Mais de 200 estudantes participam de projeto que debate saúde mental por meio da literatura

Da Redação
Mais de 200 estudantes da Escola Estadual Dona Antônia Valadares participaram, na última sexta-feira, 10, de uma série de palestras que colocaram a saúde mental no centro das discussões. A iniciativa reuniu literatura, educação e acolhimento emocional em uma proposta que buscou abrir espaço para o diálogo sobre temas cada vez mais presentes na vida dos jovens, como ansiedade, insegurança, medos e pressão social.
O encontro marcou o lançamento do livro Entendendo o Tempo, do escritor divinopolitano Gustthavo Majory, membro da Academia Divinopolitana de Letras (ADL). Durante a atividade, 50 exemplares da obra foram distribuídos gratuitamente aos estudantes dos turnos da manhã, tarde e noite.
Projeto
Viabilizado por meio da Lei Aldir Blanc, o projeto foi desenvolvido em parceria com a psicóloga Nádia Orfus e utilizou a literatura como ferramenta para abordar questões ligadas à saúde emocional. A obra acompanha a trajetória de uma pessoa que precisa passar por um tratamento preventivo com a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) durante 30 dias, enfrentando, nesse período, crises de ansiedade, medos e incertezas.
Segundo o autor, o livro nasceu a partir da escuta de relatos reais e da necessidade de transformar em literatura experiências marcadas pela vulnerabilidade.
— Esse livro já é único por abordar uma temática que ainda é um tabu, que é o HIV. A história surgiu depois que acompanhei, em tempo real, os relatos de uma pessoa que estava vivendo exatamente aquela situação. Naquele momento, durante a pandemia, os medos e as dúvidas pareciam ainda maiores. Hoje, percebo que os desafios emocionais continuam muito presentes e, por isso, precisamos seguir falando sobre o assunto — afirmou.
Juventude em transformação
Durante as palestras, os estudantes participaram das discussões, fizeram perguntas e compartilharam experiências relacionadas à saúde mental.
Para a psicóloga Nádia Orfus, os adolescentes convivem atualmente com uma série de fatores que impactam diretamente o bem-estar emocional.
— Eles vivem em um mundo de mudanças constantes, marcado pelo excesso de informações, pelas comparações nas redes sociais e pelas expectativas sobre quem devem ser e como precisam se comportar. Tudo isso pode gerar ansiedade, insegurança e dificuldades na construção da própria identidade — explicou.
A profissional também destacou o papel da arte na promoção do cuidado emocional.
— A arte é uma grande aliada da saúde mental. Ela permite que temas complexos sejam abordados de forma mais leve, sensível e acessível, criando espaços de identificação e reflexão — disse.
Escola como espaço de diálogo
Para o diretor da Escola Estadual Dona Antônia Valadares, Jonas Costa, iniciativas que aproximam educação, cultura e saúde contribuem para fortalecer o ambiente escolar.
— Tais iniciativas auxiliam no entendimento de situações presentes no cotidiano da escola, tornando as ações mais eficazes na condução dos processos educativos e no acolhimento das demandas emocionais — destacou.
Ele também ressaltou a participação dos estudantes nas atividades.
— Os alunos dos três turnos demonstraram muito interesse pelas palestras e participaram de forma positiva das discussões, evidenciando o quanto o tema é relevante para essa geração — afirmou.
Além da distribuição gratuita dos livros, o projeto contou com recursos de acessibilidade, incluindo tradução em Libras durante as atividades, permitindo a participação de estudantes com deficiência e ampliando o alcance das discussões.
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