SUS começa oferta nacional de insulina glargina para crianças, adolescentes e idosos em todo o país

Da Redação
O Ministério da Saúde iniciou a oferta gradual da insulina glargina pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para públicos específicos com diabetes. A mudança prevê a substituição progressiva da insulina NPH pela glargina, um medicamento de ação prolongada, inicialmente destinado a crianças e adolescentes de 2 a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1 e a pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou tipo 2.
A transição está sendo realizada de forma gradual em todo o país, com avaliação clínica e prescrição médica. O acesso ao medicamento ocorrerá pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), conforme a organização de cada município e após análise do quadro clínico do paciente por uma equipe multiprofissional.
Divinópolis
Em Divinópolis, a oferta da insulina glargina ainda não começou. A Prefeitura informou ao Agora que o município está na fase de elaboração do fluxo de atendimento e organização das capacitações para os profissionais da rede de saúde. Segundo a administração municipal, ainda não existe uma data oficial para o início da dispensação do medicamento na cidade.
— A Prefeitura de Divinópolis informou que o Ministério da Saúde iniciou a oferta gradual da insulina glargina pelo SUS. O projeto-piloto foi iniciado em fevereiro de 2026. Duas profissionais da nossa rede participaram da capacitação sobre essa transição, estamos na fase de elaboração do fluxo, organização de capacitação para os profissionais. No momento, ainda não há uma data oficial para o início da dispensação em Divinópolis — explicou.
Novo medicamento
A insulina glargina é uma insulina análoga de ação prolongada, desenvolvida para proporcionar uma liberação mais estável do medicamento no organismo. Segundo o Ministério da Saúde, na maioria dos casos, o tratamento permite uma aplicação diária, enquanto outros esquemas terapêuticos podem exigir até três aplicações no mesmo período.
A mudança tem como objetivo oferecer maior estabilidade no controle da glicemia, reduzir o risco de episódios de hipoglicemia e favorecer a continuidade do tratamento. O medicamento também apresenta como diferencial a cobertura de até 24 horas para a maioria dos pacientes.
Outro benefício destacado pelo Ministério da Saúde é a redução das oscilações nos níveis de glicose no sangue e a praticidade no uso. Diferentemente da insulina NPH, que precisa ser agitada antes da aplicação, a glargina não exige essa preparação prévia.
Distribuição
O Ministério da Saúde informou que já encaminhou mais de 254 mil tubetes de insulina glargina para 16 estados, destinados à transição do tratamento. Também foram distribuídas 52.350 canetas reutilizáveis para aplicação do medicamento.
A previsão é que todos os estados recebam os insumos até o fim de julho. O envio está sendo realizado com base no planejamento e nas solicitações periódicas das secretarias estaduais e municipais de saúde.
Após o recebimento dos lotes em cada região, a disponibilização para a população ocorrerá pelas farmácias da Atenção Primária à Saúde, como as Unidades Básicas de Saúde, de acordo com a organização definida por cada município.
Acesso ao tratamento
Para ter acesso à insulina glargina, o paciente deve procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima com a receita médica devidamente emitida e carimbada. Pais, responsáveis ou cuidadores de crianças, adolescentes e idosos que fazem parte do público-alvo também poderão solicitar a avaliação para substituição da insulina NPH pela glargina.
Durante o processo, o paciente e a família receberão orientações sobre o uso correto da insulina, a técnica de aplicação e o armazenamento adequado do medicamento. Junto com a insulina, será disponibilizada uma caneta reutilizável para aplicação, com validade de três anos, além das agulhas necessárias.
O Ministério da Saúde informou que equipes da Atenção Primária à Saúde e da Assistência Farmacêutica estão recebendo capacitações para conduzir a transição. Foram disponibilizados materiais técnicos e realizadas cerca de 130 oficinas em conjunto com o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).
Produção nacional
A inclusão da insulina glargina no SUS foi viabilizada por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), iniciativa que aproxima instituições públicas e empresas privadas para estimular a produção nacional de medicamentos considerados estratégicos para o sistema público de saúde.
Segundo o Ministério da Saúde, a nacionalização do medicamento também busca garantir maior segurança no abastecimento. A medida ocorre em um cenário de desabastecimento global da insulina NPH por parte dos fabricantes. Atualmente, a NPH representa cerca de 90% das insulinas utilizadas no SUS.
A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, afirmou que a transição foi planejada para ocorrer de forma gradual, inicialmente com a definição de faixas etárias específicas, para posteriormente ampliar o público atendido.
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