Odontologia Hospitalar: quando o dentista também cuida no hospital

Quando pensamos em um cirurgião-dentista, a primeira imagem que vem à mente é a do consultório odontológico. Lembramos das consultas de rotina, das restaurações, dos tratamentos de canal ou da prevenção das cáries. No entanto, poucas pessoas sabem que o dentista também pode atuar dentro dos hospitais, contribuindo diretamente para a recuperação e o bem-estar de pacientes internados.
Essa área de atuação recebe o nome de Odontologia Hospitalar e vem conquistando cada vez mais espaço nas instituições de saúde. Seu objetivo é prevenir e tratar alterações bucais que possam interferir no tratamento e na recuperação dos pacientes.
A boca faz parte do corpo e está diretamente relacionada ao seu funcionamento. Alterações nessa região podem influenciar a alimentação, a fala, o conforto e até mesmo o surgimento de algumas complicações durante a internação.
Pacientes hospitalizados, especialmente aqueles que permanecem internados por períodos prolongados, muitas vezes apresentam dificuldades para realizar a higiene bucal. Idosos, pacientes neurológicos, pessoas em tratamento oncológico e indivíduos internados em unidades de terapia intensiva merecem atenção especial.
A boca abriga milhões de microrganismos. Em condições normais, eles convivem em equilíbrio com o organismo. Entretanto, durante uma internação, principalmente em pacientes debilitados, esse equilíbrio pode ser alterado, favorecendo o crescimento de bactérias capazes de provocar infecções.
Um dos exemplos mais conhecidos dessa relação é a pneumonia. Pessoas internadas em estado grave, que dependem de aparelhos para auxiliar a respiração, podem ter bactérias da boca levadas até os pulmões, aumentando o risco de infecções respiratórias. Por isso, os cuidados com a saúde bucal vêm sendo cada vez mais valorizados e fazem parte das medidas de segurança adotadas em muitos hospitais.
O cirurgião-dentista hospitalar atua avaliando a cavidade oral, identificando focos de infecção, realizando procedimentos preventivos e orientando a equipe de saúde sobre os cuidados necessários. Essas medidas contribuem para a redução da quantidade de bactérias na boca e auxiliam na assistência ao paciente.
Além da prevenção das pneumonias, o dentista hospitalar também atua no tratamento de feridas, infecções, sangramentos, boca seca, dor e outras alterações que podem comprometer a alimentação e o bem-estar do paciente. Esse cuidado é particularmente importante para pessoas em tratamento contra o câncer, que podem apresentar lesões e desconfortos na boca ao longo da terapia.
A presença do cirurgião-dentista no hospital amplia o cuidado ao paciente e fortalece o trabalho em equipe dentro das instituições de saúde. A atuação conjunta dos profissionais permite uma assistência mais segura, humanizada e centrada nas necessidades de cada pessoa. O cuidado com a saúde bucal durante a internação beneficia pacientes, familiares e toda a equipe de saúde.
Mais do que tratar dentes, a Odontologia Hospitalar mostra que o cirurgião-dentista também participa do cuidado, da recuperação e da promoção da saúde dentro dos hospitais.
Em momentos de fragilidade, como durante uma internação, pequenos cuidados podem fazer grande diferença. A atenção à saúde bucal contribui para o conforto, a alimentação, a comunicação e a dignidade do paciente. Valorizar a presença do cirurgião-dentista no hospital é reconhecer que cuidar da boca também é cuidar da vida.
Margarete Melo é cirurgiã-dentista, endodontista e especialista em Odontologia Hospitalar; mestre em Educação em Diabetes pela Santa Casa de Belo Horizonte; pós-graduada em pacientes com comprometimento sistêmico; habilitada pela American Heart Association em emergências médicas; professora do Centro Universitário UNA; docente de cursos de pós-graduação nas áreas de Endodontia, Odontologia Hospitalar e Emergências Médicas em Odontologia; mais de 30 anos de atuação na Odontologia
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