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Saúde

Lohanna afirma que Hospital Regional segue fechado por culpa do Estado

Por Bruno
Lohanna afirma que Hospital Regional segue fechado por culpa do Estado

Lucas Maciel

Depois de meses de disputas políticas, versões contraditórias e promessas que não se concretizaram, a deputada estadual Lohanna França (PV) afirmou, em entrevista exclusiva ao Agora, que o maior entrave para a abertura do Hospital Regional de Divinópolis segue sendo a conduta do governo de Minas. Sem meias-palavras, a parlamentar responsabilizou diretamente o governador Romeu Zema (Novo) e o vice-governador Mateus Simões (PSD) pela demora no processo e criticou o uso político do tema às vésperas do ano eleitoral.

A deputada descreveu um cenário de atrasos, informações incorretas divulgadas pelo Executivo estadual e decisões consideradas irresponsáveis, como a inclusão do terreno do hospital na lista de bens destinados a abater a dívida do Estado com a União. Para ela, esse gesto colocou em risco a finalidade original da obra e ignorou a realidade da saúde na região.

Ainda confiorme Lohanna, enquanto o governo grava vídeos e diz que o hospital está pronto, a etapa essencial, a formalização da doação para a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) não foi feita. 

Histórico

A deputada resgatou, durante a entrevista, a cronologia das dificuldades enfrentadas desde que assumiu o mandato, em 2023. Ela citou fiscalizações realizadas no início daquele ano, quando o governador declarou publicamente que as obras avançavam em ritmo acelerado.

— O governador disse que as obras estavam a todo vapor e que tinha dezenas de trabalhadores no hospital. Eu voltei  da estrada para conferir e não tinha ninguém. Só o vigilante e os cachorrinhos — afirmou.

Esse episódio, segundo ela, simboliza a forma como o governo estadual conduziu a obra. A retomada efetiva só ocorreu no fim de 2023, quase um ano após a declaração. Lohanna argumenta que essa demora comprometeu etapas fundamentais do processo, inclusive o cronograma de doação.

Ela reforçou que, embora a obra esteja avançada e “pronta para ser entregue”, nada disso tem valor prático sem a formalização da transferência para a universidade, etapa indispensável para que a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) possa assumir a gestão.

— O hospital não foi doado. Quem dera se tivesse sido. Precisa fazer o processo administrativo. Repito: vídeo e ligação não é doação — destacou.

Uso político 

A deputada também criticou a circulação de conteúdos que sugerem que a doação já foi concluída. Ela fez um apelo direto para que lideranças políticas ajam com responsabilidade.

— O cidadão compartilhar isso, tudo bem. Mas quem está na política precisa ter responsabilidade e não pode enganar as pessoas dessa forma — destacou. 

Lohanna lembrou que o Projeto de Lei 4.690/2025, que autoriza a doação, foi apresentado por ela porque o governo não protocolou a proposta. O texto segue em tramitação na Assembleia. Mesmo assim, ela evita transformar o tema em disputa individual e destaca que o hospital é fruto de um processo histórico coletivo. 

— Isso aqui é a luta de muita gente. De quem veio antes da gente, de quem está agora e de quem ainda vai vir — afirmou.

Polêmica com Simões

Um dos pontos abordados na entrevista foi a resposta à fala do vice-governador Mateus Simões, que acusou a deputada de causar “prejuízo” de R$ 150 milhões ao Estado ao retirar o terreno do hospital da lista do Propag.

— O governador Zema e o seu vice-governador são pessoas que não conhecem a realidade do Centro-Oeste de Minas, que não conhecem a realidade de Divinópolis, que não conhecem as pressões da saúde que a gente vive aqui — comentou. 

Ela explicou que o terreno foi doado ao Estado pela Câmara de Divinópolis com a finalidade exclusiva de instalar o hospital universitário. Por isso, não poderia ser usado como moeda de troca para abater dívida.

— O prejuízo tomaria Divinópolis se colocasse o hospital para negociar dívida — afirmou.

Segundo ela, utilizar o imóvel para esse fim seria desrespeito com a cidade, com os vereadores, outros políticos e com a história da construção do projeto.

Impacto

Ao longo da entrevista, a deputada enfatizou que a demora não é apenas um problema administrativo. Tem consequência direta e grave na vida de pacientes da região que dependem de atendimento especializado.

Ela lembrou que faltam leitos de UTI neonatal, de queimados e de alta complexidade na região, o que coloca vidas em risco todos os dias.

— Se um neném precisa de UTI neonatal, a família tem que rezar. A quantidade de leitos que a gente tem é baixíssima — disse.

Ainda de acordo com a parlamentar, a Central de Regulação trabalha no limite e que, com poucos leitos disponíveis, qualquer acidente grave desorganiza a fila. Para ela, os 200 leitos do Hospital Regional poderiam reorganizar o sistema e reduzir a espera. 

Expectativa por avanços

Lohanna reforçou que seguirá cobrando o governo e acompanhando a tramitação do projeto. Ela reconheceu que o texto está caminhando na Assembleia, mas alertou que a cobrança precisa continuar, principalmente diante dos riscos que a situação atual representa.

A deputada concluiu destacando que o hospital não é uma pauta ideológica, mas uma necessidade urgente da região:

— Enquanto atrasam a abertura do hospital para fazer negociação com a União, as pessoas continuam morrendo. A obrigação deles é enfrentar a questão da saúde terciária. A população não aguenta mais — finalizou. 

Confira a entrevista completa:

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