de cobertura vacinal devido à falta de imunizantes. 

— O Ministério da Saúde não tem sido capaz de atender às necessidades dos estados e nem de organizar adequadamente a distribuição. Além disso, a população está começando a temer as vacinas, especialmente, as produzidas com mRNA — afirmou. 

Para a reunião foram chamados representantes da Secretaria de Estado de Saúde, do Ministério Público, do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (Cosems/MG), da Federação das Santas Casas de Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais, da Associação Mineira de Municípios, além de secretários municipais de saúde de diversos municípios mineiros.

Na reunião, a secretária de Saúde de Minas Gerais, Marcela Lencine Ferraz, iniciou sua participação contando as ações realizadas pela secretaria em prol do aumento da vacinação, durante o ano de 2024. A respeito da falta de vacinas, a secretária reforçou que mantém contato direto com o Ministério da Saúde para o recebimento das vacinas.  

—Temos mantido um diálogo muito próximo com o Ministério, com relação a formalização das nossas necessidades, mantendo sempre os nossos pedidos, e assim que recebemos o estoque dessas vacinas, a gente encaminha aos municípios para que eles possam ter os estoques oportunamente — destacou. 

Arlen Santiago expôs diversas matérias divulgados pela imprensa sobre a falta das vacinas e cobrou o Ministério da Saúde, chamando a situação de “genocídio”. 

Divinópolis 

De acordo com a Prefeitura de Divinópolis, alguns imunizantes também estão em falta na cidade. A vacina contra varicela não está disponível e contra covid-19 está com desabastecimento temporário. A Prefeitura afirmou que já comunicou a Secretaria de Estado de Saúde (SES) sobre a situação, mas que ainda aguardava uma previsão de reabastecimento. 

Levantamento 

A Associação Mineira de Municípios (AMM) também fez levantamento no Estado e registrou desabastecimento em todos os municípios pesquisados (211 das 853 cidades mineiras), pelo menos de algum imunizante.

Segundo o presidente da AMM e prefeito de Coronel Fabriciano, Dr. Marcos Vinicius, o quadro é preocupante, uma vez que, caso não haja uma regularização da distribuição das vacinas aos municípios, pode haver surto de várias doenças.

—A gente pode ter novamente um surto de sarampo, por exemplo. Isso não afeta só as pessoas adultas ou crianças, mas também o feto. Ou seja, a gestante contaminada de sarampo pode levar ao aborto. Os danos e as sequelas são muitos. São sequelas a que não estamos acostumados. São 30 anos sem ouvir falar disso — considera o presidente da AMM.

Ainda de acordo com o estudo, a falta da vacina contra a varicela, por exemplo, acontece em 93% dos municípios analisados.

Ministério da Saúde 

O Ministério da Saúde (MS) é o responsável por fazer a aquisição e a distribuição de todas as vacinas do Calendário Nacional de Vacinação para os municípios, e os estados, de prover seringas e agulhas para os entes locais realizarem a vacinação.

De acordo com o Ministério, os contratos para aquisição de novas doses da vacina contra covid-19 foram assinados com as novas empresas, com previsão de entrega para a primeira quinzena de dezembro de 2024. Após a liberação, as vacinas serão submetidas a uma análise pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS). Atualmente, a SES está com estoque indisponível da vacina contra covid-19.

Já sobre a vacina contra varicela, a SES afirmou que o estado vem recebendo a vacina contra varicela de forma irregular desde agosto de 2023, sendo que a última remessa recebida no estado foi em junho de 2024. É mantido em estoque um pequeno quantitativo de doses da vacina contra varicela, para bloqueios em casos de surtos da doença, de acordo com critérios epidemiológicos.

Conforme o Ministério, diante dos obstáculos regulatórios e de fabricação enfrentados pelos fornecedores, uma compra emergencial foi realizada no final de 2023 por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS), com entregas previstas para os próximos meses. Simultaneamente, está em curso o processo de aquisição no mercado nacional, com previsão de regularização do estoque para o primeiro semestre de 2025. 

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