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Política

Madrugada II 

Madrugada II 

A calada da noite para apreciar assuntos espinhosos está famosa na Câmara Federal. Os nobres deputados resolveram trabalhar no fim do ano para tratar de temas visto com uma certa desconfiança por especialistas no assunto e a população.  A votação na madrugada,  desta vez, nesta quinta-feira, 11, a Casa manteve o mandato da deputada Carla Zambelli (PL). O sim para a parlamentar presa na Itália, veio durante a votação do parecer que pedia a sua cassação, quando apenas 227 deputados votaram favoráveis pela perda do mandato. Seriam necessários 257 votos para que ela perdesse o cargo. A discussão aconteceu por volta de meia noite, o que dificultou o plenário a ter quórum, e os votos necessários para a votação. Vale ressaltar que decisão do plenário foi contra a votação que aconteceu na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), onde o colegiado teve maioria de votos pela perda do mandato com a ajuda de deputados do centrão. O resultado mostra mais uma vez que as comissões existem nas casas legislativas apenas para cumprir a exigência, visto que na maioria das decisões, quem decide é o plenário. Os nobres favoráveis estão de parabéns. Decidiram, novamente, pela impunidade dos  seus pares e pela continuidade do pagamento dos altos custos  arcados pelo povo para quem não está trabalhando. Foi para isso que foram eleitos!

Condenação 

Zambelli foi condenada duas vezes pelo STF que havia determinado além da prisão, a perda do mandato parlamentar. A primeira condenação ocorreu após ela, junto ao hacker Walter Delgatti, invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Na segunda, teve teve a prisão decretada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Ela fugiu para a Itália, em uma tentativa de não cumprir pena, mas foi detida e está atualmente presa no país. A política ainda enfrenta um processo de extradição, para que cumpra pena no Brasil. A decisão da justiça  também determinou a perda do mandato parlamentar. No entanto,  boa parte de seus colegas de legislatura fizeram questão de dar mal exemplo para o país —o que não é novidade.

Vai contestar 

Um dos deputados a votar pela perda do mandato, Lindbergh Farias, líder do PT na Casa, afirmou que irá ingressar com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar o procedimento que manteve a deputada Zambelli no cargo. Para o parlamentar, a decisão do Supremo é muito clara sobre a condenação, citando o artigo 55 da Constituição, por  isso, a Mesa Diretora tem que proceder o afastamento. O petista acredita que o presidente da Câmara dos Deputados não obedeceu a decisão da Justiça. E quando é que ele ou outro obedeceu? Se não há respeito entre os poderes... 

PT em Minas 

O objetivo da visita do presidente Lula (PT), ontem a Minas Gerais, foi muito além das agendas administrativas. O que fazer com a questão da disputa do governo de Estado em relação ao seu partido? O fim do ano se aproxima e segue o imbróglio. A Federação PT, PV e PcdoB ainda não tem um nome com potencial de convergência para concorrer ao cargo. Rodrigo Pacheco (PSD), o sonho do presidente, tanto que não o indicou ao Supremo, continua indeciso e desmotivado. Mesmo sendo   nome de consenso não só da esquerda, mas  do chamado "centrão" por sua  capacidade de diálogo em todos os campos. Mas, convencê-lo, não parece tarefa fácil, tanto que desta vez, bem diferente das anteriores, Pacheco não aceitou o convite para acompanhar Lula nas suas agendas. A recusa comprova a decepção do senador por não ter sido indicado ao STF, e que a disputa ao governo de Minas está praticamente descartada. 

Sem plano B?

Caso Rodrigo Pacheco decline mesmo da candidatura, o PT deve enfrentar muitas dificuldades. A prefeita de Contagem, Marília Campos, e a de Juiz de Fora, Margarida Salomão, que seriam boas opções, já declararam que não irão deixar os seus mandatos para concorrer a vaga deixada por Romeu Zema (Novo). Isso depois que já havia sido descartado o apoio ao ex-prefeito de BH, Alexandre Kalil (PDT). Aí, entram outras alternativas, como o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB),— que já foi até convidado para ser vice de Mateus Simões (PSD) e do senador Cleitinho (Republicanos).  No entanto, o jovem deputado continua afirmando estar focado, no momento, apenas nas pautas e direção da ALMG. Ainda daria tempo de apostar em outro nome, ou já se pensa em apoiar alguma chapa? A questão é: qua?.

Lidera 

Enquanto a indefinição preocupa o PT e o presidente Lula, o senador Cleitinho (Republicanos), que não tem nada a ver com isso, lidera o cenário para o governo de Minas, segundo levantamento do instituto Real Time Big Data divulgado nesta quarta-feira, 10. O senador aparece na pesquisa com 38% das intenções de voto, seguido pelo ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), com 18%. Em terceiro lugar está o vice-governador Mateus Simões (PSD), citado  por 9% dos entrevistados. O último da lista, em quarto lugar, é o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB), que aparece com 4%. O fato é que desde os primeiros levantamentos sobre a disputa do cargo, Cleitinho não sai do primeiro lugar, favorecido pelo cenário de indefinições, é claro. Ele ainda não "bateu o martelo", mas isso não deve demorar a acontecer. 

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